Kamelot: Andrew Lloyd Webber Metal
Resenha - Ghost Opera - Kamelot
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 30 de agosto de 2007
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Conversando com alguns amigos, todos fãs de heavy metal, e dando uma olhada em diversos fóruns/comunidades dedicados ao gênero, fiquei tranqüilo ao perceber que não fui o único que se surpreendeu tão positivamente com "Black Halo", abrindo de uma vez os olhos para o real potencial dos estadunidenses do Kamelot e percebendo-os de fato. Seu sucessor, "Ghost Opera", é uma produção requintada e impecável, que mantém o estilo e a grandiosidade do anterior – e que marca a ferro e fogo, de uma vez por todas, o seu merecido espaço no cenário metálico mundial.
Kamelot - Mais Novidades
Em entrevista concedida a este que vos escreve no portal AOL.com.br, o tecladista da banda italiana Rhapsody (of Fire), Alex Starapoli, descreveu o tipo de som que eles fazem como sendo "film score metal" – ou, em tradução literal, "metal trilha sonora de filme". Aquele tipo de heavy metal que lembra claramente as trilhas épicas de peliculas como "O Senhor dos Anéis" ou "As Crônicas de Nárnia". Pegando carona neste formato de nomenclatura, por mais bizarro e fora de contexto que ele pareça, só consigo descrever o tipo de sonoridade praticado pelo Kamelot em seus últimos dois discos como sendo "Andrew Lloyd Webber Metal". E isso é um baita dum elogio, acredite em mim (embora saiba que alguns devam xingar meus parentes mais próximos, mas isso faz parte da profissão).
Se, logo na primeira audição de "Black Halo", já tive a impressão de estar ouvindo uma espécie de "musical acompanhado por uma banda de heavy metal", a coisa ganha proporções ainda mais interessantes neste "Ghost Opera". A límpida e cristalina (porém agressiva) voz de Roy Khan, acompanhando as melodias intrincadas do guitarrista Thomas Youngblood, parece estar sempre interpretando um personagem em uma espécie de diálogo cantado. A teatralidade inerente a esta nova proposta sonora do Kamelot os torna muito mais uma "metal opera", pelo menos conceitualmente, do que um "Avantasia", por exemplo (e olha que eu gosto deveras do projeto solo de Tobias "Edguy" Sammet).
Distantes do que se esperaria de rótulos como speed metal, power metal ou metal melódico (você consegue dizer a diferença com precisão, sem pensar duas vezes?), estes músicos da Flórida praticamente desenvolveram um novo sub-gênero dentro do universo metal.
Depois da pequena e soturna introdução "Solitaire", com seu violino triste e solitário (com o perdão do trocadilho previsível), o Kamelot abre a bolacha com a cadência de "Rule The World" e suas guitarras distorcidas, seguida imediatamente pela ótima faixa-título - rápida, furiosa, pesada e ao mesmo tempo repleta de sutileza e dramaticidade tamanhas que, no refrão, imagina-se claramente o frontman, com roupas cheias de babados, cantando e fazendo gestos interpretativos para uma repleta platéia do século XIX pedindo bis. O Fantasma da Ópera não faria melhor.
Apesar de todo o refinamento, não me entenda mal e vá pensando que o Kamelot afinou. A crueza do heavy metal está sempre lá, bem potente e presente, bateria cheia de testosterona em ação, guitarras berrando alto, baixo com forma e tamanho - basta ouvir a cozinha de "Up Through The Ashes", o solo de guitarra de "EdenEcho" ou a introdução de "Silence Of The Darkness", espécie de continuação direta de "When The Lights Go Down" em tema e também na combinação sonora.
Mas a diferença é que este heavy metal de "Ghost Opera" está sempre devidamente temperado com algum tipo de experimentação. Que tal os corais de "The Human Stain", a aspiração gregoriana/new age de "Mourning Star", os vocais femininos líricos misturados à demoníaca voz eletrônica em "Blücher", as cordas de inspiração asiática de "Love You To Death", o tristonho piano clássico e a verdadeira orquestra de "Anthem"...? Espere de tudo em "Ghost Opera", menos o óbvio.
Talvez esta nova proposta sonora que o Kamelot adotou desde "Black Halo", uma espécie de virada na carreira dos caras, não agrade totalmente aos que estavam acostumados com o tipo de música que eles faziam no início de sua discografia. Perfeitamente normal. Mas o fato é que, cada vez mais, a banda se distancia de tantas e outras contemporâneas com as quais era freqüentemente comparada, formando a sua própria cara sem medo de experimentar e seguir por direções até então inexploradas. A palavra é "evolução", e já usei a danada muitas vezes por aqui. Só por isso, eles já mereceriam meus parabéns.
Line-Up:
Roy Khan - Vocal
Thomas Youngblood - Guitarra
Glenn Barry - Baixa
Casey Grillo - Bateria
Oliver Palotai – Teclado
Tracklist:
1. Solitaire
2. Rule The World
3. Ghost Opera
4. The Human Stain
5. Blücher
6. Love You To Death
7. Up Through The Ashes
8. Mourning Star
9. Silence Of The Darkness
10. Anthem
11. EdenEcho
Outras resenhas de Ghost Opera - Kamelot
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Os 10 melhores discos do thrash metal, de acordo com a Kerrang!
Floor Jansen garante que novo álbum solo é mais metal que o Nightwish
Os melhores álbuns de metal lançados em 1986, segundo Gastão Moreira
Nicko McBrain destruiu camarim por ter se decepcionado com atuação de Blaze em show do Maiden
O rockstar que Ozzy Osbourne considerava o "meu Deus do rock"
O álbum mais subestimado do Led Zeppelin, segundo Robert Plant: "Um dos nossos melhores"
Cantora canadense Sass Jordan morre aos 63 anos
O erro que James Hetfield admite ter cometido com Jason Newsted no Metallica
A banda que tentou trabalhar com Kurt Cobain, mas ele mal conseguia parar em pé
O disco solo que Roger Waters coloca no mesmo nível dos maiores clássicos do Pink Floyd
Eleições 2026: e se os astros do metal disputassem todos os cargos?
"Ed Sheeran não é uma vítima", diz Tom Morello sobre recente polêmica
Causa da morte de Phil Campbell, guitarrista do Motörhead, é revelada
A categórica resposta de Regis Tadeu sobre se há álbum brasileiro clássico de rock pós-2000
O desafio que Cazuza fez Paulo Ricardo cumprir para provar que não tinha medo de sua AIDS
O artista novo que impressionou Paulo Ricardo: "Não adianta eu querer brincar com isso"
A curiosa maneira como Rafael Bittencourt identifica quem é músico na plateia do Angra
O cantor forte e bonitão de power metal que foi bombeiro por 20 anos
O cantor de power metal que aprendeu a cantar metal com Mariah Carey
Loudwire coloca álbum do Angra como "melhor álbum de progpower" da história
Kamelot lança "Dark Asylum", seu novo disco de estúdio
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível



