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Iron Maiden: Berço de clássicos em Dance Of Death

Resenha - Dance Of Death - Iron Maiden

Por Rodrigo Contrera
Postado em 30 de novembro de 2016

Se Brave New World não me animou nem um pouco quando surgiu (lembro-me de tê-lo ouvido numa Livraria Cultura e não gostado), Dance of Death a meu ver marca um recomeço triunfante na carreira do Iron, de novo com Bruce, e merece um lugar de destaque nessa leva de novos clássicos que a Donzela soube como ninguém entronizar. Aqui tentarei fazer jus ao álbum, linkando para vídeos e áudios do YouTube para quem quiser curtir enquanto lê o texto, que como sempre - no meu caso - é longo.

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Wildest Dreams

Curioso como me lembro de quando ouvi esta música pela primeira vez. Eu estava no quarto que minha esposa e eu havíamos determinado para mim mesmo. Eu ouvia bastante satisfeito, e ela me deixava à vontade. Curioso, contudo, como esta música passa uma impressão de liberdade que na época eu não experimentava. Não adiantava que ela fizesse o que eu queria, que a gente víssemos livros onde eu queria, que eu tivesse uma vida tranquila, com emprego, e ela também. Eu não me sentia liberto, e parecia vislumbrar a contradição.

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A música é claramente um hino à liberdade, contrariamente à opressão supostamente passada, e à nossa forma de vermos o mundo e de agirmos em consonância com essa nossa forma de ver o mundo e de agir. O vídeo oficial, feito com bastante apuro, mostra essa corrida de membros da banda por dentro de um Eddie que parece dominar toda uma série de escravos. E é curioso, porque a questão não parece ser necessariamente ganhar a corrida - todos estão correndo. Um vídeo que agrada e que deixa uma certa impressão em quem pensa em liberdade ou coisa que o valha. A música também é gostosa de ouvir, e a gente vai até o fim - quando repentinamente acaba, no único ponto fraco de tudo.

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Rainmaker

Mudança é também a pedida em Rainmaker, a segunda faixa desse CD que iria deixar uma boa marca em mim. Para essa faixa, também existe um vídeo oficial, sendo que ele é focado em especial em artistas de performance ou de trabalho corporal para quem sabe passar um clima mais de fazedor de chuva, algo mais antropologicamente interessante. Mas o vídeo é bastante agitado, com cortes abruptos, e não faz com que eu me sinta muito bem ao vê-lo. Mas a música é uma boa pedida, tal como a primeira. Uma pedida mais afeita ao clima de uma balada para ser cantada, com um refrão que pega a gente pelo pé e que nos faz querer cantar a todo momento, mesmo dado o timbre difícil de acompanhar do Bruce.

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A letra, como já disse, se apega ao clima de fazer a chuva cair para algo mudar, para nossa vida mudar, e é fácil a gente se apegar à ideia. É algo que na época eu não estava tanto a fim de fazer, mas que com o tempo fui identificando ao clima de rock por excelência. Aquele clima de chutar o pau da barraca e pagar para ver. Um clima que hoje teria tudo a ver comigo, se eu não estivesse numa vibe de me aproximar cada vez mais de mim e de Deus, e se isso não fosse voltar a ser algo que eu era, e não necessariamente ser algo diferente do que sou. Pois a questão é hoje ser diferente para ser igual àquilo que eu era e que eu não identificava com tanta facilidade em mim. Mas a faixa acompanha tudo isso com maestria, só os solos não me agradam muito, porque me parecem meio repletos de notas demais, e difíceis de distinguir. Mas é um detalhe menor, que a gente deixa passar. A faixa é difícil de ambientar com solos que deixem sua marca, isso é mais do que óbvio.

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No More Lies

Esta faixa que se segue a Rainmaker começa com uma introdução que perpassa algo de sagrado. Parecemos nos aproximar de algo que bate ou deveria bater fundo em nós. Essa impressão não é à toa, porque realmente é sobre algo de sagrado que iremos nos bater agora. Pois num forum de fãs do Maiden está mais do que claro, a partir de um folheto de show, que No More Lies é sobre um dos momentos mais sagrados do catolicismo, a Última Ceia. O próprio Steve Harris parece falar isso no folheto de show, e não tenho muito o que retrucar.

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Mas claro, o Steve é, como todos nós somos, um diletante em estudos sobre religião, e não poderia captar, de forma impoluta, o recado que Jesus quis nos dar com a última ceia e que reproduzimos sempre que vamos à Igreja e participamos de uma missa, numa cerimônia que quase sempre me deixa em prantos. Nesse sentido, a letra de No More Lies é uma leitura de fora daquilo que aconteceu, como um recado de ser humano para ser humano e distante de uma acepção puramente religiosa, que é a que vale para a cerimônia quando somos católicos e dela participamos.

Não irei aqui entrar na letra da música, que cabe a cada um digerir. Mas não há nela nenhuma referência explícita à religião católica, isso é certo. E é uma letra que reacende à figura de Jesus enquanto ser humano, e que parece nos remeter a livros de religião que tenho conseguido encontrar e que remetem à figura humana de Jesus, mais do que à sua figura sagrada. Ocorre que a letra, com seu refrão, repetido diversas vezes, é um chamado, e um chamado à humanidade como um todo, e nesse sentido não deixa de ter um caráter quase religioso, de nos religarmos, reconectarmos face nós mesmos.

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A faixa é suave apenas no começo, claro. Com o tempo, ela pega pesado numa pegada quase marcial, com um teclado ao fundo que dá maior profundidade a tudo o que se passa diante de nossos olhos (ou ouvidos). O tema, claro, é repetido diversas vezes, assumindo da segunda terceira parte uma nova temática, que nos leva, contudo, sempre a uma história que parecemos ser conduzida bem diante de nossos olhos. Os solos vêm muito depois, e de forma tal que não causam uma impressão muito clara, mas que nos remetem a profundidades pessoais que nossos guitarristas sabem nos dar muito bem. A faixa termina suavemente, embalada pelo mesmo tema, e é uma das preferidas de muita gente, até por ser bem certinha, fechadinha, bem do jeito que fã do Maiden gosta.

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Montsegur

Esta faixa era uma de minhas preferidas, quando ouvia este CD naqueles idos em que eu estava casado. Narra a conquista de uma fortaleza, no meio da Idade Média, e disso só sei isso mesmo (mais vocês podem conseguir na internet facilmente). A questão principal é que a música inicia de um jeito bastante particular, parecido com a Losfer Words (Big Orra), música de Powerslave, que eu ainda não resenhei por aqui. Esse jeito é bastante forte e tosco, meio que deixando a melodia lá atrás, para ser vislumbrada pela gente mesmo.

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Todos nós sabemos, claro, do foco da banda em episódios históricos. Não sei bem - ainda não pesquisei - por que a banda pegou este episódio especificamente, mas nós, que moramos na América Latina, lidamos com eventos parecidos com esse, de uma fortaleza aparentemente inexpugnável que consegue ser tomada. Isso tanto aqui no Brasil como em outros países da América Latina. A faixa, no caso, faz jus ao drama que a conquista deve ter sido, aos mortos e aos feridos na tentativa. A faixa, no caso, é repleta de melodias que envolvem trechos da letra, e que parecem nos levar para mais próximo da cena. É uma música muito agradável que deixa-nos bastante animados com o CD, que irá continuar com essa pegada e outra.

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Visual do álbum

Mas, antes de entrarmos na faixa-título do álbum, é preciso brevemente comentar o visual do álbum, as artes e as fotos. O álbum é primoroso, em seu visual, e mesmo que os efeitos de design gráfico da capa deixem claramente a desejar, o álbum passa uma imagem forte. A gente vê a figura da morte com sua foice e personagens quase nus com máscaras, reconduzindo-nos também a filme do Kubrick, De Olhos Bem Fechados. Notamos existir uma figura geométrica no piso em que todos estão, e vemos um clima de festividade, assim como de certo enigma, como se não soubéssemos realmente nosso lugar, e como se eles - as figuras - nos convidassem a entrar na festa.

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No interior, o CD é discreto, com o preto predominando, e com roupas para todos também reconduzindo ao preto - roupas que são repetidas nas fotos de cada um, individualmente. Um visual macabro, numa espécie de palácio, em que todos estão solenemente à vontade, e em que vemos figuras de mulheres nuas com efeitos fotográficos ao envolvê-los. Um visual bastante interessante, discreto e potente, que repete de alguma forma algo do que foi prenunciado na figura da capa. Ao final, três fotos de mulheres mascaradas, passando bastante bem a ideia de vida e morte, assim como uma certa ideia de enigma. O visual do álbum desde o começo me agradou muito, até por destoar de bastante coisa que eles fizeram anteriormente, e por ser bastante unitário, por passar uma ideia bastante unitária do conjunto.

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Dance of Death

A faixa-título do álbum vem então logo a seguir. E vem nos dominando com uma introdução sutil, das mais sutis que eu conheço (ao menos em se referindo ao Iron Maiden), em que somos introduzidos a temas que surgiram, como os fãs mais renitentes bem sabem, do filme de Ingmar Bergman, "O Sétimo Selo". Lembro-me de ter assistido ao filme há muito tempo, e portanto não me lembro claramente de muitos dos detalhes que com certeza deram origem a boa parte da letra e das referências. Mas, para quem não o conhece, um cavaleiro, durante a Idade Média, se vê diante do destino de pessoas que morrem de tudo quanto é jeito naquela época conturbada, e joga xadrez com a Morte, para vislumbrar uma saída para tudo aquilo que ele vê.

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Aqui, como sempre, Steve Harris utiliza diversas soluções temáticas (em termos de melodias) para embalar uma música bastante longa (quase 8 min e meio), em que nos vemos numa espécie de festa em que todos meio que "escolhem" seu destino de vida e morte nesta dança da morte. A música é adorável de várias formas, e lembro-me que foi uma das que eu gostei mais, quando comprei o CD. Uma música que casa perfeitamente com o visual já anotado do CD e com a ideia de uma dança da morte. Só não sei por que a música não mereceu um vídeo só para ela, mas isso é com a banda.

Note-se que, nos grupos de fãs, alguns mais bem municiados de informações fazem questão de aludir à dança macabra, ou dança da morte, um poema originalmente escrito lá pelos anos 1300, como um poema medieval. Não tenho como saber se o Steve se baseou em sua ideia para fazer a partitura da letra e da melodia, mas é interessante imaginar um diálogo entre gerações e séculos, perpassando a obra do Iron Maiden (que não é algo que vemos só agora). Porque o Iron sempre se colocou num diálogo com outras épocas, com poemas tradicionais, especialmente ingleses, assim como com seriados de TV e filmes de cinema. É interessante imaginar em todas essas referências juntas nesta peça musicada, mas fico por aqui nas referências. Eu realmente gosto de todo esse afã que supera a história.

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Gates of Tomorrow

Mas o CD avança, e com ele esta peça tranquila, de um rock bem convencional, que é Gates of Tomorrow. Os grupos de fãs dizem que esta música tem a ver com a internet, ou com algo do tipo, e realmente passa essa impressão. Pois, nela, é como se fôssemos defrontados com o futuro, e com uma ameaça que nos avassala por trás, como que tomando conta de nós, sem que o percebamos. Diversas imagens na letra da música levam nessa direção, e de minha parte acho conveniente pensar assim. Ocorre que a música leva um certo tempo para engrenar, e não tem o mesmo afã superior das outras, sendo uma das mais fracas do álbum, ao menos em minha opinião. Pois todo álbum é assim, tem suas músicas que puxam, e as outras que acompanham, e outras que ficam para trás. No caso, como vocês podem estar vendo, este CD é um repertório de novos clássicos do Iron, contrariamente àquela impressão de alguns de que somente os primeiros LPs da banda é que marcaram. Porque aqui vemos clássicos que foram se acomodando com o tempo, e clássicos que marcaram época, assim como temas que marcaram presença. Como veremos a seguir, não com New Frontier, a próxima música, mas com Paschendale. Pois este é um dos motivos pelos quais faço esta resenha longa do CD: para tentar motivar quem acha que Iron é só do começo a avançar rumo aos novos clássicos, que já têm aliás mais de 13 anos de estrada, o que não é nada pouco.

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New Frontier

Mas eis que chegamos a New Frontier, uma das faixas a meu ver mais injustiçadas da carreira do Iron. Porque é incrível como ela toma a gente pela mão, incrível como ela se impõe e nos mostra uma pegada forte e gostosa de um rock bem do Iron Maiden. Ocorre que ela é sobre um assunto que parece remeter a limites éticos, a questões de clonagem e tudo mais. Porque a questão é que vivemos uma realidade estranha. Em que homens podem virar mulheres, em que seres são clonados (alguém duvida que está se fazendo seleção genética em laboratórios de países avançados?), em que não sabemos mais quem somos, realmente.

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Mas é curioso, porque originalmente eu imaginava algo outro. Como referindo-nos a um new brave world, a algo que remetesse a Huxley, ou outros precursores disso que hoje vivemos. Mas não é realmente isso. Basta lermos a letra para entendermos que percorre o tempo todo a letra e a música como um todo um certo medo de como as coisas vêm se desenrolando em nossas vidas e de nossos semelhantes. Pois a música tem algo de fatalista e de temerosa, algo que nos remete a nossa insignificância ou mesmo aos limites a que nos vemos o tempo todo submetidos. Mas, voltando à música, encanta ver como a banda consegue atribuir um caráter maior à reflexão, algo a que podemos (e talvez devamos) nos ater, para refletirmos. Creio que é a faixa mais reveladora de todo o CD, além de ser ótima de ouvir - e de cantar.

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Paschendale

Bom, todo bom fã de Maiden sabe a história de Paschendale, uma batalha em que centenas de milhares morreram sem que conseguissem avançar meros palmos de terra rumo ao seu dever. A faixa é linda, já de cara, com uma guitarra suave, defrontada com pegada de bateria, baixo e guitarras de um jeito quase marcial. Tem um post aqui no Whiplash que mostra tudo, passo a passo, acompanhando a letra e o encaminhamento da música. Não quero rivalizar com ela. Só quero afirmar que, com Paschendale, surgia mais um clássico na história do Maiden, algo que vai para muito além de uma simples música. É quase um destino, tudo.

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Quando eu ouvia, tão logo comprara o CD, eu mal conseguia acreditar na força de tudo o que eu ouvia. Confesso-lhes que eu chorava, porque entendia - mais ou menos - o que estava sendo dito, narrado, contado e sofrido. Eu me lembro que chorava tal qual, muitos anos antes, chorara ao ouvir The Rime of the Ancient Mariner. Porque aqui estamos diante de uma arte que vai para além dos rótulos de heavy metal ou mesmo de música. Notamos os versos combinando, a dor esmaecendo, enquanto percebemos que a história é isso, simplesmente: horror. Nesse caso, tão logo, mais ou menos da metade da música, a banda engrena numa pegada repleta de solos, entendemos uma certa moral em tudo: que era horror e que não tinha saída.

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Ouvimos um teclado ao fundo, a partir desse momento, atribuindo ainda mais densidade à porrada, e aí simplesmente curtimos. Porque, afinal de contas, estamos ouvindo uma peça de rock pauleira, pura e simplesmente, e porque qualquer reflexão que possa nos ocorrer é algo que vai para além da música, que está sendo apresentada. Percebemos também como as palavras, em determinado momento da trama, são insuficientes, e mesmo nada dizem. Mas é curioso, claro, porque, neste esforço dantesco de dar forma a um evento que poderia passar desconhecido para os roqueiros fãs de Iron Maiden, a banda ultrapassa uma fronteira: a do indizível. É lindo, claro. E termina como começou, com a singeleza necessária para peças desse tipo. Repleta de cadáveres e incapacidade de raciocinar.

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Face in The Sand

Mas, quando a gente pareceria não esperar por mais nada, pois já estávamos emocionados com o que ouvíamos, vinha Face in the Sand. Uma música que começa tranquila, mas que vai engrenando numa pegada quase militar que remete a outras músicas da banda, de outrora. Eu me lembro claramente. Eu ouvia isso e já cantava! Pois eu lia a letra e saía cantarolando! Quase um hino, com um refrão adorável de cantar, e completamente desencanado. Porque sabemos que é quase uma canção para cantarmos de desgosto!

Claro, a gente pode, com a letra em mãos, apelar para discursos pacifistas e tudo mais. Mas o fato é que aqui há bem mais que isso. Há um pacifismo enquanto vontade, mas há um fatalismo tremendo, porque, tal qual Cioran, sabemos que a história é uma sucessão de massacres, todos sem resposta. E notemos que na letra o cantor reza, ora, espera, quando sabe que não terá nada nas mãos em que possa se fiar. Daí o rosto na areia. Note-se que existe o verso: Lembrança futura de nossa tragédia. Meu, é lindo. Eu simplesmente não entendo como é que esta pegada não é mais tocada nos shows, pois é tão linda, e termina além de tudo com um coro.

Age of Innocence

Até aqui está mais do que provado por mim que Dance of Death foi, mais que a reabilitação da banda diante da crítica e do público, um berço de novos clássicos, clássicos esses que só não são mais cantados por simples desconhecimento. Porque méritos, eles têm, e como. Pois aqui chegamos a uma pegada mais dura, sobre política e contexto sócio-econômico, também numa levada não tão agradável quanto as outras, mas que deixa seu recado, com refrões bem colocados e mensagens claras para qualquer um - ou quase. A idade de inocência a que a letra se refere, então, tem essa conotação política, e podemos claro, concordar ou não com ela, mas o contexto para todos é claro. Um mundo com estruturas carcomidas por mentiras e corrupção, em que parecemos - nós, cidadãos comuns - sem muita escolha. A não ser perdermos a inocência. Porque, diante do que vemos todos os dias, para ainda ser inocente é necessário algum esforço. Alguém poderia dizer que, contra tudo isso, nos resta o pessimismo. Não, meus caros, nos resta a inação, a incapacidade de resposta. Daí o caráter sobremaneira decepcionado da música como um todo e da letra em particular.

Journeyman

Estamos no fim de nossa jornada. E aqui chega mais um clássico que adoramos cantar (não negue). Porque aqui podemos cantar com vozes comuns, com entonações tranquilas, não necessariamente gritar como o Bruce. Uma balada linda que eu havia esquecido, em meus alfarrábios, mas que aqui faço questão de retomar e de demonstrar a vocês: eu sei o que eu quero!, como na música. Como pude me esquecer dela, então? Pois é, a gente deixa as coisas passarem e esquecemos das belezas que poderiam ainda nos acompanhar. Neste caso, eu me lembro bem: eu cantava a plenos pulmões, sem porém saber o que queria, realmente. Pois iria levar anos para que tudo se tornasse mais claro, embora ainda não o seja, realmente. Um momento crucial para eu retomar a vida, para que com a ajuda deles, do nosso querido Iron Maiden, eu possa consertar minha vida - finalmente.

Espero que tenham apreciado.

Comente: Qual a sua opinião sobre o álbum Dance Of Death? Como ele se encaixa na discografia do Maiden?


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Sobre Rodrigo Contrera

Rodrigo Contrera, 48 anos, separado, é jornalista, estudioso de política, Filosofia, rock e religião, sendo formado em Jornalismo, Filosofia e com pós (sem defesa de tese) em Ciência Política. Nasceu no Chile, viu o golpe de 1973, começou a gostar realmente de rock e de heavy metal com o Iron Maiden, e hoje tem um gosto bastante eclético e mutante. Gosta mais de ouvir do que de falar, mas escreve muito - para se comunicar. A maioria dos seus textos no Whiplash são convites disfarçados para ler as histórias de outros fãs, assim como para ter acesso a viagens internas nesse universo chamado rock. Gosta muito ainda do Iron Maiden, mas suas preferências são o rock instrumental, o Motörhead, e coisas velhas-novas. Tem autorização do filho do Lemmy para "tocar" uma peça com base em sua autobiografia, e está aos poucos levando o projeto adiante.
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