Creedence Clearwater Revival: o estrelato obtido em 1969

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Por Nathalie Delahousse, Fonte: Goldmine, Tradução
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Em termos de conquistas artísticas e sucesso comercial, 1969 foi um ano muito bom para o CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL.

Em 69, o Creedence lançou três álbuns de estúdio, emplacou sete das 100 posições da Billboard Hot e apareceu diversas vezes na TV e em festivais de rock - ou seja, mais do que a maioria das bandas alcança em sua carreira toda.

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Mas 1969 foi tanto um ano de progressos quanto um divisor de águas para o CCR, não estava tudo perfeito nos bastidores. Pressão e atritos estavam acontecendo enquanto a banda subia nas paradas, e eventos em 1969 tiveram um impacto duradouro nas dinâmicas e relações no grupo e no restante da sua carreira.

Chegando a 1969, o Creedence Clearwater Revival era um quarteto de sucesso moderado da frutífera cena musical dos arredores de San Francisco - e a banda certamente pagou um preço por isso.

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Na maior parte da década — primeiramente sob o nome de Tommy and the Blue Velvets, e então The Golliwogs — o vocalista/guitarrista do CCR, John Fogerty, o guitarrista/vocalista Tom Fogerty (o irmão mais velho de John), o baixista Stu Cook e o baterista Doug Clifford apresentaram e gravaram canções que eram profundamente influenciadas pelos pioneiros do rock da década de 50 e pela invasão britânica de 1960. Apesar de fazer alguma música de qualidade, o melhor que o grupo nascido em El Cerrito, California - poderia fazer era algum barulho nos arredores do Norte da California.

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A mudança no Creedence Clearwater Revival, por volta de 1967 coincidiu com John Fogerty tomando a frente como vocalista principal e compositor chefe, assim como o despertar de uma sonoridade levemente diferente. Isso trouxe também uma mistura da maioria das influências americanas, e uma combinação, que mais tarde seria aliada às referências líricas de Fogerty sobre New Orleans e seus arredores, o que levou a sonoridade do CCR a ser classificada como "Swamp Rock" (Rock de Pântano).

"Enquanto estávamos crescendo, após a Segunda Guerra Mundial, na Bay Area, havia uma diversidade musical tremenda disponível no rádio," Cook explica. "Durante a Guerra, pessoas de todo o Estados Unidos haviam vindo para a Bay Area para trabalhar na indústria pesada que era necessária para os esforços de guerra. E eles trouxeram sua herança musical com eles.

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"Então o que aconteceu foi, estações de rádio passaram a existir, focadas e criadas para atender às necessidades daquela audiência... você tinha suas estações de rhythm-and-blues, suas estações de country-and-western, estações de pop - um espectro completo da música americana que você poderia ouvir.

Panela de Pressão

CCR lançou sua estréia auto-intitulada nos idos de 1968, pela Fantasy Records. Trazia apenas oito canções, mas duas delas - "Suzie Q." (um cover de "Suzie Q.", um hit de 1957 para Dale Hawkins) e "I Put A Spell On You" (de Screamin’ Jay Hawkins, 1956) - chegaram à Billboard Hot, alcançando as posições 11 e 58, respectivamente.

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"Nós tivemos sorte de ter algum sucesso, mas ainda não era 100 por cento nosso," Clifford diz. "Nós tivemos um single hit, mas não era um single original. O álbum teve seu apogeu e nosso segundo single havia fracassado, basicamente."

Conduzindo a gravação do segundo álbum do CCR, Clifford diz que a pressão era para que eles tivessem um single que fosse uma composição original. "Nós sabíamos que se isso não acontecesse no próximo álbum nós poderíamos provavelmente nos tornar uma das muitas bandas de um único sucesso," ele complementa.

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John Fogerty reconheceu em uma entrevista de 2007 para o Pitchfork Web que ele sentiu que o CCR estava prestes a chegar às vias de fato. Vendo sua banda como um azarão, no "menor selo de gravação do mundo," sem um assessor de imprensa, um empresário ou reservas financeiras, ele chegou à conclusão de que a melhor sacada para chegar a algum lugar seria entrar no jogo.

"O que eu vi foi gente que poderia fazer música basicamente partindo de mim," Fogerty contou a Joshua Klein, do Pitchfork. "Eu não digo isso para parecer melhor que os outros; foi apenas uma avaliação honesta. Basicamente eu queria fazer o que os Beatles fizeram. Eu senti que eu tinha que fazer por mim mesmo.

"Então eu me tornei muito, muito ocupado," ele completou. "Toda noite eu trabalhava escrevendo as canções desde as 9 da noite até umas 4 da manhã. Eu tinha uma rotina... a música chegava realmente rápido, e era muito boa. Essa era a parte incrível. Havia tanto material e com um alto nível de qualidade."


Gravado nos estúdios da RCA em Los Angeles com Hank McGill, o segundo álbum do CCR, "Bayou Country", foi lançado em janeiro de 1969 pela Fantasy. Assim como o primeiro álbum do Creedence, incluía material de fora - uma versão espirituosa de "Good Golly Miss Molly", de Little Richard. Mas foi "Proud Mary", uma original de John Fogerty, que se tornou o single hit da banda, e que permaneceria por 14 semanas entre os 100 da Billboard Hot, atingindo a posição de número 2.

Clifford recorda que o preocupante é que a intensa "Born On The Bayou" era para ter sido o lado A daquele single - não a ritmada "Proud Mary". "Eu não achei que ‘Proud Mary’ fosse tão boa, se você quer saber a verdade sobre isso," ele diz. "Eu apenas não gostava dela. Eu gostava de ‘Born on the Bayou’ - até hoje continua sendo a minha canção favorita do Creedence. É desagradável, e eu me senti desapontado quando [o single] foi lançado. "Eu devo dizer que eu tive uma mudança em meu coração depois de 40 anos e eu amo ‘Proud Mary’," Clifford completa, rindo.

"Bayou Country", que alcançou a alta posição de número 7 na América, também foi notável por sua foto da capa fora de foco, a qual Clifford descreve como "um bom engano". "É como quando você está jogando golfe e você acerta uma tacada ruim, mas que de alguma forma rola no gramado," ele diz. "O que aconteceu é que as lentes para zoom estavam começando a aparecer, e o fotógrafo gastou uma grande quantia em dinheiro em uma dessas lentes para zoom. Eu acho que foi uma das primeiras, se não for a primeira foto que ele tirou usando uma destas.

"Ele estava tentando fazer funcionar ... a fotografia foi tirada enquanto a lente estava se mexendo, então é por isso que ficou fora de foco e parece tri-dimensional, mas ficou muito, muito legal."

A ‘configuração RCA’

O Creedence não perdeu tempo trabalhando e gravando um sucessor para "Bayou Country". Nessa época, a banda se trancou perto de casa para usar o [estúdio móvel] Wally Heider Recording, naquela época uma facilidade relativamente nova em San Francisco. A experiência do CCR no Heider naquele ponto consistia em uma única sessão para gravar os instrumentais de "Glory Be" e "Briar Patch."

"Minha impressão da banda era que aqueles caras podiam trabalhar rápido, e assim foi," relembra o engenheiro de som Russ Gary. "Eles chegaram em uma tarde, gravaram aquelas duas coisas e se foram - provavelmente em quatro horas e meia."


Quando o Creedence agendou um horário no estúdio C de Heider para gravar as canções "Green River" e "Commotion," Gary recebeu a tarefa de ser o engenheiro de som para aquela sessão assim como para as sessões subseqüentes do restante das canções que poderiam estar no álbum "Green River".

De acordo com Gary as faixas basicamente instrumentais foram gravadas com todos os quatro músicos tocando ao mesmo tempo. O CCR posicionou seu equipamento para que a bateria ficasse contra a parede dos fundos do estúdio, do outro lado da janela da sala de controle, e que os amplificadores fossem instalados em um pequeno círculo bem em frente à bateria.

Gary, que estava curiosos sobre a forma como tudo foi arrumado, perguntou à John Fogerty sobre isso. "Ele disse, ‘esta é a forma como fizemos na RCA,’" Gary diz. "Então eu chamei de 'configuração RCA' - funcionou bem, então é feito assim desde então."

Estando as faixas finalizadas, Cook, Clifford e Tom Fogerty desapareceriam, Gary diz, deixando John Fogerty para ajeitar todos os overdubs instrumentais e vocais - e era assim que John queria. "Evidentemente, como eles começaram a fazer sucesso com o álbum 'Bayou Country', os outros caras queriam ter maior destaque para o baixo, mais bateria, mais isso, mais aquilo," Gary diz. "E [John] sentia que eram as canções dele e que deveria ser tudo da forma que ele queria que fosse. Então era aí que começavam as discussões, que resultaram no fato de os outros abandonarem depois que o básico estava feito, e John poderia terminá-las."

O CCR lançou um par de singles antes da chegada do álbum "Green River". O primeiro foi "Bad Moon Rising" com "Lodi," no outro lado e então "Green River" com "Commotion" no lado B. Ambos singles.

Indo para Woodstock

"Green River", o terceiro álbuns do CCR, e o segundo em 69, foi lançado em agosto, que também foi um grande mês para a banda em termos de concertos.

Além da presença em três dos maiores festivais de música durante o mês de julho de 69, o CCR tinha mais dois em agosto. O primeiro era o Atlantic City Pop Festival em Atlantic City, New Jersey, no dia 1º de agosto, trazendo bandas da região de San Francisco como Jefferson Airplane e Santana, entre outras atrações.

Isso foi seguido pelo Woodstock Music and Art Fair no estado de Nova Iorque, que foi uma experiência memorável para a banda de várias formas. Enquanto o Woodstock se iniciava em 15 de agosto, o Creedence estava gravando um segmento para o "The Andy Williams Show." Problemas técnicos estragaram a gravação, fazendo com que a banda precisasse pegar um longo e cansativo vôo até o estado de Nova Iorque. "Nós voamos a noite toda e chegamos lá no sábado, e na hora que chegamos, já havia se tornado um concerto gratuito," diz Cook. "Nós não tínhamos nem idéia do que estava acontecendo, ou onde estávamos nos metendo. Eu acho que pensei que seria como qualquer outro festival."

Clifford inicialmente pensou o mesmo. "Tínhamos visto multidões de 100.000 ou 150.000 pessoas anteriormente," ele diz, "e não acreditamos que poderia ter meio milhão de pessoas nessa coisa."

Depois que o avião onde estavam aterrisou, os membros da banda tiveram que pegar um helicóptero para seguir no resto do caminho para poder chegar à área do palco. Eles foram dois por vez, e não foi propriamente uma lição de aviação segura: Clifford e John Fogerty dividiram um assento, com metade do corpo de Cilfford pendurado para fora do helicóptero, enquanto ele se segurava no cinto de segurança de Fogerty com sua mão esquerda.

A vista do helicóptero fez Clifford ver por si mesmo o quão grande era a multidão. "Nós estávamos voando baixo, ele diz, "e quando descemos e vimos a multidão, eu disse, ‘Oh meu Deus, tem pelo menos meio milhão de pessoas aqui,’ apenas em virtude do que havíamos visto antes."

Enquanto fãs tinham que lidar com o chão cheio de lama graças à fortes chuvas, as bandas tinham acomodações confortáveis nos bastidores, Cook diz, completos com comida e bebidas. Mas a chuva causou problemas técnicos no palco, o que atrapalhou o início da apresentação do CCR.

"Uma vez que resolvemos isso, era só tocar sabendo que havia um monte de gente lá," diz Clifford. "Nós tínhamos que energizá-los, pois era muito cedo ou muito tarde [quando chegamos lá], dependendo de sua perspectiva. "Eu podia literalmente sentir a energia lá," ele completa. "Era um momento único na história para que algo assim acontecesse. Na pior das condições, todos estavam bem."

Sair de Woodstock foi uma odisséia tão grande quanto chegar lá. Clifford lembra que eles pagaram $100 para um rapaz da fazenda dirigir levando a banda longe do local, pois eles tinham compromisso num show em New Jersey junto com a The Nitty Gritty Dirt Band.

"Green River" se tornou o primeiro álbum do CCR a se tornar hit número 1 na América, e John Fogerty estava rapidamente se estabelecendo como um dos compositores de rock mais importantes, sem que o público soubesse qual era a principal motivação de Fogerty para criar tanto material em tão pouco tempo.

Cook relembra que Fogerty tinha um "medo quase mórbido de cair fora das paradas," e com o Creedence como "o único artista realmente lançando material de qualquer forma pela Fantasy," o selo não seria capaz de dizer para a banda pegar mais leve em seus lançamentos. "Se [Fantasy] não os tivesse lançado imediatamente, eles certamente teriam lançado em algum ponto de seu próprio calendário," Cook diz. "Se nós tivéssemos feito cinco [álbuns em um ano], talvez o selo tivesse lançado todos os cinco. Não seria o mesmo na Sony ou Warner Bros. ... era uma situação diferente para nós, e acho que nos sentimos vítimas disso."

Clifford também recorda da crença de Fogerty que "se em algum momento nós sairmos fora das paradas, estaremos acabados." Com o Creedence lançando tanto material e tão rápido, Clifford sentiu que não apenas a banda pagou o preço, mas também acabou com a estratégia da Fantasy.

E ele também se lembra que haviam outras fontes de stress sobre o líder do CCR durante o ano de 1969. "John estava empresariando, tentando fazer tudo, e isso foi um erro," Clifford diz. "Ele não tinha experiência nenhuma [como empresário]. Ele é muito talentoso e não há dúvidas quanto a isso, mas ele não fazia idéia sobre negócios. Contratos eram assinados sem serem bons e contratos bons não eram assinados."

Também havia tensão entre os irmãos Fogerty, de acordo com Clifford. Depois de Tom ter desistido do papel de vocalista principal quando a banda se tornou o CCR, Clifford diz, "John não permitia a ele cantar nenhuma canção cover, e nós fizemos [12] covers [em nossa carreira]. Tom sentiu que ele foi subestimado, mas John não permitia que ele apresentasse nenhum material para as canções - basicamente era apenas, ‘Toque guitarra base e cale-se.’"

Sonoridade Blue-collar

CCR novamente contou com a praticidade de usar o Heider ao gravar "Willy And The Poor Boys", o qual a Fantasy lançou em novembro de 1969. A presença da banda nos 100 da Billboard Hot permaneceu até o final do ano graças ao single com hits em ambos os lados, "Down On The Corner" (que atingiu a posição de número 3) e sucedida por "Fortunate Son" (número 14).

Uma das características mais marcantes de "Down On The Corner" é sua parede de backing vocals. Era uma prática comum para Gary rodar a fita em uma velocidade abaixo do normal durante a gravação dos overdubs de backing vocal, "apenas para dar uma limpada."

"Você os grava um pouco mais devagar," Gary explica, "e quando eles são tocados de volta, eles têm uma sonoridade mais fresca. E é por isso que aqueles vocais são tão precisos e marcantes, porque nós sempre gravamos as vozes de fundo um pouco mais devagar."


Como os álbuns anteriores do CCR, "Willy And The Poor Boys" tem colarinho-azul em sonoridade e conteúdo, e o tema também estava refletido na arte da capa. Quando Clifford, Cook e Os irmãos Fogerty se postaram em frente do Duck Kee Market em Oakland, Califórnia, para a foto da capa, se juntaram a eles alguns visitantes inesperados.

"Aqueles eram garotos da vizinhança - eles apenas perambulavam por lá enquanto estávamos na sessão de fotos," Cook relembra com uma risada. "Nós encontramos o fotógrafo no escritório da gravadora e andamos pela rua - Willy and the Poor Boys era uma banda de esquina, com um baixo, washboard, guitarra base e gaita. Aquela era a banda. A idéia era tocarmos naquela esquina por alguns trocados."

A respeito da música, Clifford tem o hit "Fortunate Son" como uma de suas favoritas, assim como a arrepiante "Effigy." "É tão forte, e dá um cala boca nos poderes que estavam por trás de toda a bagunça daquela época," ele explica. "É como se tivesse ditado o tom para os álbuns seguintes, eu acho."

Sobre a produção do CCR em 1969, "Não havia outra banda que eu saiba que tenha lançado 3 álbuns em um ano, então foi tanto bom quanto ruim," diz Clifford, que hoje em dia toca com Cook no Creedence Clearwater Revisited. "Foi bom ter o sucesso, mas teria sido melhor para todos se tivéssemos espaçado um pouco mais e não tivéssemos tanta pressão nas paradas.

"Nós fizemos o melhor que pudemos com o que tínhamos," ele complementa, "e isso é o que sempre fizemos, bem honestamente".

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Sobre Nathalie Delahousse

Nathalie Delahousse é Designer, Assistente de produção em shows e aficcionada pelo bom e velho Rock'n'roll e suas vertentes... Uma verdadeira Rocklady...

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