Resenha - Rabbit Don't Come Easy - Helloween
Por Fernando De Santis
Postado em 21 de abril de 2003
Nota: 9 ![]()
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O Helloween meio que entrou numa "crise" no final da tour do disco "The Dark Ride", quando Andi Deris teve que abandonar os últimos shows no México, por causa de uma doença. Após isso, foi anunciada a saída de Roland Grapow (guitarra) e Uli Kusch (bateria). A banda passou um bom tempo procurando por novos membros até que anunciaram Mark Cross (ex-Metalium), que alguns meses depois teve que abandonar as baquetas do grupo por ter ficado muito doente. Mas parece que todos esses acontecimentos serviram como fonte de inspiração e fizeram com que a banda alemã buscasse forças para fazer um disco marcante.

Em "Rabbit Don’t Come Easy", o Helloween contou com uma coleção de bateristas. Mark Cross chegou a gravar duas faixas antes de ficar doente, enquanto a grande parte das músicas ficaram por conta de Mikkey Dee (Mothorhead). Já os b-sides foram gravados pelo novo baterista da banda, Stefan Schwarzmann. Além disso, desta vez o Helloween gravava e os fãs podiam assistir a tudo pela internet, diretamente da câmera do estúdio Mi Sueño. Charlie Bauerfeind que produziu o álbum era o "personagem" principal do "Big Brother Helloween", já que ele estava na frente da webcam 80% das vezes, trabalhando na produção.
O que marca nesse álbum é um retorno ao estilo do Helloween... aquele velho estilo "Happy happy Helloween", que fora esquecido no "The Dark Ride". A escolha do single desta vez surpreendeu muito, pois deixaram de lado as canções comerciais e escolheram uma bem pesada - "Just A Little Sign". Interessante lembrar que desta vez, não colocaram uma introdução no disco. A porrada começa direto, sem nenhum prelúdio. A faixa de abertura é um power melódico de boa qualidade que nos faz pensar: "Pra que escutar as cópias se eu posso escutar a banda original?". Sascha Gerstner, o novo guitarrista do grupo, que teve uma certa rejeição por parte dos fãs no início, provou ter sido uma boa escolha. Além de demonstrar uma técnica apurada nas seis cordas, Gerstner ainda criou duas músicas: "Open Your Life" e "Listen To The Flies", que não fugiram do padrão do Helloween.
Michael Weikath foi responsável por três músicas: "The Tune" que preserva aquelas melodias alegres do Helloween, no estilo de "Living Ain’t No Crime" ou "Shit and Lobsters", "Do You Fell Good", que é bem pesada e a fantástica "Nothing To Say", que tem um pré-refrão que mais se parece um reggae (!!!)... mas não pensem que o Helloween se perdeu, pois apesar da parte de "reggae" (que é interessante) a música é fantástica, cheia de passagens distintas, como paradas climáticas, trechos lentos e até sapos no final, que foram gravados do lado de fora do estúdio, em Tenerife.
Markus Grosskopf que não teve nenhuma composição no álbum anterior (apenas com b-sides), desta vez presenteou os fãs com duas obras fantásticas: "Liar" que lembra até "Reptile" do álbum "Walls Of Jericho" em alguns trechos e "Hell Was Made In Heaven" outra composição com cara de Helloween, cheia de peso e riffs marcantes. Andi Deris, que já se tornou o compositor principal do Helloween, além de ter feito a "Just Little Sign", ainda criou a "Never Be A Star" que é mais cadenciada, a balada "Don’t Stop Being Crazy" e a interessante "Back Against The Wall" que é bem climática, com um refrão marcante e em alguns trechos, lembra algumas músicas do trabalho solo dele, "Done By Mirrors".
Quem achava que os problemas vivenciados pelo Helloween nesses últimos anos iriam prejudicar a performance da banda, enganou-se completamente. A banda tirou (com certa dificuldade) o coelho da cartola e colocou nas prateleiras um disco que com certeza vai agradar aos fãs.
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