Resenha - Madrigal of Sorrow - Sad Theory
Por Raphael Crespo
Postado em 18 de julho de 2004
O heavy metal é perfeito para um moleque pré-adolescente que, ainda no período de formação de sua personalidade, quer chocar parentes e amigos mais caretas e convencionais. Nada mais ''rebelde sem causa'' do que, aos 13 anos de idade, por exemplo, chegar em casa com o disco The number of the beast, do Iron Maiden, e mostrar para a vovó enquanto ela reza o terço. Falar sobre o ''capeta'' em letras quase infantis é algo recorrente em milhares de ótimas bandas do estilo. Mas há outras que se preocupam mais na elaboração de suas letras, tanto quanto no som. O Sad Theory, uma banda relativamente nova, de Curitiba, é uma delas, chegando ao ponto de fazer seu novo álbum, A madrigal of sorrow, de forma conceitual e totalmente baseado no livro As flores do mal, do maldito poeta francês Charles Baudelaire.

A madrigal of sorrow é o segundo álbum da banda curitibana, que surgiu em 1998, pelas mãos baixista Carlos Machado e pelo guitarrista Juan Viacava. Formado em letras, Carlos sempre buscou levar as letras da banda para um lado erudito, sob influência de autores como Lord Byron, Victor Hugo, Augusto dos Anjos e o próprio Baudelaire. Além do background literário de Carlos, a banda ainda conta com dois graduados na Universidade Federal do Paraná (UFPR): Juan e o vocalista Claudio Rovel, ambos formados em história.
Em pouco tempo, o Sad Theory - que tem ainda em sua formação Alison Schlichting na bateria e o convidado Alysson Irala na segunda guitarra - ganhou nome e abriu shows em Curitiba de grandes bandas do metal atual, como Nevermore, Blaze Bayley (ex-vocalista do Iron Maiden) e os nacionais do Krisiun, antes mesmo do lançamento de seu primeiro álbum completo, A madrigal of sorrowThe lady & the torch, de 2002.
O estilo de som da banda pode ser enquadrado em diversos nichos do heavy metal. Ao mesmo tempo em que Juan Viacava e Alysson Irala dão um toque mais tradicional com as guitarras, a voz gutural de Claudio deixa a banda próxima do death metal. Na maior parte do tempo, as músicas têm uma levada mais puxada para o doom metal, mais arrastado, e extremamente pesado.
A banda já diz a que veio logo faixa-título, que abre o CD, com uma bela introdução de piano antes do início da pancadaria. O bom gosto nas composições e nas letras é a principal qualidade deste disco. Há sempre algum piano ou um violão intercalados com o peso das guitarras e da bateria de bumbo duplo. O álbum tem uma bela faixa interativa, com o clipe da pesadíssima Pain poisons soul, que conta, no meio, com o baixista Carlos Machado declamando o poema Madrigal, de sua autoria. Ele assume os vocais também na bela balada Blinding sun, que fecha um grande trabalho de mais uma boa promessa do metal nacional.
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