Eric Carr: o integrante mais subestimado do Kiss
Por Igor Miranda
Postado em 24 de novembro de 2016
Eric Carr foi, sem dúvidas, o integrante mais subestimado que passou pelo Kiss. De sua entrada, em 1980, até o dia de sua morte, em 1991.
Antes de tudo, gostaria de destacar que não acho que ele tenha sido o melhor baterista que passou pela banda. A pegada diferenciada de Peter Criss, aliada a sua voz, e a precisão técnica de Eric Singer, fazem com que eu não enxergue Eric Carr como o mais apto a passar pela função.
Entretanto, a passagem de Eric Carr pelo Kiss ocorreu em meio a um período conturbado da banda - curiosamente, mais de uma década. Carr acabou por dar "azar" ao ver a banda quase se desmanchar algumas vezes enquanto ele "vivia o sonho".
Na biografia "Uma vida sem máscaras", Paul Stanley relata que Eric Carr parecia não perceber que o Kiss estava desmoronando ao longo dos primeiros anos da passagem dele pela banda, no início da década de 1980. O período conturbado ficou marcado pela aposta no malfadado "(Music From) The Elder", a saída do guitarrista Ace Frehley e problemas para se obter bons públicos nos shows, especialmente nos Estados Unidos.
Falta de confiança
Eric Carr parece ter ganhado importância em "Creatures Of The Night", quando sua imponente bateria recebeu destaque na produção de Michael James Jackson. A banda tirou as máscaras em "Lick It Up" e, desde então, voltou a fazer sucesso em grande escala.
Com a retirada das máscaras, turbulências voltaram a marcar o território do Kiss. O guitarrista Vinnie Vincent, que substituiu Ace Frehley, foi demitido após brigas com os demais músicos. Mark St. John veio no lugar, mas mal durou alguns meses, devido a problemas de saúde. Bruce Kulick, às pressas, entrou no lugar do músico e por lá ficou até metade da década de 1990.
Ao longo deste período, até Gene Simmons se afastou do Kiss. Ele mal participou da concepção dos discos "Animalize" (1984), "Asylum" (1985) e "Crazy Nights" (1987), pois estava focado em construir uma carreira no cinema.
Era o momento de Paul Stanley dar moral a Eric Carr, que também cantava e compunha. Não rolou: Stanley, que passava por problemas de depressão na época, assumiu as rédeas do Kiss. Mesmo com todo o talento que tinha, Carr sempre foi visto como um músico contratado e nada além disto. Entrevistas de pessoas ligadas à banda confirmam esta visão, apesar daqueles diretamente envolvidos evitarem o assunto.
Quanto às colaborações autorais de Eric Carr no Kiss, ele co-escreveu seis faixas em sete discos: "Under The Rose", "Escape From The Island", "All Hell's Breakin' Loose", "Under The Gun", "No, No, No" e "Little Caesar".
Prestes a morrer
Também em sua biografia, Paul Stanley admite que um dos grandes erros de sua carreira esteve relacionado ao câncer no coração que Eric Carr enfrentou em 1991. Quando Carr esteve doente, Stanley e Gene Simmons decidiram que o Kiss não poderia parar. Então, contrataram Eric Singer para substituí-lo.
A dupla disse a Eric Carr que a vaga dele estava garantida na banda e que a medida tinha o intuito de fazer com que ele se recuperasse tranquilamente, com as despesas pagas. Entretanto, a notícia não foi bem digerida por Carr, que, naturalmente, passou a se sentir ameaçado e pouco útil ao grupo - tanto que ele, de peruca, topou participar das gravações do clipe "God Gave Rock N' Roll To You II", cuja trilha de bateria foi gravada por Singer.
Faltou reconhecimento ao longo da trajetória e compaixão no leito de morte. Eric Carr deu o sangue pelo Kiss na década de 1980. Apesar de seu talento e carisma inegáveis, o músico foi jogado para escanteio ao longo de sua passagem pela banda.
É possível conhecer um pouco mais de Eric Carr em seu disco solo póstumo, "Rockology", lançado em 1999. As 12 faixas do disco foram compostas por Carr, Bruce Kulick e Adam Mitchell e gravadas ao longo da década de 1980. No disco, Eric canta e toca bateria, teclados, baixo e violão.
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