Resenha - Dance Of Death - Iron Maiden

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Por Ari Santa Lucia Jr.
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Difícil escrever sobre o Iron Maiden, ainda mais quando se trata de um disco novo. A banda é uma religião no Brasil e desde que comecei a escrever no Whiplash recebo pelo menos um e-mail por semana pedindo notícias.
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Ouvindo o álbum novo só dá pra constatar uma coisa: o Iron continua imbatível!

Inesperadamente a banda resolveu explorar um lado perigoso e experimentou um pouco nesse cd, o que é uma grata surpresa. Mas não pense que o Maiden mudou, muito pelo contrário. O som é o de sempre, só que há elementos novos.

Tudo bem que aquelas introduções à la “X Factor” continuam lá (fazer o quê...), assim como o terrível timbre de guitarra de Janick Gers, mas as músicas compensam tudo isso.

Sem dúvida o destaque desse cd é Adrian Smith. O maior guitarrista vivo de metal dá uma aula, já que é o responsável pelos melhores arranjos e pelo peso das guitarras (como é bom ouvi-las novamente). Bruce Dickinson também continua um monstro, o que não pode-se dizer de Janick e Nicko. O primeiro é um bom compositor, mas como guitarrista...

Já Nicko continua o mesmo, mas precisa se modernizar, já que suas batidas são sempre as mesmas. Esse álbum poderia ser diferente se ele tentasse coisas novas.

O CD começa mal, com o primeiro single “Wildest Dreams”, que até alguns fanáticos pela banda não gostaram. Alegre demais, é um hard rock sem-vergonha feito pra tocar nas rádios, que ainda bem não reflete o resto do trabalho.

“Rainmaker” vem logo em seguida e arrebenta com tudo. Talvez seja a melhor música do álbum, direta, sem frescura, beirando os quatro minutos, com um riff matador, assim como o refrão. “No More Lies” tem uma letra legal, é grandona (mais de sete minutos) e apesar do começo desanimador, termina como uma locomotiva (já dá pra imaginar o público cantando o refrão aqui no Brasil).

“Montsegur” vai deixar muitos fãs com lágrimas nos olhos, pois tudo lembra a saudosa época dos clássicos “Piece Of Mind” e “Powerslave”. “New Frontier” vai na mesma linha, mas o que chama a atenção mesmo é a faixa-título, outra que beira os oito minutos, sendo épica lembrando “Fear of the Dark”.

“Gates Of Tomorrow” é a pior de todas. A banda já fez essa mesma música pelo menos duas vezes. Janick Gers compôs o mesmo riff de “From Here To Eternity” (de novo!) e Nicko parece tocar bateria com preguiça. Na boa, ela não serve nem pra labo B de single.

Até aí tudo bem, é o Iron de sempre, mas em seguida vem um Iron Maiden que pouca gente conhecia. “Paschandale” é uma das composições mais ousadas e complexas do grupo. Fica até difícil descrever, mas a integração é perfeita nos arranjos nada convencionais e no rítimo quebrado.

Nesse trabalho os caras abusaram dos teclados, como em “Face in The Sand”, outro belo momento do cd que é de arrepiar. Já “Journeyman” é quase toda acústica, coisa que nenhum fã poderia imaginar que a banda faria algum dia.

“Dance Of Death” já nasceu clássico e traz uma banda preocupada em progredir dentro do seu estilo e acertando em cheio. Não é à toa que o Iron é a maior banda de metal no mundo, pois não fez a besteira de virar paródia de si mesmo como aconteceu com o Metallica, que caiu no ridículo.

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