Resenha - Hard Candy - Counting Crows
Por Bruno Coelho
Postado em 26 de maio de 2004
Nota: 8 ![]()
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Eu sei que 2002 já se foi e chegamos a 2004 já tem um tempinho também, mas como este disco é uma aquisição recente estou resenhando agora. O companheiro de Whiplash, Rodrigo Simas, já fez uma resenha para este disco e a recomendo profundamente pois sua visão e crítica são bastante aguçadas e talvez menos tendeciosas que as minhas. O Counting Crows já lançou outro álbum, uma coletânea, em novembro de 2003 então este aqui ainda é o último lançamento com composições novas da banda.

Enfim, Hard Candy é o nome deste disco do Counting Crows. Todos conhecemos a banda graças à mais que estourada e ainda tocada "Mr. Jones". Ao olhar para a estrada de dez anos dessa banda norte-americana de pop rock notamos que esquecemos dela depois que "Mr. Jones" teve sua execução reduzida em solo tupiniquim. O Counting Crows poderia até ser mais uma banda de uma música só... mas não é. -"Ué? Não é?" Não, não é! Assim como o Los Hermanos não compôs apenas "Ana Júlia". E a analogia serve precisamente neste caso. O grande público conhece Los Hermanas apenas pela famigerada "Ana Júlia", quando a banda tem um leque extenso de músicas extremamente bem trabalhadas e belíssimas.
Assim como não devemos confundir Los Hermanos com LS Jack, não devemos confundir Counting Crows com The Calling nem com qualquer uma das colossais baboseiras americanas feitas para vender. Devemos encaixá-los no time das bandas que fazem pop-rock de qualidade como Dave Matthews Band, Blues Traveler, Ben Harper, o falecido Jeff Buckley, Pearl Jam... Ok, ok... a sonoridade destas bandas é um pouco diferente uma da outra, mesmo assim todas são de grande qualidade musical - o que é raro no terreno pop americano. O Counting Crows está no time das bandas de pop-rock americanas que devem ser lembradas nos livros de história da música pop. O responsável por este fato tem um nome: Adam F. Duritz.
O vocalista da banda vai além da simples técnica vocal precisa, correta e emocional. Você pode até achar o cara normal, com uma voz normal. Escute com mais atenção! Não é quem grita mais que canta mais meu irmão! O refinamento das contraposições piano/guitarra/voz chega por vezes a impressionar pela segurança do rapaz ao encaixar linhas vocais variadas sobre bases retas. Uma prova antiga disto é "Round Here", do primeiro disco da banda. Já neste Hard Candy ele mostra pouco este talento, talvez nas faixas "Why Should You Come When I Call?" e "Carriage" o potencial fique de certa forma mais explícito.
Voltando ao assunto anterior - o sumiço do Counting Crows dos ouvidos da Terra Brasilis - podemos atribuir seu sumiço também ao fato de que seus discos não são daqueles que agradam de primeira. A audição dos discos do Counting Crows deve ser feita de forma repetida até que as sutilezas de cada canção sejam internalizadas. Tanto "August and Everything After", "Recovering The Satellites" e, principalmente, "This Desert Life" quanto "Hard Candy" são álbuns a serem apreciados maduramente apenas com o tempo.
Quanto às faixas, é fácil destacar "Hard Candy", "American Girls" (que conta com vocais de Sheryl Xarope Crow), "Good Time", "Goonight L.A.", "Miami", "Up All Night" (a melhor de todas), "Holiday In Spain", "4 White Stallions" e a última e escondida faixa do álbum (o nome da faixa não está no encarte ou no site oficial).
Destaquei muitas faixas? Mas é isso mesmo, amigo. Posso destacar algumas dentre os destaques - como as quatro últimas - que são minhas favoritas, mas todas as citadas merecem seu destaque. O álbum soa homogêneo mas é bastante variado em termos de estilos musicais abordados ou utilizados como referência. Temos referências desde grandes bandas e seus órgãos Hammond (como em Why Should You Come When I call? e Up All Night) até guitarrinhas Blues (Good Night L.A.) e atmosféricas (Butterfly in Reverse). Nota-se um pouco de surf music em "New Frontier" e nos violões da faixa escondida e um arzinho folk music por todo álbum, além de outras mil referências.
Um álbum leve, divertido, emocional, bem trabalhado em sua simplicidade e muito bem arranjado e produzido em seu lado mais complexo. Você pode tê-lo, caso goste dos grupos que já citei: Dave Matthews Band, Ben Harper... ou não tê-lo caso só goste de rock pesado. Mas se quiser comprar um único disco de pop rock pra dar de presente ou ter na coleção não deixe de escolher este. Com certeza não é o maior álbum da banda, mas ainda assim um ótimo trabalho!
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