Foo Fighters: dissecando a canção "The Pretender"
Por Brunelson T.
Fonte: Rock in The Head
Postado em 26 de agosto de 2017
Qual é a diferença entre uma boa música e uma ótima música? Quais são os intangíveis que levam um pedaço de uma música a colocarem em outra estratosfera? É um inquérito complicado...
Uma das maiores coisas sobre a música e o gosto particular pela tal canção, é que se trata de uma experiência completamente subjetiva. Cada ouvinte interpreta as letras de uma forma diferente e todos possuem o seu próprio conjunto de desencadeantes que provocam diferentes emoções e reações a uma certa música. Alguns preferem uma batida pesada e agressiva, outros preferem uma reflexão suave e sutil.
Talvez seja a letra. Talvez seja a própria canção... Realmente não há uma resposta errada. Mas no final do dia, o que faz uma música se tornar uma música excelente? Na minha perspectiva são 03 os atributos que levam a isso: tensão, impulso e dinâmica.
Dentre várias, há uma banda que se destaca em todos estes 03 tópicos: FOO FIGHTERS.
Eles não são estranhos à arte em criar hinos maravilhosamente fantásticos de uma geração. Eles criaram uma quantidade insana de músicas de sucesso ao longo da sua existência por quase 25 anos. Clássicos como "Everlong", "All My Life", "Best of You" e "Learn to Fly" praticamente não trazem "sujeiras" ao mainstream, sendo que o FOO FIGHTERS é uma banda rara que produz consistentemente material de alta qualidade - e com cada álbum lançado, pelo menos 01 novo hino é nos apresentado.
Mas nesta dissertação vamos nos remeter a outro hit da banda que foi lançado no 6º álbum de estúdio em 2007, "Echos, Silence, Patience & Grace", que é a música "The Pretender":
1) Por todos os seus maciços sucessos - e há uma tonelada deles - "The Pretender" está orgulhosamente ao lado e no mesmo nível de tantas outras. Não só é um dos maiores momentos do FOO FIGHTERS, mas é uma das maiores músicas de rock já escritas. O single principal deste álbum é um dos pontos máximos do rock com os seus 4 minutos e 27 segundos de dominação absoluta. Mas por que? Porque ao lado dos seus inúmeros sucessos, "The Pretender" obtém o prestigioso título de ser uma das suas maiores conquistas musicais;
2) Uma música deve ser alguma coisa de uma jornada. É difícil comparar uma canção individualmente com algo de outro meio, como num filme por exemplo. De um modo geral, uma música apresentada num filme possui uma data de validade muito mais curta do que escutada num álbum. Enquanto um filme pode rodar por 02 horas, a maioria das músicas caem no reino de serem apresentadas somente em segundos ou nos créditos finais. Mas só porque o tempo é limitado, um bom compositor sabe como maximizar cada segundo da sua música.
Ele pode inserir nela uma introdução, um conflito e uma resolução, onde ela só precisa estar em uma escala muito mais apertada para aglomerar tais requisitos. Com "The Pretender", o FOO FIGHTERS trouxe esta abordagem a plena fruição! Quando a música começa, uma guitarra com arpejos sutis toca suavemente, sendo logo seguida pelo quase sussuro do vocalista/guitarrista, Dave Grohl, cantando: "Se mantenha no escuro / Você sabe que todos eles estão fingindo / Se mantenha no escuro / E então tudo isso vai começar". E daí a quebraceira realmente começa;
3) O estágio foi definido – e a tensão também. A tensão é um atributo que qualquer excelente música deveria ter. Não há nada de errado com a música que vem batendo na clássica contagem de 04 compassos. Aqui, ela reivindica o seu lugar de direito e se torna maravilhosa! Mas ao ouvir, há algo muito importante para estar ciente sobre estar sentado no limite do seu assento e sem saber o que está por vir na próxima esquina... O vocal de Grohl na introdução soa enganador para um inédito ouvinte. Ele apresenta ao ouvinte a idéia de que ele sabe que tipo de música começou a escutar..., ledo engano;
4) Imediatamente a partir do final da introdução, vem aqui o 2º tópico abordado: o impulso. O baterista Taylor Hawkins leva a carga para o verso com uma embriaguez constante no seu instrumento, seguido rapidamente pela guitarra de Chris Shiflett.
5) A melodia vocal de Grohl então se apodera. Simultaneamente, a sua guitarra rítmica e a linha do baixo de Nate Mendel começam a preencher um pouco do espaço, mas esse espaço não permanece aberto por muito tempo e aqui é onde o FOO FIGHTERS começa a se destacar.
6) Junto com o impulso surge o 3º atributo unindo forças: a dinâmica. Mas o que essas 02 forças estão criando? Tensão! No ponto intermediário do 1º verso, o baterista Taylor Hawkins abandona o seu assalto inicial para jogar tudo para o alto, sendo que a bateria agora está dirigindo junto com a guitarra principal.
Grohl e Mendel continuam as suas explosões para compensar o movimento contínuo da bateria, mas isso não é bom o suficiente e a banda dá um passo adiante. Ainda nos versos, Grohl e Mendel elevam as suas rajadas para cima tocando em uníssono junto com a bateria. Pedaço por pedaço, a dinâmica do verso continua construindo o pano de fundo com todo o tempo ganhando força e impulso para entrar completamente em erupção... Erupção em um monstro de refrão!
Esse refrão sozinho já seria suficiente para ter um estádio de fãs cantando junto, mas a sua construção torna o impacto ainda mais poderoso. Estes blocos de construções individuais impulsionam a tensão até que a música e o ouvinte não aguentem mais e são forçados a entregar as mercadorias em um dos melhores refrões que a banda já criou;
7) Quando a canção volta para o verso, ela não precisa provar mais nada porque o trabalho de mão-de-obra já está pronto. A tensão ainda existe, enquanto eles se deslocam pelas explosões sonoras e nos levam de volta ao seu refrão. O músico TOM PETTY disse uma vez sobre a música rock: "Não nos deixe entediados e chegue logo no refrão". O FOO FIGHTERS legitimamente consegue compor um belo refrão e eles conhecem esse terreno muito bem;
8) Após o 2º refrão, a banda vira uma curva à esquerda e entra numa ponte selvagem com temperos blues a la rockabilly. Em uma música simples essa ponte já poderia ser o refrão, com Dave Grohl repetindo a frase: "Quem é você?", exigindo ser cantada por milhares de espectadores. É um movimento brilhante de sua parte, onde a ponte mantêm o impulso antes de retomar brevemente para aquela sutil introdução, levando o ouvinte depois para aquele refrão esplêndido;
9) Todas as apostas já caíram por terra e a música explode o caminho até a sua conclusão. Para uma boa medida, a atrativa ponte faz uma última aparição deixando a canção brilhante para o seu final;
10) "The Pretender" permanece como um grampo no setlist dos shows desde o seu lançamento. A música também foi um grande sucesso de crítica e comercial alcançando o 1º lugar no ranking da Billboard. Este single também foi certificado com Disco de Ouro nos EUA.
Confira o vídeo clipe da canção "The Pretender":
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