Resenha - Rabbit Don't Come Easy - Helloween

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Por Leandro Testa
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E o inconcebível aconteceu! Depois de terem-no sacaneado, deixando-o de lado no The Dark Ride, Großkopf volta a compor e nos presenteia com o que ele de melhor trouxe à tona em quase vinte anos de carreira, durante os quais no máximo treze canções foram creditadas a ele. "Liar", por exemplo, é quase tão pesada quanto os ‘b-sides’ mais recentes, como a sua "Deliver us from Temptation" ou uma "Madness of the Crowd", que, mesmo não chegando a tanto, pode ser facilmente considerada excepcional, com algo do Jugulator (Judas Priest) e um clima meio Squealer, ou seja, um power dotado de ingredientes ‘thrash’.

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E por que estou dando a este senhor tamanho destaque? Simplesmente porque até o single "If I Could Fly", eu não me recordava de qualquer obra sua que merecesse sobrepujar 90% das outras feitas por seus companheiros, o que aqui ocorre facilmente. Para exemplificar, coloca-lo-ei junto a Michael Weikath no paredão, prezado cavalheiro detentor de um ótimo histórico, mas que vem a me decepcionar profundamente. "The Tune" transita entre o ‘mid’ e o ‘up-tempo’, e é bem fraquinha até sua metade, sendo impossível ignorar que as linhas vocais foram descaradamente chupinhadas do Gamma Ray... e o que é pior, num tom totalmente errôneo!!! A despeito do começo vacilante, o estribilho dá um refresco, e os solos/duetos merecem destaque.

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Outra cria sua é "Do You Feel Good", originalmente escrita para o disco anterior, mas nunca utilizada. E não é difícil descobrir o porquê... tem cara de resto, natimorto, manchado pelo estigma da sobra, e nele ficaria bastante deslocada, apesar do andamento rock ‘n roll. Talvez se encaixasse bem no Chameleon, ainda mais pela letra, e faz-me recordar da "First Time", filha de mesmo pai, só que com um refrão ainda mais desanimador...

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E como este é um CD promocional, com dez das doze faixas que compõe o ‘full-lenght’, não dá pra intensificar a comparação, e fazê-la com mais propriedade. Entretanto, já posso adiantar que "Hell was Made in Heaven" e "Nothing to Say", respectivamente ‘Markus x Weikath’, são bem diferentes entre si, sendo que ambos já declararam que a primeira segue uma direção mais reta, um heavy clássico, enquanto a outra tem uma característica mais década de 70, com influências de Zeppelin e Yardbirds, da era Beck/Page. Como a edição ‘digipack’ virá acompanhada de uma ‘bonus-track’ bastante melódica chamada "Far Away", de autoria do baixista, ambos empatam pelo menos no quesito "quantidade‘...

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Sascha, por sua vez, em tudo o que bota a mão deixa rastros progressivos, a exemplo do início cadenciado de "Sun for the World", que se assemelha em parte ao V do Symphony X. Como no Freedom Call ele era apenas um profissional contratado, não tomando parte do processo constitutivo, sua participação neste acaba sendo muito legal, até mesmo porque o cara, de apenas 25 anos, foi integrado muito recentemente. As suas outras duas seguem basicamente aquilo que se pode considerar um típico produto ‘happy Helloween’, principalmente no coro, mas nem por isso soam batidas... Longe disso... Aliás, que grata surpresa esse rapaz: sempre trazendo algum chamariz, certa variação, uma maior acessibilidade, como se pode comprovar na excessiva repetição em "Open Your Life", algo que costuma me causar asco, mas que neste caso, não chega a comprometer.

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Por falar nisso, ao contrário de outrora, o compacto escolhido pela gravadora tem muito menos apelo comercial do que os de épocas passadas, talvez para não ficar com aquela aparência de ‘próprio para vender’. Assim, "Just a Little Sign", a ser lançado em 7 de abril, que também abre este Rabbit Don’t Come Easy, é a perfeita demonstração de como começar devastando tudo. É cortante, instigante, e não há muito o que se falar dela, pois para isso busquei um link descrito abaixo, no qual os leitores poderão escutá-la... Aproveitem esse excelente ‘opening theme’, bem pra cima, que traduz o que vem adiante: idéias positivas, como na incentivadora balada "Don`t Stop Being Crazy" e em "Never be a Star" (todas de propriedade do Deris), uma autobiografia anti-estrelismo (viu, Weikath?!?) com um arranjo que vai no mesmo caminho da "Perfect Gentleman".

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Este otimismo parece ter sido reflexo e uma necessidade para quem veio de uma fase extremamente turbulenta, quando os ‘pumpkins’ se viram desmantelados, seguida duma tentativa frustrada de trazer o guitarrista do Gamma Ray, Henjo Richter, e o incessante problema com bateristas. Apesar disso, mesmo tendo o clima obscuro do álbum antecessor sido objeto de encomenda por parte de homens engravatados, ele volta a aparecer em "Back Against the Wall", um grande acerto, pois está dentre a trinca que mais me agrada, que por serem as mais agressivas, caem bem no meu gosto. Possui o jeito "Deris", dos temas mais industrialóides da sua carreira solo ou daquela sua participação no projeto Ayreon. A propósito, dedico-a aos desocupados que perdem tempo num assunto morto, comparando-o ao Kiske, sem ao menos se mancar que não fosse as suas composições, o Helloween nos dias de hoje, facilmente já estaria morto e enterrado, ainda mais com a saída de Uli e Grapow, escritores em potencial e de mão cheia.
Agora, numa visão geral, acredito que seria exagero colocá-lo à frente das três últimas investidas, mas, sim, posso chamá-lo de "Master of the Rings Pt.II", por compartilharem de muitas particularidades, mesmo este sendo superior àquele.

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Coelhos vigorosos ou velhas abóboras, eis a questão... creio que eles enfrentaram as dificuldades e merecem ser condecoradas com a mais nobre opção...

Link para "Just a Little Sign" - http://www.metalexpress.no/play2.asp?id=777

Lançamento oficial em 05 de maio.

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