O álbum que David Gilmour gravou contra a vontade, mas ele não viu outra alternativa
Por Bruce William
Postado em 29 de janeiro de 2024
Apesar de não ter sido um dos fundadores, David Gilmour é associado de forma indissolúvel ao Pink Floyd, banda em que ele ingressou em 1968 e que contava com seu amigo de colégio Syd Barrett, além de Roger Waters, Rick Wright e Nick Mason. Após alguns poucos shows com cinco integrantes, Syd acabou deixando o grupo e Gilmour assumiu o seu lugar.
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Ao longo dos anos, David Gilmour acabou assumindo o controle da banda, que era inicialmente dividido entre ele e Roger Waters, até que este saiu e Gilmour passou a ser a figura central do grupo, em parte graças ao fato de ser um dos principais compositores e também, obviamente, por ser o frontman, tendo assumido o posto de principal vocalista e guitarrista.
Mas além do Floyd, Gilmour também lançou alguns discos solo, o primeiro já em 1978, época em que os atritos na banda estavam começando a se tornar insustentáveis, com Waters forçando cada vez mais a barra no sentido de assumir o controle criativo. E isto gerava, conforme relata a Far Out, uma demora imensa na tomada de decisões em relação a tudo que precisava ser feito, além de atritos na forma como os músicos lidavam com a música.
Tudo começou em meados dos anos setenta, antes de lançar o "Animals", quando a banda passou um bom tempo supervisionando a reforma de um prédio de três andares que seria transformado em um estúdio de gravação, onde eventualmente fizeram o álbum. E após cinco meses de trabalho na obra, Gilmour sentiu necessidade de se testar fora da engrenagem do Floyd e ver se tinha a capacidade de prosperar no mundo solo, além de sair daquele ambiente de estresse que estava se tornando a convivência entre os músicos.
"Não creio que tenha sido uma reação a algum tipo de frustração que eu estava sentindo dentro do Floyd. Se foi por algum motivo, é por eu achar que seria legal ter um grupo de caras em uma sala, ensaiar algumas músicas, tocá-las e lançar um álbum", disse Gilmour para a Uncut ao falar sobre as gravações do álbum solo de 1978 que leva o seu nome, negando em palavras mas admitindo indiretamente que trabalhar com música havia se tornado algo que consumia sua energia e saúde mental, mas a paixão pela arte falou mais alto.
Gilmour possivelmente nunca teria desenvolvido esse sentimento se estivesse mais satisfeito com o rumo que as coisas estavam tomando com a banda, pois conforme entrevista para a Mojo em 2015, ele confessou que nunca se imaginou em uma carreira fora do Floyd: "Não acho que poderia me ver como um artista solo. Talvez fosse preguiça, mas aquela postura política mordaz e ácida adotada por Bob Dylan nunca seria minha especialidade. Eu era um grande fã de Dylan, mas não achava que poderia fazer aquilo sozinho. Eu gostava da ideia de ter uma pequena rede de apoio... mesmo que mais tarde pudéssemos chamar meio que rindo o Pink Floyd de uma rede de apoio", disse Gilmour, deixando claro o quão tóxico o ambiente estava dentro da banda.
"Aquele primeiro álbum solo surgiu da minha frustração com o quanto as coisas estavam se prolongando no Pink Floyd... antes de voltar para outro álbum do Floyd que consumiu ainda mais tempo, 'The Wall'", disse o músico entre risos, e embora admitindo que as discussões sempre fossem por motivos relacionados à música, o comportamento de seu colega de banda ultrapassava os limites das outras pessoas: "A dominação de Roger se tornou um problema. Eu não acho que ele queria conscientemente diminuir as pessoas; ele estava sendo ele mesmo. Às vezes, é difícil perceber o quanto suas características podem machucar outras pessoas", finalizou Gilmour.
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