Resenha - Eppur Si Muove - Haggard

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Por Sílvio Costa
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Eu já havia comentado sobre o primeiro trabalho do Haggard aqui no Whiplash há algum tempo. O que mais havia chamado minha atenção para essa genial banda alemã era o fato de que eles, ao mesmo tempo em que fazem algo absolutamente corriqueiro no mundo da música pesada (acrescentar elementos de música erudita ao seu som), são simplesmente uma banda sem precedentes. A nova formação conta com dezesseis músicos, reunidos para contar a história de Galileu Galilei e a sua saga para fugir das garras do Tribunal do Santo Ofício. O título é uma alusão à frase que Galileu teria, supostamente, pronunciado após renunciar suas convicções científicas em favor do fixismo adotado pela Igreja Católica (“contudo, se move”).
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Novamente, o grande destaque são os vocais. São quatro cantores, que variam do épico ao gutural, passando pelo canto lírico operístico numa alternância que invariavelmente pega o ouvinte de surpresa. O grande destaque nesse sentido é o iraniano Asis Nasseri, que além de ser o mentor da banda, é o responsável pelos mais incríveis vocais guturais que eu já ouvi. A inteligência com que essa variabilidade é explorada impressiona o ouvinte e ajuda a tornar a experiência de ouvir o Haggard realmente inesquecível.

O Haggard cresceu muito como um conjunto apesar das inevitáveis mudanças de formação. Nada menos que 12 integrantes deixaram a banda desde o álbum anterior, Awakening the Centuries, de 2000. É muito difícil comentar com brevidade um álbum tão complexo quanto esse. Apesar disso, a uniformidade é alcançada, sobretudo, na exploração da vertente clássica. Vai muito além do mero acréscimo de instrumentos clássicos à música. É indispensável a presença de oboés, violinos, violas e toda a parafernália utilizada pela banda. Mesmo nas músicas mais rápidas. “Of a Might Divine” resume bem isso. É a música mais rápida de Eppur si Muove, mas não prescinde de violinos muito melódicos e uma sessão de sopro lindíssima. O Haggard é inexplicável justamente por isso. As faixas mais rápidas são justamente as que mais deixam transparecer a necessidade da linha clássica da música. Ouça e tente não se emocionar com os belos vocais femininos de “Herr Manneling”, uma matadora versão para uma tradicional canção alemã. Numa palavra: perfeito.

Uma outra coisa que eu não posso deixar de comentar é a inteligência da banda na hora de explorar a temática. Esse é o terceiro disco de estúdio e, a exemplo dos outros dois, também é conceitual. Os recursos utilizados para contar a história de Galileu são os mais diversos. Além da óbvia potência sonora proporcionada por uma orquestra metálica, o Haggard utiliza-se de pelo menos quatro idiomas para narrar a história (latim, inglês, italiano e alemão).

A versão brasileira desse CD (finalmente alguém ouviu minhas preces) vem com o DVD bônus lançado na Europa e traz a apresentação deles no Wacken Open Air de 1998 (note a platéia. Todos estão boquiabertos!) e o vídeo promocional de In a Pale Moon Shadow, do álbum And Thou shalt trust...the seer. Vale o investimento.

http://www.hellion.com.br
http://www.haggard.de

(Hellion records)

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Sobre Sílvio Costa

Formado em Direito e tentando novos caminhos agora no curso de História, Sílvio Costa é fanzineiro desde 1994. Começou a colaborar com o Whiplash postando reviews como usuário, mas com o tempo foi tomando gosto por escrever e espera um dia aprender como se faz isso. Já colaborou com algumas revistas e sites especializados em rock e heavy metal, mas tem o Whiplash no coração (sem demagogia, mas quem sabe assim o JPA me manda mais promos...). Amante de heavy metal há 15 anos, gosta de ser qualificado como eclético, mesmo que isto signifique ter que ouvir um pouco de Poison para diminuir o zumbido no ouvido depois de altas doses de metal extremo.

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