Foo Fighters: o desejável caminho do realismo sonoro
Resenha - Echoes, Silence, Patience & Grace - Foo Fighters
Por Giorgio Moraes
Postado em 16 de dezembro de 2007
Li isso em algum lugar na internet: "Foo Fighters - finalmente uma banda séria..." Mas fiquei a pensar que se há uma palavra que nos sirva como adjetivo mais que perfeito para designar o novo CD do Foo Fighters, esta palavra é – sem sombra de dúvidas – maturidade. Não a maturidade forjada em truques de Protools e coisas do tipo, mas aquela que se consegue ao longo de árduos anos de batalha e que leva uma banda a trilhar o desejável caminho do realismo sonoro. E batalha, como sabemos, é algo que nunca faltou a Dave Grohl e seus comandados.
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Único sobrevivente musical do Nirvana, Grohl montou o seu Foo Fighters e um ano após a morte de Kurt Cobain soltou seu 1º trabalho, que levava o singelo nome de... "Foo Fighters". Sem dúvidas, ainda havia muito da sonoridade da antiga banda de Grohl rondando o Foo naquele distante ano de 1995. Essa libertação só viria, obviamente, se a banda persistisse. E não é que os caras continuaram?
Em 2007 – 12 anos depois de Grohl deixar as baquetas do Nirvana e assumir os vocais e as guitarras no Foo Fighters, – chega às nossas mãos o quarto trabalho da banda, "Echoes, Silence, Patience & Grace". Quando aperto o play, sou recebido pelos versos de "The Pretender", que se derramam na voz de Grohl: "Keep you in the dark, you know they all pretend. Keep you in the dark and so it all began". De cara percebe-se que a produção, que ficou a cargo do experiente Gil Norton (Counting Crows; Dashboard Confessional; The Distillers), prezou pela limpeza e realismo nos vocais. Não há nada em termos de sonoridade vocal que não possa ser reproduzido ao vivo, e isso é simplesmente fantástico em um mundo onde Britney Spears e Fergie gravam CDs e fazem shows "ao vivo"! Atrevo-me mesmo a dizer que o Foo Fighters resolveu cortar os excessos (quem já ouviu "Monkey Wrench" sabe bem do tipo de excesso que falo) justamente em nome de um show mais real, musicalmente falando. E isso ao meu ver só conta pontos a favor deles.
Esse sentimento de realismo sonoro também acerta em cheio o restante da banda. Ouça "Come Alive", 5ª faixa do CD e você entenderá: densa, melancólica e bela,"Come Alive" surge toda calcada por violões marcantes, ganhando um belíssimo corpo ao longo de seus cinco minutos de execução - mas sem apelar para elementos surreais. O mesmo se dá com a faixa seguinte, "Stranger Things Have Happened", canção que lembra algo que o lendário Johnny Cash faria: "Goddamn this dusty room, this hazy afternoon". E o que dizer de "Ballad Of The Beaconsfield Miners", com seu violão que nos remete à cadência da música brasileira? Sim, você não leu errado. Música brasileira! O Foo Fighters arriscou um instrumental – curto, é fato - e acertou na mosca! "Ballad Of The Beaconsfield Miners" soa como uma clara referência à música brasileira produzida nos anos 70 por gente como Mutantes, Secos e Molhados e Djavan. Uma viagem, meus caros, uma viagem!
O fato é que ao longo dos mais de cinqüenta minutos de duração do CD, você não encontrará guitarras que parecem descer dos céus; nem vocais entupidos de plugins do Vegas ou Protools; nem baterias que soam como se dez mil braços a espancassem sem dó! O que você ouvirá em "Echoes, Silence, Patience & Grace" é a realidade musical de uma banda com mais de uma década de trabalho, comandada por um cara que hoje poderia viver luxuosamente recebendo royalties por "Nevermind" e "In Útero" mas que prefere permanecer nessa estrada louca e empoeirada que a gente chama de Rock n’ Roll.
Ps: Pra fechar tudo isso, permita que Dave Grohl te conduza ao piano na faixa "Home": "Wish I were with you, but I couldn’t stay. Every direction leads me away".
Echoes, Silence, Patience & Grace (2007 - RCA Records)
1. The Pretender
2. Let It Die
3. Erase/replace
4. Long Road To Ruin
5. Come Alive
6. Stranger Things Have Happened
7. Cheer Up Boys, Your Makeup Is Running
8. Summer's End
9. Ballad Of Beaconsfield Miners
10. Statues
11. But, Honestly
12. Home
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