Iron Maiden: 25 anos atrás, síntese do Heavy Metal

Resenha - Piece Of Mind - Iron Maiden

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Por Ronaldo Costa
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Há 25 anos atrás, o Iron Maiden caminhava a passos largos em direção a se tornar a maior banda de heavy metal do mundo. A banda já trazia em seu currículo três obras essenciais da música pesada. “Iron Maiden” e “Killers” mostravam uma banda ainda em estado bruto e exalando energia por todos os poros. Em “The Number Of The Beast”, primeiro disco com o então novo vocalista Bruce Dickinson, a banda passa para um outro patamar em termos de composições e de sonoridade. No entanto, é em maio de 1983 que a Donzela traz ao mundo o disco que melhor define o seu som e que, de certa forma, sintetiza o que foi o heavy metal clássico.
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Completando 25 anos este mês, “Piece Of Mind” é uma obra que representa várias coisas. Recheado de clássicos, esse álbum é o momento em que o som do Iron Maiden casa de vez com o estilo vocal de Bruce Dickinson, é o momento em que a banda melhor desenvolve sua capacidade de compor melodias marcantes sem perder o peso característico de seu som e é, acima de tudo, o trabalho que melhor define a sonoridade da banda, aquele que melhor exemplifica tudo o que o Maiden é.

Após a saída do baterista Clive Burr, a banda recruta Nicko McBrain, do Trust. E o novo integrante já mostra a que veio na primeira música. “Where Eagles Dare” abre o disco de maneira fenomenal, com a batera precisa de Nicko, totalmente bem entrosada com o baixo do chefão Steve Harris, o extraordinário trabalho de guitarras da clássica dupla Dave Murray e Adrian Smith, seja nos riffs ou nos solos, além do vocal de Dickinson, melódico e atingindo notas muito altas. É difícil dizer se essa faixa é a melhor música de abertura de um disco na história do Maiden, até porque a concorrência é dura demais, mas a música é um clássico absoluto.

A não menos clássica “Revelations” traz a primeira contribuição de Bruce à banda enquanto compositor. E que contribuição. Um dos mais belos temas da carreira do Maiden, com melodias maravilhosas, um dos melhores trabalhos vocais de Mr. Air Raid Siren, aliados a passagens rápidas e pesadas, como manda o bom e velho heavy metal. “Flight Of Icarus”, a música seguinte, é outro clássico, mais cadenciada e radiofônica, mas não menos excelente. Diz a história que Steve Harris queria uma versão mais rápida e pesada da canção, mas Dickinson insistiu que a música ficasse daquela forma, pois achava que assim ela faria mais sucesso no mercado americano. O rock mais direto de “Die With Your Boots On” é impossível de ser ouvido de forma quieta e passiva. Não bastasse toda a energia dessa música, os solos são excelentes, o baixo estala nos ouvidos durante a canção inteira e as notas atingidas pelo vocal são impressionantes.

Na seqüência, temos a música que melhor define o que é o som do Iron Maiden. “The Trooper” é, de fato, um ataque da cavalaria, onde a banda atinge um dos momentos mais entrosados, senão o mais entrosado, de toda a sua discografia. O baixo e a bateria percorrem a canção inteira em harmonia perfeita. As melodias grudam na cabeça, a performance vocal, como se observa até hoje nos shows, é capaz de levantar qualquer audiência. E é praticamente impossível escolher no duelo de solos dos guitarristas, aquele que se sai melhor. Um clássico atemporal do heavy metal. A parte ‘menos famosa’ de “Piece Of Mind” se inicia com a semi-balada “Still Life”, única com participação do lendário guitarrista Dave Murray na composição. A música começa com uma mensagem invertida, ironizando as histórias de que o Maiden e outras bandas traziam em seus discos mensagens que, quando rodadas ao contrário, traziam alusões ao satanismo. Nesse caso, a mensagem trazia algo como “não mexa com aquilo que você não entende”. A canção em si é uma música maravilhosa, pouco executada pela banda, com uma levada marcante, belas melodias e mais um excelente trabalho vocal de Dickinson. “Quest For Fire” talvez seja a ‘menos boa’ do disco, mas em se tratando de “Piece Of Mind”, isso está longe de ser uma música ruim. O andamento mais cadenciado e o vocal quase operístico dão o tom de mais uma excelente música, com todas as características que conferem à Donzela sua sonoridade inconfundível.

“Sun And Steel” é a faixa mais veloz do disco, com a tradicionalíssima cavalgada no riff e no acompanhamento do baixo, além de uma melodia cativante e um refrão legal. Uma canção que ficou relegada a um segundo plano nesse álbum. Pra terminar o trabalho, o Maiden lança mão de mais uma obra de arte, com a épica “To Tame A Land”. Steve Harris queria intitular a música de “Duna”, mesmo nome do livro de Frank Herbert, no qual a canção foi inspirada, mas o escritor não autorizou, já que não gostava de bandas de heavy metal. Em seus mais de 7 minutos, a faixa mescla a beleza de sua melodia e momentos mais calmos com passagens fortes, além de Bruce Dickinson entregar mais uma vez um trabalho não menos do que excepcional. Essa canção, ao lado de “Still Life”, pode figurar facilmente numa lista de músicas inexplicavelmente injustiçadas pela banda, onde poderiam entrar também “The Duellists”, “Alexander The Great”, “Only The Good Die Young”, “Public Enema Number One”, dentre outras.

Não há pontos negativos a se ressaltar em “Piece Of Mind”. Pode-se até apontar alguma coisa que tenha ficado melhor que a outra, mas dizer que há algo sem qualidade nesse disco é um tanto arbitrário. A banda mostrou com esse trabalho que é possível abordar temas clássicos do heavy metal, como guerras e personagens mitológicos, de forma inteligente. Trazendo todos esses temas, além de incursões na literatura e até em citações religiosas, o disco traz algumas das letras mais bem sacadas da Donzela. A capa talvez não seja a melhor de todas, mas a expressão de loucura do Eddie lobotomizado tornou-se uma das ilustrações mais clássicas relacionadas à banda. O andamento é um pouco mais cadenciado em relação a outros discos da banda. A produção do mestre Martin Birch deixou todos os instrumentos perfeitamente audíveis e equalizados na medida certa.

Sobre a banda, não há como dizer quem se saiu melhor. O estreante Nicko McBrain faz um trabalho primoroso e, embora já mostrasse um pouco do virtuosismo que seria melhor exibido em discos posteriores, toca para a banda, sem querer aparecer mais do que a música pede. Sempre haverá discussões sobre qual baterista foi melhor, Burr ou Nicko. O que dá para observar é que Clive tinha um estilo mais agressivo, com mais pegada, com mais ‘punch’, mas McBrain faz um som mais técnico, além de seu entrosamento com Steve Harris beirar a perfeição. Cabe aí o gosto pessoal de cada um. Quanto ao baixista, não bastasse ser o mentor da banda, o principal compositor desta e de todas as demais obras, sua excelência nas quatro cordas se faz desnecessária enfatizar. Impressionante como, nos dias de hoje, aparece um ou outro questionando sua habilidade como instrumentista. A dupla Adrian Smith/Dave Murray mostrou-se mais uma vez impecável, como sempre. Não se percebe entre os dois uma disputa de egos, uma competição para ver quem se sai melhor. E talvez por isso mesmo eles sejam responsáveis por algumas das mais clássicas e influentes linhas de guitarra na história do rock pesado. Quanto a Bruce Dickinson, apenas não se diz que esse foi o seu melhor trabalho para o Maiden porque sua performance em “Powerslave” também é de cair o queixo.

Qualquer um que vivenciou o metal na primeira metade dos anos 80, desde a molecada da época até os mais experientes, já gastou algumas horas de sua vida colocando “Piece Of Mind” para tocar, e para tocar de novo, e de novo, e mais uma vez. Por mais que alguém não goste do disco, se esse alguém nunca balançou a cabeça ao som de pelo menos uma das músicas desse álbum, ainda que uma única vez na vida, essa pessoa não pode dizer que sua experiência com o heavy metal esteja completa. “The Number Of The Beast” e “Powerslave” são os discos de estúdio mais famosos e aclamados da banda, mas é justamente o álbum que separa esses outros dois que pode ser dito como o que melhor expressa o que é o som do Iron Maiden. Depois de 25 anos completos, dá para dizer que além de ser a obra que melhor resume o som da banda, “Piece Of Mind” também é a síntese do que é o heavy metal clássico.

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Sobre Ronaldo Costa

Nascido na capital paulista em meados dos anos 70, teve a sorte de, ainda bem jovem, descobrir por meio de um primo o debut do Iron Maiden. Quando ouviu “Prowler” pela primeira vez, logo entendeu que aquilo passaria a fazer parte de sua vida. Gosta sobretudo dos clássicos, como Maiden, Judas, Sabbath, Purple, Zeppelin, Metallica, AC/DC, Slayer, mas ouve desde um hard bem leve até um bom death metal. Além da paixão pelo metal e pelo rock em geral, também adora cinema e um bom futebol.

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