Wilco: caminho mais simples para o futuro

Resenha - Sky Blue Sky - Wilco

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Por Ricardo Seelig
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Nota: 10


"Tá ouvindo Beatles?". Não foram uma, nem duas, nem três pessoas que me perguntaram isso. Bastava eu dar play no novo disco do Wilco para vários amigos lembrarem, na hora, do quarteto de Liverpool. Mas "Sky Blue Sky", sexto álbum do americanos, não é só isso (como se "só isso" fosse pouco ...).

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Dizer que este novo trabalho representa uma volta às raízes da banda não é correto. Ainda que em "Sky Blue Sky" não existam resquícios dos experimentalismos presentes aos montes nos dois últimos discos do grupo ("Yankee Hotel Foxtrot", de 2002, e "A Ghost Is Born", de 2004), o caminho mais simples tomado por Jeff Tweedy e seus companheiros no novo álbum parece apontar mais para o futuro do que para uma retomada das suas raízes sonoras.

Aquele som, rotulado como "alt country", presente nos três primeiros registros da banda ("A.M.", "Beign There" e "Summerteeth"), ficou para trás, faz parte do passado. A simplicidade das canções de "Sky Blue Sky" segue outra linha. É claro que a maior influência da banda, o onipresente Neil Young, se faz notar em vários momentos, principalmente nos belos solos de guitarra, mas agora o bardo canadenses ganha novas companhias. As mais evidentes são os já citados Beatles, Steely Dan, a carreira solo de Paul McCartney e o John Lennon fase "Mind Games".

As doces melodias, grudentas e agradáveis, vêm carregadas com um forte sabor setentista. "Shake It Off" e "You Are My Face" pagam tributo a Lennon. A presença de McCartney pode ser ouvida em "Walken" e na doce "Please Be Patient With Me". A abertura do disco, com a melancólica "Either Way", faz qualquer pessoa que possui um coração sorrir.

A grande música de "Sky Blue Sky" atende pelo nome de "Impossible Germany". Como já havia feito com "Jesus etc", de "Yankee Hotel Foxtrot", e com "Hummingbird", de "A Ghost Is Born", Jeff Tweedy mostra enorme talento como compositor, construindo uma canção simples, mas mesmo assim repleta de detalhes e nuances. Linhas vocais calmas, um melodia inspiradora, e solos de guitarra que expressam amores vividos, corações partidos e olhares apaixonados.

Outros pontos altos do álbum são as lindas acústicas "Sky Blue Sky" e "What Light" (essa última totalmente Beatles), as baladaças "Hate It Here" e "Leave Me (Like You Found Me)" e o encerramento, com a emocional "On And On And On".

"Sky Blue Sky" não é, como eu já disse antes, tão experimental quanto "Yankee Hotel Foxtrot", mas isso não diminui seu valor, muito pelo contrário. Ele é um álbum muito mais audível, que resgata o sentido do termo "pop music", tão mal usado ultimamente. "Sky Blue Sky" tem um ar e uma sonoridade que nos passam a sensação de que estamos ouvindo um trabalho gravado, por exemplo, em 1971.

Um disco esplêndido, de uma das melhores bandas dos últimos dez anos, e com certeza um dos grandes álbuns de 2007.

Faixas:

1. Either Way
2. You Are My Fase
3. Impossible Germany
4. Sky Blue Sky
5. Side With The Seeds
6. Shake It Off
7. Please Be Patient With Me
8. Hate It Here
9. Leave Me (Like You Found Me)
10. Walken
11. What Light
12. On And On And On


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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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