Wolves In The Throne Room: longe de clichês satanistas

Resenha - Two Hunters - Wolves In The Throne Room

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Por Ben Ami Scopinho
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Nos dias em que o ser humano que não consome de acordo com a programação das grandes corporações é taxado de alienado ou pobretão, os norte-americanos do Wolves In The Throne Room acabam dando um exemplo inusitado, principalmente se levarmos em consideração que seu país é o representante exato da sociedade de consumo e depredação ambiental. Os caras têm as manhas de viver isolados numa região florestal, cultivar seus vegetais e criar os animais que vão consumir. Não são completamente auto-suficientes, mas os irmãos Nathan (voz e guitarra) e Aaron (bateria) dizem estar chegando lá.

E o que tem a vida particular dos músicos a ver com esta resenha? Tudo a ver, pois esta forte relação com a natureza se estende até suas composições. O Wolves In The Throne Room está chegando a seu segundo disco, "Two Hunter", mantendo a estética do Black Metal ríspido, mas com muita influência da música progressiva, folclórica e letras que retratam os mistérios e a vida selvagem nas florestas. São apenas quatro longas canções que cronometram pouco mais de 46 minutos, com talento de sobra para as experimentações e que soam de forma bem distinta do que se observa por aí.

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Nesta música com tantas atmosferas viajantes, o uso de teclados é abundante – embora não excessivamente dominante – e cria as mais fantásticas ambientações em todo o álbum, com arranjos tão simples que vão tomando corpo até abranger uma grande variedade de sonoridades que oscilam do furioso ao suave e introspectivo (de beleza no sentido literal da palavra), extravasando claramente todo o conceito lírico a que a banda se propõe.

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O Wolves In The Throne Room interliga instrumentos acústicos, passagens semi-acústicas e momentos extremos com ótimas guitarras que, juntamente com as vocalizações furiosas, mantém todo o aspecto opressivo do Black Metal como o conhecemos tradicionalmente. Não há temor em usar vozes femininas, onde a convidada Jessica Kinney contribui com seu soprano em "Cleansing" e "I Will Lay Down My Bones Among The Rocks And Roots". Aliás, esta última faixa é um monumento de 18 minutos, cuja estrutura combina o Black Metal com o ambiente épico com a maestria de quem optou por viver de forma mais isolada e, como tal, possui alguma dificuldade em se apegar às influências externas.

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Harmonioso e violento. Sob certos pontos de vista, a inegável criatividade e o grande sentimento de originalidade apresentado neste disco remetem parcialmente a alguns trabalhos do norueguês Burzum ou do austríaco Summoning. Mas apenas parcialmente. "Two Hunters" é uma verdadeira jornada musical, inteligente e repleta de sensibilidade, aonde a cada audição vai-se surpreendendo ainda mais ao descobrir novos detalhes ou passagens. Um trabalho totalmente anticomercial e, como tal, recomendado aos que procuram por Black Metal com sonoridades e letras que fogem dos meros clichês satanistas.

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Formação:
Rick Dahlin - voz e guitarra
Nathan Weaver - voz e guitarra
Aaron Weaver - bateria

Wolves In The Throne Room - Two Hunters
(2007 / Southern Lord Records - importado)

01. Dia Artio
02. Behold the Vastness And Sorrow
03. Cleansing
04. I Will Lay Down My Bones Among The Rocks And Roots

Homepage: www.wolvesinthethroneroom.com




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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