Jethro Tull
Por José Humberto Mesquita Filho
Postado em 06 de abril de 2006
Foi um fenômeno único na história da música popular, dentro da corrente conhecida como rock progressivo. A banda britânica Jethro Tull, com sua mistura de hard rock, folk, toques de blues e jazz, e letras profundas (meio surrealistas, mas densas) desafiou qualquer tipo de análise superficial, e conseguiu uma legião de fãs que lhe deram 11 discos de ouro e 5 de platina. Ao mesmo tempo que sua popularidade crescia nos anos 70, conseguia o reconhecimento da crítica.
O Tull foi criado e liderado pelo genial guitarrista flautista vocalista compositor Ian Anderson (nascido em 1947 na Escócia), e teve vários nomes (Blades, John Evan Band, Navy Blue, etc.) antes de chegar ao nome de um fazendeiro (Jethro Tull) que inventou uma técnica agrícola nova no século XVIII. O nome ¨pegou¨ e o grupo conseguiu chegar a tocar no Marqueé londrino, ficando bastante popular por lá.
O primeiro álbum, This Was (1968), tinha na formação Ian Anderson, Mick Abrahams na guitarra, Clive Bunker na bateria e Glen Cornick no baixo. Abrahams também participou da composição desse disco, mas Anderson já era o membro dominante do grupo, e semanas depois do lançamento Mick saiu, tendo dois substitutos logo depois, um deles sendo Tony Iommi, que depois faria sucesso no Black Sabbath. Iommi ficou uma semana no Jethro Tull, chegando a aparecer no show ¨Rock ‘n Roll Circus¨ dos Rolling Stones, tocando ¨A Song for Jeffrey¨ com o Tull. O outro foi Davy O’List. Depois desse, veio finalmente Martin Barre, que é até hoje o guitarrista líder.
Seguiram-se os álbuns Stand Up (1969) e Benefit (1970), que proporcionaram aumento da popularidade do Tull. Stand Up marca a primeira participação do maestro David Palmer em um disco do Jethro Tull, proporcionando arranjos orquestrados. Palmer iria aparecer em todos os álbuns seguintes, até juntar-se oficialmente à banda em 1977. Em 1971, sendo a formação Ian Anderson, Martin Barre, Clive Bunker, John Evans nos teclados e Jeffrey Hammond-Hammond no baixo, foi lançada a obra-prima do Tull: Aqualung.
Desde o segundo álbum as letras de Ian Anderson vinham ficando mais sérias, mas em Aqualung suas letras chegaram ao ponto que ele queria. O álbum trata da distinção entre Deus e a religião, a relação do homem com Deus, e como a religião interfere nessa relação. Musicalmente eles se distanciaram do blues de suas origens e fizeram um som mais próximo ao hard rock e heavy metal (com magníficos riffs de Barre) mas recheado de influências folk. O grande público se identificou com o tema da alienação que permeia esse trabalho conceitual. Aqualung foi um dos maiores sucessos do rock ¨cerebral¨, tendo várias faixas (Hymn 43, My God, Cross-eyed Mary, Locomotive Breath, Wind-up e a faixa título) tocando constantemente no rádio.
Depois do lançamento do álbum e da turnê, Bunker saiu e foi substituído por Barriemore Barlow, e essa formação durou por um bom tempo. Em 1972, saiu Thick as a Brick, considerado por muitos o melhor disco do Tull. A banda entrou de cabeça no rock progressivo dos anos 70, sendo Thick as a Brick uma obra complexamente estruturada, consistindo de uma única música (dividida em duas partes) que seria o poema de garoto-prodígio de oito anos sobre a sociedade, com várias imagens surrealistas e comentários ferinos. Foi o primeiro #1 do Tull nos Estados Unidos.
A aceitação entre o público e a crítica continuou grande ao longo da grande carreira do Jethto Tull, que com o seu estilo extremamente peculiar (caracterizado pela flauta de Ian Anderson) tem uma legião de fãs cativos. O melhor período do grupo foi a década de 70, com excelentes álbuns (como Songs From the Wood e A Passion Play), mas o grupo manteve a sua consistência criativa durante os anos 80 e 90, sempre liderado por Ian Anderson, que além de gênio visionário e compositor de tarimba, é também milionário - o maior exportador de salmão da Europa!
(Colaborou: Lhama Marx)
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