Drogas: 4 músicos que não se lembram de terem feito alguns discos
Por Igor Miranda
Postado em 12 de maio de 2017
Diversos estudos comprovaram, no passado, que o uso regular de diversas drogas podem causar problemas na memória. E perdas do tipo não são recuperadas pelo cérebro, nem mesmo com o auxílio de remédios.
Ainda que não seja legal se drogar no trabalho, o abuso de substâncias do tipo é encarado com mais naturalidade quando se está no meio artístico. Até artistas que estão sóbrios nos dias de hoje dizem que entorpecentes auxiliavam no processo criativo.
Entretanto, há casos em que o abuso de drogas acabou seguindo um caminho muito distante. O site da revista "Vice" compilou, recentemente, uma série de artistas que não se recordam de determinados trabalhos feitos no passado devido ao uso excessivo de entorpecentes.
Quatro nomes da música são citados pelo artigo. A partir das informações obtidas pela "Vice", foram acrescentados outros dados que resultam neste artigo. Veja:
1) Alice Cooper
Um dos casos mais icônicos de "blecaute" da memória foi sofrido por Alice Cooper. O rei do shock rock não se lembra de quase nada feito entre os anos de 1981 e 1983.
Durante esse período, ele lançou três discos: "Special Forces" (1981), "Zipper Catches Skin" (1982) e "DaDa" (1983). Menos inspirados que seus antecessores, os discos em questão contêm pitadas de gêneros como new wave e post-punk.
Desde que recuperou a sua sobriedade, ainda na década d e 1980, Alice Cooper se refere a esses discos como os seus álbuns de "blackout". Ao site Quietus, em 2009, ele falou sobre esse esquecimento.
"Eu realmente gostaria de voltar e regravar esses três discos, porque nunca achei que coloquei trabalho suficiente neles. E eu amo as músicas - só não lembro de ter as composto", afirmou.
Os problemas de Alice Cooper com as drogas - cocaína, crack e álcool - durante esse período eram tamanhos que ele fez turnê para divulgar apenas um desses discos, "Special Forces". Ele se afastou dos palcos de fevereiro de 1982 até o ano de 1986, quando retornou com o álbum "Constrictor".
Cientes dos problemas pelos quais Alice Cooper passava, a Warner Bros sequer promoveu os discos em questão - em especial "Zipper Catches Skin" e "DaDa", que já não contariam com turnês de divulgação. Após "DaDa", Alice acabou dispensado pela gravadora, visto que o contrato vigente havia sido chegado ao fim e não havia nenhum interesse em renovação.
No meio de 1983, Alice Cooper acabou hospitalizado, novamente, por alcoolismo. Entretanto, o quadro era mais grave: ele estava com cirrose hepática e passou muito perto de morrer. Desde então, Alice se mantém sóbrio - e retomou a melhor forma de sua carreira na segunda metade da década de 1980.
Veja também:
2) Ozzy Osbourne
É verdade que, ao menos pelo jeito de se manifestar, dá para imaginar que Ozzy Osbourne não se recorde muito do que tenha feito na vida. O eterno vocalista do Black Sabbath abusou de todos os tipos de drogas, além de bebidas alcoólicas, ao longo de quase toda a sua carreira. Especialmente nos últimos anos, sua fala e velocidade de raciocínio expressas em entrevistas indicam que os excessos deixaram marcas no Madman.
Ainda que sempre tenha admitido que estado "chapado" durante boa parte de sua vida adulta, Ozzy confessou, em entrevista à revista "IQ", que não se recorda da década de 1990. Uma declaração curiosa, visto que pensava-se que o auge dos excessos de Ozzy tivessem ocorrido nos anos 1980.
"Não lembro realmente dos anos 90. Não sei por quê. Meu vício em drogas e álcool era feroz na época. Era pesado, então eu tinha muitos apagões", afirmou o vocalista.
Apesar de não ter sido específico com relação a apagões de memória relacionados a discos, esse período deve contemplar as gravações de "No More Tears" (1991) e, em especial, "Ozzmosis" (1995). O segundo disco de Ozzy na década contou com uma série de compositores externos, como Lemmy Kilmister, Steve Vai (que gravaria as guitarras do disco no lugar de Zakk Wylde), Jim Vallance, Mark Hudson.
Pelo que consta, "Ozzmosis" é um dos álbuns de menor participação de Ozzy em sua concepção, ainda que ele tenha créditos autorais em várias faixas. Os problemas com drogas, provavelmente, justificam isto.
Veja também:
3) David Bowie
O falecido David Bowie viveu o auge da sua carreira na década de 1970. Com a fama, vieram os excessos: o cantor abusou das drogas, em especial, da cocaína e das bebidas alcoólicas.
Em depoimento ao biógrafo Nicholas Pegg, David Bowie disse que não sel embra de praticamente nada das gravações de "Station To Station", lançado em 1976. Ele se recordava de apenas dois tópicos. Um deles estava relacionado às instruções que deu a Earl Slick e Carlos Alomar para o registro das guitarras.
O outro dizia respeito à localização do estúdio onde o álbum foi gravado: Cherokee Studios, em Los Angeles, Estados Unidos. E tal informação não foi relembrada espontaneamente por David Bowie. "Sei que foi em Los Angeles porque li em algum lugar", afirmou.
David Bowie não era o único a abusar dos entorpecentes naquele período. Carlos Alomar disse que consumia cocaína para obter inspiração. "Se houvesse uma carreira de cocaína capaz de te deixar acordado até 8 da manhã, para você fazer a sua parte de guitarra, você a cheirava", disse o músico.
Musicalmente, "Station To Station" é um dos discos de sonoridade mais obscura de David Bowie. Há pitadas de funk, soul, krautrock e ocultismo (!) neste álbum de Bowie. Ainda que não esteja entre seus grandes clássicos, o álbum fez bastante sucesso.
4) Eric Bell
O líder do Thin Lizzy, Phil Lynott, acabou ficando notável pelo abuso de drogas e álcool. Ele morreu aos 36 anos, em janeiro de 1986, vítima de pneumonia e insuficiência cardíaca, relacionadas aos excessos - ele era dependente de heroína e álcool - que o deixaram debilitado.
Todavia, os abusos que mais interferiram na existência do Thin Lizzy foram os de Eric Bell, primeiro guitarrista da banda. Antes mesmo da fama, o músico já sofria com a dependência química: estava viciado em bebidas alcoólicas, maconha, ácido e remédios controlados.
"Eu não conseguia parar de beber, não conseguia parar de fumar maconha. E também estava tomando Valium, receitado pelo meu médico. Eu andava pela vida como se fosse um frango frito", afirmou Eric Bell, em entrevista à "Noisey".
Graças a isso, Eric Bell revelou que não se recorda de ter gravado o primeiro disco do Thin Lizzy, lançado em 1971. "Sério, o estúdio todo estava tomado por fumaça (de maconha). Todos que entravam - o cara do leite, a p*rra do cara que fazia chá - meio que acabava andando por aí com um sorriso na cara. Era espontâneo", afirmou.
Eric Bell acabou deixando a banda para tratar de seus vícios. Seu último show, realizado no Réveillon de 1973, foi um desastre. "Foi em Belfast, minha cidade natal, e meus amigos e família e minha esposa estavam lá, assim como a família e namorada de Philip. Eu estava 'fora da casinha' - bêbado e chapado, mas especialmente bêbado. Não conseguia parar em pé. Estava com problemas na minha vida pessoal. O Thin Lizzy trabalhava o tempo todo - turnê após turnê. Não havia tempo para se recompor", disse Bell.
Veja também:
- Do fracasso ao colapso: os últimos dias de Phil Lynott
http://www.igormiranda.com.br/2014/06/do-fracasso-ao-colapso-os-ultimos-dias.html
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A canção do Metallica que ainda emociona James Hetfield toda vez que ele a escuta
A música do Yes que serviu de inspiração para Dream Theater e Sepultura
Regis Tadeu explica por que show final do Sepultura foi para um lugar menor
Shows no Brasil que encerraram ciclos em carreiras de bandas internacionais
Metallica anuncia mais 12 datas da tour M72 para 2027
Angus Young (AC/DC) autografa bebê no Canadá
John Lennon sobre o real motivo da separação dos Beatles: "Era inevitável desde o Sgt. Pepper's"
Anthrax lança "Cursum Perficio", seu primeiro disco de estúdio em 10 anos
As 10 músicas de Elton John que são as preferidas de Zakk Wylde
"Nunca compusemos juntos" - Roger Waters explica sua parceria com David Gilmour no Pink Floyd
Regis Tadeu finalmente explica detalhe do Iron Maiden que fãs discutem há 20 anos
A mensagem escondida na intro de "Hell Awaits", clássico do Slayer
Disco novo do Anthrax tem música que mistura Slayer e Metallica da era "Load"
O grande problema do show de Roger Waters, segundo Ed Motta
Uma pergunta sobre afinação mudou o destino do maior sucesso do Metallica
Ozzy Osbourne: quando o Madman se aposentou, mas desistiu
O lendário rockstar que já foi babá do ator Keanu Reeves
Os 11 melhores álbuns do glam rock setentista, segundo a Loudwire
O clássico do rock que explodiu no verão de 1972 e volta todo ano na mesma época
As músicas mais progressivas de 5 bandas que não são de rock progressivo
A canção de Alice Cooper que ajudou a mudar os rumos do rock nos anos 70
A curiosa trajetória de Wagner "Antichrist" Lamounier um dos fundadores da lendária Sarcófago
AC/DC: os últimos dias do vocalista Bon Scott


