Grammy: O que houve de melhor (e pior) relacionado ao rock/metal
Por Igor Miranda
Postado em 13 de fevereiro de 2017
Aconteceu, no último domingo (12), a 59ª cerimônia do Grammy Awards, premiação que é considerada a mais importante da música. O rock ocupa papel secundário no evento, é verdade, mas houve o que comentar com relação ao gênero musical em questão.
Neste ano, a Recording Academy, que promove o Grammy Awards, corrigiu alguns erros históricos com dois nomes de impacto no rock. Um deles é, inclusive, ligado ao metal.
O primeiro foi David Bowie. Falecido em 2016, o músico foi homenageado ao ganhar cinco prêmios, nas categorias 'Melhor performance de rock', 'Melhor música de rock', 'Melhor disco de música alternativa', 'Melhor pacote de gravação' e 'Melhor produção de disco não-clássico'. Os últimos dois são compartilhados com outros profissionais.
É verdade que o reconhecimento a David Bowie foi justo, tanto pelo disco 'Blackstar' quanto pela música que dá nome ao álbum. Mas precisava esperar tanto tempo para reconhecer um dos maiores nomes da música contemporânea? Eu acho que não.
Digo isto porque, até então, David Bowie só tinha um Grammy, de 'Melhor videoclipe', por 'Jazzin' for Blue Jean', conquistado na década de 1980. E o agravante é que esta não é uma categoria especificamente musical.
É sintomático: espera-se o artista morrer para que ele receba o seu devido valor. Isto acontece não só em premiações, mas com reconhecimento por parte da imprensa e de alguns segmentos do público.
O segundo erro histórico corrigido foi com o Megadeth. Após 12 indicações e nenhuma vitória, a banda de Dave Mustaine conquistou, enfim, o Grammy de 'Melhor performance metal', categoria pela qual havia disputado por nove vezes anteriormente. A música 'Dystopia' foi a premiada.
Também é um momento justo para reconhecer o Megadeth. O grupo tem conseguido se manter relevante e o álbum 'Dystopia' mostra isto muito bem. A entrada do guitarrista Kiko Loureiro deu sangue novo à banda e Dave Mustaine - que, além de frontman, é o principal compositor - parece ser criativamente insaciável, pois raramente decepciona em seus lançamentos.
Como no caso de David Bowie, o reconhecimento ao Megadeth também poderia ter vindo antes, em especial, durante sua fase considerada mais 'clássica', na década de 1990. As várias indicações sem prêmios acabaram por virar motivo de chacota com o tempo.
Ainda sobre Megadeth, vale a pena relembrar a gafe cometida pela organização do Grammy. Quando a banda foi anunciada como vencedora da categoria 'Melhor performance metal', começou a rolar a música 'Master Of Puppets', do Metallica.
Por mais que Dave Mustaine não pareça mais ter sentimentos negativos relacionados ao Metallica, a situação também virou motivo de piada nas redes sociais. Faltou cuidado, mas essa cautela não parece existir durante todo o tempo: de forma aleatória, um dos prêmios de David Bowie foi anunciado ao som de The Who. Duvido que falariam o nome de Katy Perry ao som de Taylor Swift ou vice-versa.
O prêmio de 'Melhor disco de rock' foi conquistado por 'Tell Me I'm Pretty', do Cage The Elephant. Um trabalho que mal obteve repercussão em seu próprio segmento foi agraciado com a honraria e deixou bons registros, como 'Magma' (Gojira) e 'California' (Blink-182), para trás. Um pouco estranho.
O prêmio direcionado a 'Eight Days A Week The Touring Years', documentário sobre a época em que os Beatles faziam turnês, foi uma surpresa. O registro superou 'Lemonade', de Beyoncé, e foi reconhecido na categoria 'Melhor filme musical'.
O único show com menção direta ao rock - e, neste caso, também o metal - foi, em meu ver, um desastre. Metallica e Lady Gaga se juntaram para tocar a música 'Moth Into Flame'.
Praticamente nada deu certo. O microfone de James Hetfield não funcionou por metade da apresentação e, aparentemente, havia um problema de retorno em cima do palco, pois faltou sincronia entre as guitarras de Hetfield e Kirk Hammett em parte da performance.
Lady Gaga, por sua vez, forçou a barra e acabou ficando deslocada. Além dos vocais exagerados, das opções equivocadas de tonalidade e do rebolado deslocado, a performance geral de Gaga reforçou o estereótipo de 'metaleiro doidão', que passa o show inteiro se contorcendo sem a menor consonância com a música que rola nas caixas de som. Por ser a artista fenomenal que é, poderia ter preparado algo melhor.
Outras duas performances fizeram menção indireta ao rock: as homenagens a George Michael e Prince, que são artistas considerados pop, mas flertaram com o estilo em diversas ocasiões.
A homenagem a George Michael, morto em dezembro de 2016, foi uma catástrofe. Enquanto cantava 'Fastlove', Adele se perdeu em tonalidade e até ritmo. Precisou pedir para começar de novo e, ainda assim, a situação não melhorou muito.
A própria opção por tal performance soou um pouco equivocada. Parecia um velório. Havia uma melancolia excessiva, que contrastava com as imagens felizes do sempre empolgado George Michael ao fundo do palco. Até isto deve ter afetado Adele psicologicamente, pois a cantora estava visivelmente emocionada.
Já o tributo que The Time, Morris Day e Bruno Mars fizeram a Prince foi adequado à proposta do artista, morto em abril de 2016. Houve maior preparo e até tempo para que a homenagem fosse feita - quase dez minutos divididos entre as duas performances.
Inicialmente, The Time e Morris Day tocaram 'Jungle Love' e 'The Bird', em uma apresentação sem defeitos. Bruno Mars elevou o patamar ao aparecer vestido de Prince e com a guitarra signature do falecido músico. Com sua banda, tocou 'Let's Get Crazy' e ainda arriscou solos de guitarra.
No geral, em comparação a outros anos, o Grammy de 2017 deu maior destaque ao rock. Só é incrível pensar que tantas gafes e situações curiosas tenham ocorrido justamente quando o gênero estava em evidência.
Comente: Lembra de mais alguma coisa errada?
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