Consortium Project IV: remetendo ao Metal do passado
Resenha - Children of Tomorrow - Consortium Project IV
Por Maurício Dehò
Postado em 24 de março de 2008
Nota: 7 ![]()
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Aquecimento global, mudanças climáticas e colapso populacional. As preocupações do mundo contemporâneo não param nos jornais e nas pesquisas de estudiosos, mas atingem também o mundo das artes. É abordando estes temas críticos e com uma boa dose de ficção científica que foi criado o Consortium Project. Montado pelo renomado vocalista holandês Ian Parry, que já tem mais de duas décadas na música e já integrou bandas como Elegy e Vengeance, o projeto chegou à sua quarta parte, seguindo com esta saga que ainda deve contar com novas partes.

Apesar de atual, o Consortium Project tem quase que os dois pés nos anos 80. Além de Parry ser veterano, o som do seu projeto remete diretamente ao Metal e ao Rock das décadas passadas, com trechos que lembram bastante o Hard Rock e algumas tradicionais baladas, das mais grudentas. Tudo isso contando com uma banda de apoio que mistura experiência e novas caras. Além da bagagem do líder e de nomes como Joshua Dutrieux, que foi tecladista do Elegy e neste projeto assina várias canções além de cuidar das guitarras e teclados, há jovens como o baterista Ivar de Graff. Completam o line-up oficial três mulheres que se revezam entre backing vocals e outras linhas femininas de voz e dão um toque bem especial ao álbum.
A quarta parte da saga, intitulada "Children of Tomorrow" não chega a impressionar sonoramente, ainda mais pois estamos numa época de projetos grandiosos como Avantasia, Genius, Ayreon e Aina, entre outros que vão aparecendo. Mesmo assim, deve agradar quem gosta deste formato Rock/Metal Ópera, pois sua história é bem interessante e bem amarrada. A ficção científica chega já no fim do disco, quando depois de repassar vários dos "perrengues" que a humanidade sofreu no século XX, como a Guerra Fria – na pesadona "Enigma" com momentos de pura virtuose -, fica no ar a possibilidade de os humanos serem descendentes de uma raça de outro planeta. E parece que eles falam sério!
Durante os 45 minutos do disco, algumas faixas se destacam pelo caminho. É o caso da oitentista "Neverland", da agressiva "Shadows" e de "Made in Heaven", que tem criativas linhas vocais e mostra todo o talento de Parry. Já "Let the Wind Carry You Home" é uma balada de clima pra lá de Disney, enquanto a mensagem social do projeto vem com firmeza na última música, a faixa-título, que é uma das melhores e tem até gaitas de fole.
Como dito, "Children of Tomorrow" não é brilhante e inovador, mas executa bem o trabalho que se propõe a fazer. Para quem curte este tipo, vale ir atrás do que Ian Parry tem feito e aguardar, pois os holandeses ainda demonstram ter chão pela frente. E, quem quiser procurar na Internet, não vá se assustar quando encontrar o tosquíssimo videoclipe de "Enigma". Melhor ficar só no CD!
Track List:
1. A Sign Of The Times
2. Nowhere Fast
3. Neverland
4. Shadows
5. Exodus
6. Made In Heaven
7. Let The Wind Carry You Home
8. Enigma
9. Mastermind
10. Path Of Destruction
11. Children Of Tomorrow
Formação:
Ian Parry – vocal
Joshua Dutrieux – guitarras e teclados (bateria em três faixas)
Ivar de Graf – bateria
Rosite Abbink – vocal
Erna Auf Der Haar – vocal
Judith Rijnveld – vocal
Lançamento nacional – Dynamo Records/Non Stop Productions
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