Resenha - Hellbound - Warlock
Por Rafael Carnovale
Postado em 15 de abril de 2003
O ano: 1985. O que rolava de bom nessa época? Eleições diretas... sim... era um momento de decisão para o país, que parecia sujeito a mudanças. Mas para os amantes do rock era um ano especial. Tivemos o primeiro Rock in Rio, com diversas bandas estrangeiras, num casting totalmente desorganizado e bagunçado, mas que nos permitiu ver pela primeira vez bandas do calibre de AC/DC, IRON MAIDEN, SCORPIONS, OZZY e outras. No resto do mundo, era o ano do heavy metal. O Iron acabara de lançar Powerslave, Judas em alta, e eis que aparece uma banda de heavy com vocais femininos, o Warlock. Vocais femininos que hoje praticamente são uma febre nas bandas de metal, principalmente as bandas mais chegadas ao metal gótico, mas que naquela época eram mais raras. Mas Doro Pesch (vocal) e seus asseclas viriam, junto com bandas como Girlscholl e Runaways mostrar que mulher cantava heavy metal muito bem.

Hellbound é o 2o álbum da banda. E pode ser considerado um dos melhores. Abre de cara com a faixa título, uma porradaria (com direito a coro ao vivo e introdução de bateria) heavy oitentista muito inspirada em Judas Priest, e vocais irados de Doro, muito mais agressivos do que ela faz hoje, embora ainda cante muito. Logo depois vinha o arregaço mais cadenciado de All Night, com o toque hard rock que viria a caracterizar parte do Warlock. O cd ainda traria clássicos como a speed Earthshaker Rock, a Saxoniana Wrathchild e a mais rockeira Out of Control. Era de fato um cd matador. Uma banda competente, com guitarras poderosas e um baixo preciso e uma frontwoman que detonava nos vocais. Havia direito até a um climinha de terror na faixa Out of Control.
As letras falavam de rebeldia, amor, raiva, euforia... coisas que o heavy metal pregava como dogmas. Agora, nesse mundo politizado tudo poderia até soar infantil e piegas, mas faz muito sentido num estilo que prega a diversão e o amor a música. Para coroar com chave de ouro o cd, duas pérolas speed metal: Time to Die e Shout it Out, e uma balada pesada (como toda balada metálica deve ser) sobre amor: Catch My Heart.
Anos 80: inesquecíveis. Doro ainda viria a fazer muito em sua carreira solo, e faz até hoje, mas nada superaria o que o Warlock deixou para os fãs.
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