Resenha - Being There - Wilco
Por Guilherme Rodrigues
Postado em 10 de agosto de 2002
Tenho de confessar... nunca esperei nada demais do "rock alternativo". Bom, tendo travado contato com o gênero através de coisas lamentáveis como Pixies e Yo La Tengo, acho até que a minha (falta de) expectativa tinha alguma razão de ser. É o problema de se viver no Brasil... ouve-se e conhece-se aquilo que algumas cabeças nem tão pensantes elegem como representantes de determinado gênero e decidem lançar aqui pelas plagas tapuias... daí a enxurrada de rebotalhos do quilate de Belle & Sebastian e afins... argh... drogas... tô fora...
Wilco - Mais Novidades
Então, pela internet, nas noites claras de que falava Chico, conheci "Being There"... uma banda chamada Wilco. Pelo histórico de influências da banda (que vai de Woody Guthrie, Johnny Cash, Beatles, Stones e Beach Boys a Big Star e Replacements), achei que valia a investigação... humm... Com o ceticismo deixando aquele travo de superioridade que só os tolos sentem ao apreciar a obra de um artista, a alma ficou deliciosamente desguarnecida para o que viria ao longo da audição do disco. E o que veio, veio devastando.
"Being There" é daqueles discos especialíssimos, que cativam à primeira audição e ao mesmo tempo te deixam atônito, tamanha a quantidade de sentimentos que desperta e de informação que despeja na tua cabeça. Nos primeiros acordes, uma cacofonia em crescendo que deságua no acústico lamento de Jeff Tweedy - um dos caras da atualidade que, junto com Stephen Malkmus (Pavement) e Gary Louris (Jayhawks), revalorizaram o termo "compositor". É "Misunderstood", que em seus versos já sintetiza o que vai rolar durante todo o disco.... catarse, confissão, entrega, melancolia, ironia, exaspero, alegria, todo tipo de porralouquice imaginável e, acima de tudo, rock´n´roll, muito rock´n´roll... e de boa safra. O engraçado é que no primeiro fraseado da voz de Tweedy, a gente sente uma empatia estranha, como se conhecesse o cara e o que ele fala de longa data... um lance meio inexplicável. "Misunderstood" é a fábula definitiva sobre uma espécie de indivíduo (a mim não muito estranho) que encontra na música mais que apenas diversão, mas sim explicação... poesia... candura... sem forçar a barra... sem grandiloqüências e pieguices à Oasis (bluargh)... na voz de Tweedy soa natural... espontâneo... e sobretudo auto-biográfico.... esse é um lance muito presente em "Being There"... o cara se vendo, se contando e, ao mesmo tempo, prestando um tributo às suas influências. Ouvindo letra e música, inevitável a emoção e a identificação com o personagem e com o autor, assim como inevitável a certeza de que Tweedy já alcançou um brilho artístico/estilístico de dar inveja a muito veterano. Isso mesmo, na primeira faixa do disco você já saca tudo isso.
O disco segue e alude a tantas "paisagens", tão diversas na sonoridade e nos temas que fica a um passo da dispersão total. Nenhum problema com isso... álbuns maravilhosos como o Álbum Branco, dos Beatles, são pérolas da "dispersão" e o seu apelo reside exatamente nesse amplo leque temático e sonoro, e, como no White Album, a produção de "Being There" (ora altamente sofisticada, ora completamente crua) também emoldurou canções de estilos musicais tão distintos de modo a contrastá-las e, como em todo contraste, aproximar o ouvinte das sonoridades e texturas criadas. Jogar o ouvinte no meio da incandescência criativa do autor... assim, o disco, paradoxalmente, alcançou uma coesão difícil de comparação com qualquer trabalho atual (talvez "Hollywood Town Hall", dos Jayhawks, e "Terror Twilight", do Pavement, sejam trabalhos que tenham essa inteireza, esse "todo sônico" que tento explicar). Mas, rockers, não se preocupem, nada em "Being There" é atmosférico, espacial, ou qualquer adjetivo insípido que o valha... ao contrário, é rock´ n´ roll em toda a sua magnificência, mais blues, folk, country, power pop... todos os estilos executados da maneira mais direta e crua o possível...
Em "Sunken Treasure", épico que abre o disco 2, Tweedy se define "i was tamed by rock´n´roll/I got my name from rock´ n´ roll"... e a capa do disco nada mais é do que a síntese disso: a mão do artista dominando e sendo dominada pela velha e boa guitarra. Como naquela idéia do velho poema de Drummond, Tweedy cansou de discos "mudernos", e fez um eterno.
Certamente um dos dez melhores discos dos 90´s.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música que o Black Sabbath escreveu para "A Hora do Pesadelo 3"
A banda em que Matt Sorum mais gostou de tocar (não foi o Guns N' Roses)
12 bandas de rock que contam com apenas um membro original na formação
Rolling Stones voltam ao estúdio apenas três meses após lançar novo álbum
Rockstar Games divulga rádio de GTA 6 com Kerry King e Tom Araya
O músico que mudou o som do Scorpions; "vamos tornar essa porra pesada novamente"
Dois discos do Pink Floyd que parecem feitos por bandas diferentes - qual é o melhor?
Tobias Forge (Ghost) reativa sua banda de death metal, Repugnant
A música do AC/DC que ensinou Kurt Cobain o suficiente para começar a compor
O trabalho do Metallica que James Hetfield admite que não funciona bem ao vivo
Nos 40 anos de "Reign in Blood" (Slayer), Dave Lombardo celebra o álbum
"Civil war" do Guns N' Roses, uma profunda música de protesto
Tom Morello conta como se tornou fã de Nuno Bettencourt antes do sucesso do Extreme
Do início caótico ao último álbum, a discografia do Megadeth comentada por Mateus Ribeiro
O álbum do Pink Floyd que Roger Waters gostaria de refazer
A capa de álbum de Metal oitentista criada na base da gambiarra e da preguiça
O significado de "voz que gira bailando no ar" em "Tente Outra Vez" de Raul Seixas
O mito que todos repetem sobre som do Deep Purple que é mentira, segundo Jon Lord



Carach Angren - Sete histórias para um inferno
Paura mira em velhos problemas humanos e entrega muito metalcore em "Primitive Chaos"
Flotsam and Jetsam entrega fúria e maturação em "Rats in the Temple"
Pride Of Lions Mantém a Tradição do AOR Clássico em "Unbridled"
Quase vinte anos do seu lançamento, "Over The Under" ainda soa vigoroso
Use sua ilusão: o pseudo disco perfeito do Guns N' Roses
30 anos de "A Tempestade" - o álbum que se tornou a despedida de Renato Russo
Os 40 anos de "Reign in Blood", obra-prima do Slayer e um dos maiores clássicos do thrash metal
Iron Maiden: Review do novo álbum publicado na revista Kerrang



