Resenha - Run Devil Run - Paul McCartney
Por Ricardo Augusto Sarcinelli
Postado em 09 de dezembro de 1999
Paul McCartney endoidou (no melhor sentido, é claro). Somente isso prá explicar a reunião concebida para as gravações deste álbum, unindo na mesma banda um ex-Beatle e dois membros originais de duas das mais importantes bandas deste século, David Gilmour e Ian Paice – Leiam Pink Floyd e Deep Purple, respectivamente.
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Revisitando ora clássicos , ora composições mais obscuras dos anos 50, de Gene Vincent ("Blue Jean Bop") a The Vipers ("No Other Baby") de Chuck Berry ("Brown Eyed Handsome Man") a, é claro, Elvis ("All Shock Up"), além de três novas músicas de Paul, fiéis à abordagem vintage do álbum – "Try Not To Cry", "What It Is" e a faixa-título, esta super banda, completada por outros músicos que participam de forma mais discreta, mas não menos fenomenal, nos convida a cada nota a uma viagem de volta ao útero do rock n’roll.
Segundo o próprio McCartney, é um disco para espantar os demônios que ultimamente têm rondado sua vida. É, portanto, um sai prá lá capeta! E sim, um tributo à sua adolescência e ao início de tudo...Um retorno ao "Cavern Club" , onde os Beatles iniciaram sua carreira tocando exatamente covers de muitos destes artistas, influências assumidas, conforme já magistralmente registrado no álbum póstumo dos Beatles "Live at the BBC"
Me desculpem, mas realmente não dá prá destacar faixa alguma. Quem gosta de rock antigo, calcado na imortal escola blueseira não precisa se preocupar ou perder tempo ouvindo o disco nas lojas. É pegar e levar! Deixemos o Hofner Violin de Paul ou a Fender Esquire de Gilmour falarem por si mesmos.
A sutileza e harmonização peculiar àquela década é fielmente retratada neste magistral trabalho, contrapondo-se com momentos quase heavies, como na inconfundível pegada canhota de Ian Paice em "She Said Yeah " (Larry Williams).
"Run Devil Run" é um disco de extrema importância para a nossa geração, apresentando obras e performers que colaboraram para o desenvolvimento musical de vários ícones das gerações posteriores àquela época, preparando, de certa forma, o boom musical dos anos 60 e 70. Numa roupagem atual, mas fiel aos registros originais e sobre uma maravilhosa produção e qualidade sonora, McCartney mais uma vez oferece um generoso presente ao nosso tempo, numa saudável e muito bem-vinda releitura do passado.
Na categoria Rock/Hard Rock este álbum e "By Your Side", do Black Crowes já são os grandes favoritos ao título de melhor de 99.
Faça como o rabudo, corra. Mas para o seu!
Nota: 10 (dez)
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