Resenha - Check Mate - Necromancia

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Por Bruno Coelho
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É uma vergonha! É uma vergonha que grandes bandas de thrash brasileiras e americanas não tenham conseguido chegar ao nível "espancatório" deste cd! É uma vergonha que bandas renomadas tenham se aberto feito putas e tenham feito discos cada vez menos interessantes e "esse tal" de Necromancia tenha chegado com um cd tão fudido como este. Capa fudida, encarte fudido, produção (a cargo da própria banda e de Andreas Kisser) fudida. E guitarras, meu amigo! GUITARRAS, PORRA! Finalmente uma banda brasileira de thrash (com a excessão óbvia do velho Sepultura) conseguiu injetar guitarras nos binários de um cd! Saca aquela escopeta calibre 12 italiana? A Benelli? Uma de oito tiros? É um tiro na cara de uma daquelas... Aquilo derruba dinossauro!

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Porque diabos reclamo tanto? É porque você pega qualquer cd de bandas nacionais como Angra, Shaman, Hangar, o novo Thespian, o técnico Akashic, o cacete que for, mas não escuta guitarras tão violamentamente jogadas nos teus ouvidos. E isso eu digo pra seu Kiko Loureiro ou qualquer outro. E digo mais: se qualquer deles disser que o trabalho e principalmente o som das guitarras neste cd não são espetaculares é despeito. Claramente não existem Ardanuys ou Loureiros aqui. Nada disso! É a pancada, meu amigo! Tanta gente elogiando e se rasgando com o som da guitarra do Hugo no disco do Shaman... dá licença... escute isso aqui! O que é de deixar qualquer um mais surpreso é que só tem um guitarrista na porra da banda... que é um trio!!! Já vi banda com cinco que não tira esse som...

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Já babei demais né? Aliás eu sempre enalteço o que é pra ser enaltecido em qualquer trabalho. Nesse caso específico é impossível não se estupefactar com o som das guitarras. Mas também, como já falei, a produção e o encarte estão acima da média dos trabalhos de bandas
brasileiras. No nível dos encartes de vários discos de bandas gringas lançados no Brasil ou melhores.

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O som do Necromancia é Thrash Bay Area 90. Lembra Sepultura por razões óbvias, lembra Biohazard demais nos vocais e tem aqueles toques Overkill e algo que remete a Destruction também nas partes mais rápidas (especialmente na faixa Scavenger), mas duvido que tenha sido grande influência aqui (talvez algo inconsciente). É mais Sepultura/Biohazard o que senti neste disco. Talvez esteja alucinado... É bom
destacar que o peso é grooveado na medida certa e por vezes Stuck Mojo não seria também uma referência muito distante.

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Coesa. Palavra que serve para definir a cozinha que se utiliza bem de contratempos nas faixas 5 e 6 e que dá aquela engrossada no caldo da guitarra. Putz... tô escutando o disco agora e não consigo parar de pensar nestas guitarras!

Destaques para quais faixas? Ó! Dúvida cruel! Action/Reaction (fudida de doer), Catastrophe, a empolgante Farsa, a destruidoramente bem executada The Riddle, a varada Scavenger, e aquela que deve ter feito o chapa Andreas Kisser ter ficado com inveja pra caralho: Check Mate. Eu ouço isso e me pergunto: COMO É QUE PODE??? Rapaz, essa banda é um bulldozer! Um panzer!

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Pra alegrar de vez a galera: cover de Overkill, do Motorhead, melhor que o original e faixinha multimídia de Greed up to Kill, primeira faixa do disco da qual não sou muito fã... achei ela meio óbvia demais apesar de, mais uma vez, as guitarras serem estúpidas ao
ponto de levar teu pescoço de trás pra frente depois dos primeiros 10 segundos.

Inovação não há. Não há nada que nunca tenha sido visto num disco thrash. Mas também não sei como poderia ser melhor. Não espero o novo do
Biohazard (que gosto bastante) e nem ouvi o Nation ainda, mas o novo do Necromancia, caso não receba em casa para resenhar, enforco alguém no Whiplash! Sério!

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P.S. estive em um show do Necromancia no Da Tribo Rock Festival em maio de 2002. A banda é fudida ao vivo também!




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Sobre Bruno Coelho

Bruno Coelho é Arquiteto, escritor, poeta, produtor de eventos, pai, tradutor, intérprete e professor de inglês. Morou em cinco capitais brasileiras e hoje dedica-se ao árduo labor de organizar eventos na capital maranhense de São Luís. Fã do Dream Theater, Tool, Symphony X, Pain of Salvation e Evergrey, encontra espaço pra novas bandas e vertentes sempre.

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