Wolves In The Throne Room: longe de clichês satanistas
Resenha - Two Hunters - Wolves In The Throne Room
Por Ben Ami Scopinho
Postado em 10 de dezembro de 2007
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Nos dias em que o ser humano que não consome de acordo com a programação das grandes corporações é taxado de alienado ou pobretão, os norte-americanos do Wolves In The Throne Room acabam dando um exemplo inusitado, principalmente se levarmos em consideração que seu país é o representante exato da sociedade de consumo e depredação ambiental. Os caras têm as manhas de viver isolados numa região florestal, cultivar seus vegetais e criar os animais que vão consumir. Não são completamente auto-suficientes, mas os irmãos Nathan (voz e guitarra) e Aaron (bateria) dizem estar chegando lá.

E o que tem a vida particular dos músicos a ver com esta resenha? Tudo a ver, pois esta forte relação com a natureza se estende até suas composições. O Wolves In The Throne Room está chegando a seu segundo disco, "Two Hunter", mantendo a estética do Black Metal ríspido, mas com muita influência da música progressiva, folclórica e letras que retratam os mistérios e a vida selvagem nas florestas. São apenas quatro longas canções que cronometram pouco mais de 46 minutos, com talento de sobra para as experimentações e que soam de forma bem distinta do que se observa por aí.
Nesta música com tantas atmosferas viajantes, o uso de teclados é abundante – embora não excessivamente dominante – e cria as mais fantásticas ambientações em todo o álbum, com arranjos tão simples que vão tomando corpo até abranger uma grande variedade de sonoridades que oscilam do furioso ao suave e introspectivo (de beleza no sentido literal da palavra), extravasando claramente todo o conceito lírico a que a banda se propõe.
O Wolves In The Throne Room interliga instrumentos acústicos, passagens semi-acústicas e momentos extremos com ótimas guitarras que, juntamente com as vocalizações furiosas, mantém todo o aspecto opressivo do Black Metal como o conhecemos tradicionalmente. Não há temor em usar vozes femininas, onde a convidada Jessica Kinney contribui com seu soprano em "Cleansing" e "I Will Lay Down My Bones Among The Rocks And Roots". Aliás, esta última faixa é um monumento de 18 minutos, cuja estrutura combina o Black Metal com o ambiente épico com a maestria de quem optou por viver de forma mais isolada e, como tal, possui alguma dificuldade em se apegar às influências externas.
Harmonioso e violento. Sob certos pontos de vista, a inegável criatividade e o grande sentimento de originalidade apresentado neste disco remetem parcialmente a alguns trabalhos do austríaco Summoning. Mas apenas parcialmente. "Two Hunters" é uma verdadeira jornada musical, inteligente e repleta de sensibilidade, aonde a cada audição vai-se surpreendendo ainda mais ao descobrir novos detalhes ou passagens. Um trabalho totalmente anticomercial e, como tal, recomendado aos que procuram por Black Metal com sonoridades e letras que fogem dos meros clichês satanistas.
Formação:
Rick Dahlin - voz e guitarra
Nathan Weaver - voz e guitarra
Aaron Weaver - bateria
Wolves In The Throne Room - Two Hunters
(2007 / Southern Lord Records - importado)
01. Dia Artio
02. Behold the Vastness And Sorrow
03. Cleansing
04. I Will Lay Down My Bones Among The Rocks And Roots
Homepage: www.wolvesinthethroneroom.com
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
Derrick Green explica por que seu primeiro disco com o Sepultura se chama "Against"
Como é a estrutura empresarial e societária do Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
Metal Hammer coloca último disco do Megadeth entre os melhores da banda no século XXI
Metallica não virá à América do Sul na atual turnê, destaca jornal
A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
Por que David Gilmour é ótimo patrão e Roger Waters é péssimo, segundo ex-músico
A música do Iron Maiden sobre a extinção do Banco de Crédito e Comércio Internacional
Como está sendo a adaptação de Simon Dawson ao Iron Maiden, de acordo com Steve Harris
Como o cabelo de Marty Friedman quase impediu a era de ouro do Megadeth
O guitarrista que usava "pedal demais" para os Rolling Stones; "só toque a porra da guitarra!"
Justin Hawkins (The Darkness) volta a defender críticas feitas a Yungblud
Matt Sorum admite que esperava mais do Velvet Revolver
A canção pop com "virada de bateria" que Ozzy Osbourne achava o máximo da história da música
Bruna Lombardi lembra "fora" que deu em Jon Bon Jovi
O hit da Legião Urbana que Renato Russo considerava "pretensioso e babaca"
Por que Luis Mariutti e Ricardo Confessori saíram do filme do Andre Matos?
Gilby Clarke: Axl Rose nem falava diretamente comigo


Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Anguish Project mergulha no abismo do inconsciente com o técnico e visceral "Mischance Control"
Motorjesus pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em "Streets Of Fire"
Nightwish: Anette faz com que não nos lembremos de Tarja
Megadeth: Mustaine conseguiu; temos o melhor disco em muito tempo



