Resenha - Cult is Alive; Too Old Too Cold - Darkthrone
Por Maurício Dehò
Postado em 20 de outubro de 2007
O que esperar de um álbum do Darkthrone? Fora a polêmica sobre nazismo (que não pretendo adentrar nesta resenha, mas que sempre está sendo calorosamente discutida no fórum), realmente só se pode esperar um Black Metal em sua forma mais sombria, crua e agressiva. Mas, além disso, "The Cult is Alive" * apresenta uma grande aproximação com aquele som típico dos anos 80 e de bandas como o Venom, e até do punk, uma influência confessa da banda.
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Toda a parte Black do Metal do duo, formado por Nocturno Culto (voz, guitarra e baixo) e Fenriz (bateria e vocal) começa pela capa, toda escura, como em muitos dos lançamentos dos noruegueses, e sempre polêmica. Quanto ao som, pode-se dizer até difícil de ser acompanhado por aqueles que se acostumaram aos novos padrões do Black Metal, como os criados pelo Dimmu Borgir.
O Darkthrone mostra, na verdade, o lado mais cru do gênero, com uma produção extra suja e barulhenta, músicas que soam despojadas e tudo parecendo ser feito propositadamente desta maneira. Sim, isso é o que se costuma chamar de "True Norwegian Black Metal", mas realmente vale a pena? (Claro que a resposta é dos próprios fãs e ouvintes!)
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Entre os destaques encontram-se faixas como "Too Old Too Cold" – que reaparece no EP, mais ao fim – e parece já dar uma palhinha da quebradeira que seria assistir a um show desses caras - e "Graveyard Slut", com uma levada bem punk e o batera Fenriz mandando nos vocais. Sua voz é muito diferente, mais grave e menos Black, mas que dá um groove diferente às faixas. Há ainda outras como "Whiskey Funeral", intense e um dos momentos mais ligados ao passado do grupo.
No EP, a dupla apostou em uma participação especial, com Grutle Kjellson (vocal e baixo no Enslaved) na boa "High on Cold War", e no até engraçado cover de "Love in a Void", de Siouxie and the Banshees (banda britânica punk/gótica), com Fenriz fazendo os vocais, pra lá de estranhos. O único negativo é que "Too Old Too Cold" e "Graveyard Slut" reaparecem, sem qualquer diferença para a versão anterior (do CD), o que implica numa perda de tempo.
No fim, A melhor definição de "The Cult is Alive" é do próprio baterista Fenriz, que disse o seguinte à época do lançamento, ainda em 2005: "Chame este som de Black Metal ou Evil Rock, não importa a diferença". Para falar a verdade, ele até definiu mais especificamente: "Provavelmente soa algo como o encontro do Motorhead com o Hellhammer em um Crust Punk/Necrothrash". Entendeu?
Enfim, fãs de Darkthrone e/ou o Black Metal em sua forma mais tradicional (ou TRUE!), vale a pena ouvir este lançamento. Para quem não é tão fã da crueza dos noruegueses, melhor passar adiante.
* Apesar dos 20 anos de banda, com "The Cult is Alive", os noruegueses entraram pela primeira vez nas paradas do país, estreando na 11ª posição.
(N. do R.: A banda lança no fim deste ano o novo álbum de estúdio, "F.O.A.D." – ou simplesmente "Fuck Off or Die" –, que foi precedido, no meio do ano, pelo EP NWOBHM, cujo nome quer dizer "New Wave of Black Heavy Metal", uma brincadeira com o movimento do início da década de 80, New Wave of British Heavy Metal.
Track List:
1. "The Cult of Goliath"
2. "Too Old, Too Cold"
3. "Atomic Coming"
4. "Graveyard Slut"
5. "Underdogs and Overlords"
6. "Whiskey Funeral"
7. "De underjordiske (Ælia capitolina)"
8. "Tyster På Gud"
9. "Shut Up"
10. "Forebyggende Krig"
EP (bonus):
11. "Too Old Too Cold"
12. "High on Cold War"
13. "Love in a Void"
14. "Graveyard Slut"
Formação:
Nocturno Culto - voz, guitarra e baixo
Fenriz – bateria e vocal
Lançamento Nacional – Black Metal Attack Records
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