Resenha - Exile On Main Street - Rolling Stones
Por Marcelo Shaw
Postado em 02 de julho de 2004
"Um retorno à rua principal"
Em 1972, saiu pela Rolling Stones Records "O" disco desta, que sempre foi, a maior banda de rock do mundo. "Exile on main St." é uma viagem a algo nunca antes visto, e que, provavelmente, nunca mais será visto. Na época das gravações desse disco, os Stones tiveram o ápice do seu consumo de drogas, alguns estavam num processo de autodestruição, outros, no momento mais alto de sua criatividade. Sim, as drogas tiveram duas faces na história dessa banda.
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Mick Taylor, pródigo guitarrista, teve seu nome creditado em uma canção, "Ventilator Blues". Falando de Mick Taylor, esse foi o primeiro CD dos Stones que ele trabalhou do começo ao fim, os anteriores ("Let It Bleed" e "Sticky Fingers"), tiveram músicas tiradas de antigas seções, e ele se sai muito bem, mostrando que podia ser um rolling stone.
"EOMS" começa com "Rocks off", a melhor de todo CD, e segue com "Rip this joint", que mantém o clima iniciado na primeira faixa. "Shake your hips" muda um pouco a atmosfera, mas não faz cair à qualidade. "Casino boogie" tem um ritmo interessante, mas, definitivamente, não é um destaque. "Tumbling dice" é uma pérola! Algo indescritível, que só se sabe o que é ouvindo, com os melhores vocais de todo CD
Entramos em uma parte acústica do "Exile". "Sweet Virginia", "Torn and frayed" e "Sweet black Angel" são as que temos, todas as três muito boas, com destaque para especial para "Sweet Virginia". "Loving Cup" é uma excelente balada. Imaginar que vai ficar naquilo, baladas, é algo normal. Mas "Happy" muda tudo, e se assemelha mais com "Tumbling dice". "Turd on the run" é um saco, a pior do disco. Mas tudo bem, porque logo depois vem a já citada "Ventilator blues", que é uma maravilha. A bateria de Watts nessa música da um peso especial, e, como sempre, abusa da precisão.
"Just want to see his face" tem um balanço especial, mas foi muito mal trabalhada, estragando o que podia ser mais um destaque, caiu na mediocridade. "Let it loose" é mais uma balada, mas não é safada, nem grudenta (Algo que os bons moços viriam a fazer depois da saída de Taylor, pra infelicidade geral). "All down the line" tem um fato "curioso". No lançamento original, creditava Bill Plummer como responsável pelo baixo, mas, Bill Wyman diz ser de sua autoria o baixo que ouvimos nessa musica.
"Stop breaking down" é uma música de Robert Johnson, com uma guitarrinha muito boa, cortesia de Mick Taylor. "Shine a light" é um... Gospel! Estranho? Não, perfeito, isso sim. "Soul survivor" encerra o álbum com perfeição, típico dos Garotos, já dando uma pista do que viria por ai ("Goats Head Soup").
"Exile on main St." foi lançado originalmente como disco duplo, mas hoje sai como CD simples. Simples? Nunca! "EOMS" beira a perfeição, e o limite da música. Mick Jagger está cantando demais, outro Mick, o Taylor, contribui discretamente, mas sua ajuda foi essencial. Bill e Charlie, quase nunca lembrados, também se destacam, pelo menos, Bill nas faixas que toca. Keith Richards... Como sempre, esculacha na guitarra, e faz a parte musical. Insuperável! Você já tem? Claro, porque é um fã, senão não teria lido esse review...
Rolling Stones:
Mick Jagger: Vocal e guitarra
Keith Richards: Guitarra, backing vocal e vocal em "Happy"
Mick Taylor: Guitarra e baixo
Bill Wyman: baixo
Charlie Watts: bateria
Tocaram também:
Nicky Hopkins, Billy Preston, Ian Stewart, Bobby Keys, Jim Price, Bill Plummer, Al Perkins.
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