Resenha - Shades of Deep Purple - Deep Purple

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Por Samuel Witt
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O primeiro disco de uma banda sempre apresenta a gênese da criatividade de seus integrantes. É nestes, que realmente se percebe a proposta dos músicos no interpretar de suas criações, antes que estereótipos ou produtores milionários ponham a mão e alterem os acordes criados. O DEEP PURPLE começou sua carreira nestas circunstâncias.

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Quando Shades of Deep Purple foi lançado, no longínquo ano de 1968, pouco ou nada se sabia do que aqueles cinco rapazes eram capazes. Nenhum deles havia vindo de alguma banda consagrada ou tivera sua cara estampada num jornal londrino. Shades of Deep Purple mostra o embrião do que o Purple viria a ser anos mais tarde: uma das maiores bandas de rock & roll do mundo. Mostra a essência de um estilo que marca suas músicas até hoje: poderosos riffs. Mostra um guitarrista desenvolvendo o próprio bê-á-bá de seu instrumento, e que hoje é influencia direta de qualquer aprendiz do rock: Ritchie Blackmore. Mostra um tecladista já maduro e consciente da importância de seu instrumento na sonoridade da banda: Jon Lord. E, também, mas não menos importante, mostra Ian Paice dando uma aula de técnica nas baquetas em seus contemporâneos, Nic Simper mantendo o ritmo marcante das músicas em seu baixo e Rod Evans exibindo seu vocal melodicamente trabalhado, porém sem os gritos histéricos de seu sucessor (Ian Gillan) na banda.

Estes eram os "Deep Purples" originais. Os caras que faziam da música uma arte verdadeira e elaborada. As lindas melodias presentes nas músicas de Shades foram únicas e nunca mais atingidas com o mesmo amor e entusiasmo pela banda. Não querendo desmerecer, muito pelo contrário, os outros álbuns gravados por esta formação (The Book Of Taleisyn e April) e os primeiros da fase Gillan (e muito mais conhecidos), mas músicas como One More Rainy Day e Mandrake Root são incomparáveis. A primeira é, sem dúvida nenhuma, a mais bela balada que a banda já gravou. As linhas de teclado simplesmente fazem o ouvinte se sentir flutuando em um lindo dia de chuva, claro e de clima ameno. Os vocais resplandecem a beleza harmônica existente, unindo o sentimento de alegria ao de tristeza, o do riso ao do choro. A segunda é diferente: pesada e dá destaque a Blackmore, que exibe um riff bastante coeso e forte. Uma leve influencia do mestre dos riffs Jimi Hendrix, vivo, é claro, na época, e das linhas de teclado, estilo Doors, que fazem desta canção algo magistral.

Mas não são apenas estas duas músicas que se destacam no álbum. And the Address (que abre o disco) é um número instrumental de absoluta competência e virtuosismo. O riff é perfeito, a bateria é marcante e o teclado é alto o bastante para se destacar. Depois vem a clássica, e até hoje tocada nos shows, Hush (cover de Joe South), que mostra Rod Evans aplicando sua técnica vocal ao máximo (algo não percebido na versão gravada com Gillan em 1988). Ainda no primeiro lado do vinil, um Medley das músicas Happiness e I’m So Glad. Simplesmente perfeito. No segundo lado, a coisa fica mais amena, pois não houve uma inovação criativa como no primeiro. Das quatro músicas, duas são cover de canções que já eram sucesso e de artistas consagrados: Bealtes e Jimi Hendrix. Dos caras de Liverpool, o Purple recriou Help, numa versão lenta e melancólica, porém tocante. Do Hendrix, "coverizaram" Hey Joe, que ficou parecida com a original. Ainda neste lado, tem Mandrake Root (citada acima) e Love Help Me, um rock sessentista tradicional inspirado em sua verdadeira origem: Bealtes e Stones.

Fica claro que esta formação do Purple nunca fez tanto sucesso entre os fãs do rock como as seguintes, com Gillan e depois Coverdale, nos vocais. Mas se compararmos os quesitos melodia, técnica e beleza de acordes, esta nunca foi igualada.

Samuel Witt - www.thinkimcrazy.blogger.com.br

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