Kiss

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por João Paulo Andrade
Enviar correções  |  Comentários  | 

Os quatro cavaleiros do apocalipse do Kiss não foram responsáveis pela introdução de teatralidade e fantasias nos shows de rock. Anos antes os New York Dolls já se apresentavam maquiados e Alice Cooper montava espetáculos de rock horror show. Foi do Kiss porém a responsabilidade de elevar a presença de palco e efeitos sonoros e visuais ao estado de arte, tão ou mais importantes que a própria música. O Kiss é uma banda de extremos, amada ou odiada, mas jamais colocada como apenas mais uma banda entre tantas outras.

401 acessosMarcos de Ros: Gene Simmons, o Capitalista Malvadão5000 acessosFotos de Infância: Evanescence

A característica mais marcante do Kiss foi escolher assumir personalidades alternativas a partir do momento em que entrassem no palco, protegendo suas identidades reais com fantasias e maquiagem pesada (que os tornava irreconhecíveis). O vocalista e guitarrista Paul Stanley (o da estrela) se tornava em um ser andrógino, encarnação do amor. O guitarrista Ace Frehley (o de maquiagem prateada) se tornava em um alienígena interplanetário. O baterista Peter Cris se tornava em um gato (ou tigre de dentes de sabre conforme outras versões). O baixista e vocalista Gene Simmons (o com cara de mau) por sua vez se transformava em um demônio, encarnação do mal.

Curiosamente a banda enquanto maquiada levava a sério seu papel e se apresentava em entrevistas como se realmente fossem seus personagens. Durante anos a identidade real de todos foi guardada a sete chaves. Como se isso tudo já não fosse marketing suficiente os shows eram muito mais do que espetáculos de som, luz e gelo seco. Entre outros pequenos detalhes a guitarra de Ace Frehley soltava fumaça e rojões em meio aos solos, o baixista Gene Simmons voava sobre a platéia, vomitava sangue e cuspia fogo (literalmente, sem truques, veja foto ao lado). A banda se anunciava como nada mais nada menos que a maior banda de rock da face da terra e por incrível que pudesse parecer fazia mesmo rock and roll de primeira qualidade em meio a todo esse marketing, maquiagem, fogo e sangue. As letras eram geralmente apenas exaltações ao sexo e rock and roll (sem drogas e sem temas sérios como política ou o lado ruim da vida).

Desde o início a banda foi comandada por Paul Stanley e Gene Simmons (um verdadeiro homem de negócios, com grande visão, que se escondia por trás da maquiagem de vampiro). No início da década de 70 montaram uma banda chamada Wicked Lester. Peter Criss e Ace Frehley seriam recrutados a partir de anúncios em revistas de música. Não pretendendo disputar com tantas outras bandas que surgiam e desapareciam a todo momento em Manhattan usaram o estrategema de divulgar seu show como o de uma banda já consagrada, pagando do próprio bolso bandas mais bem sucedidas para abrir seu primeiro show, distribuindo camisetas da banda gratuitamente e caprichando na produção visual. Convidaram para o show armado alguns empresários e olheiros de gravadoras. Conseguiram chamar a atenção de Bill Aucoin que imediatamente se ofereceu para ser seu manager e em algumas semanas já tinham um contrato com o selo Casablanca.

A banda escalou aos poucos as paradas com os álbuns que se seguiram, mas apenas com o seu primeiro álbum ao vivo, Alive (1975), se tornaram os superstars que marcariam uma geração. A música Rock And Roll All Nite se tornou um hit imediato e os álbuns que se seguiram (a começar por Destroyer, de 1976) seriam grandes sucessos de vendas.

A kissmania rapidamente tomou conta dos Estados Unidos. A imagem da banda estava em qualquer coisa que pudesse ser vendida, máquinas de fliperama, bonecos, máscaras, kits de maquiagem, cereais, escovas de dentes, etc. Obviamente fãs hardcore de hard rock não gostariam de ser associados a algo tão comercial e o que a início era apenas um distintivo da banda começou a fugir do controle, ficando maior do que a própria música que eles faziam. As performances de palco eram comentadas como ainda maiores e mais estapafúrdias do que a realidade e entre vários boatos chegou-se a noticiar que o Kiss sacrificava animais no palco e que Kiss era uma sigla para (entre outras versões) Knight's In Satan´s Service ou Kids In Satan´s Service (cavaleiros ou crianças a serviço de Satan). A coisa toda era noticiada de forma tão verídica que até hoje centenas de pessoas assumem isto tudo como verdade.

Além disso a fama instantânea exaltou os egos da banda, gerando atritos, principalmente entre Ace Frehley e Peter Cris (de um lado) e Paul Staley e Gene Simmons (de outro). Em 1978 foram lançados ao mesmo tempo álbuns solo dos quatro, como uma tentativa de apaziguar os ânimos (e conseguir alguns milhões de dólares a mais).

Peter Criss foi despedido da banda em 1980 e Anton Fig, baterista de estúdio, participou das gravações de Kiss Unmasked (até que fosse escolhido o substituto definitivo de Cris, Eric Carr). Os problemas que vinham se acumulando resultou em um disco fraco e pela primeira vez um fracasso comercial (pelo menos para uma banda acostumada a discos de platina seguidos) nos últimos anos. O álbum Music from the Elder de 1981 teve acolhida ainda pior e em 1982 Ace Frehley abandonou a banda, sendo substituído por Vinnie Vincent. O álbum que se seguiu, Creatures Of The Night (completado por músicos de estúdio), teve uma boa acolhida.

Para conseguir novamente lugar na imprensa para a banda já desgastada pela apresentação excessiva, o Kiss abandonou a maquiagem, conseguindo voltar à imprensa e aumentar as vendas, embora os álbuns não fossem obras primas como os de sua época de ouro.

Vinnie Vincent abandonou a banda em 1984, sendo substituído por Mark St. John, que logo desenvolveria uma doença nas articulações da mão, conhecida por síndrome de Reiter, tendo de ser substituído por Bruce Kulick. Em 1990 ocorreu uma outra tragédia, Eric Carr se descobriu com câncer e morreu em novembro de 1991 aos 41 anos, sendo substituído por Eric Singer.

Esta nova formação, apesar de todos os problemas, conseguiu gravar um grande álbum em 1992, Revenge, que juntamente com um novo registro ao vivo (Alive III) levou a banda de volta ao topo entre os grandes nomes do rock mundial.

Em 1996 o que deveria ser apenas uma reunião da formação original (Paul Stanley, Gene Simmons, Ace Frehley e Peter Cris) para tocar algumas músicas em um programa acústico (Unplugged) da MTV americana se transformou na reunião mais esperadas das últimas duas décadas. A banda voltou às maquiagens e iniciou uma imensa turnê mundial tocando as músicas da época de ouro das máscaras com um show igual ao dos velhos tempos.

Durante a "Farewell Tour 2000/2001", anunciada como a última da carreira, Peter Criss abandonou novamente o grupo, alegando motivos pessoais. Para substituí-lo foi chamado novamente Eric Singer, desta vez usando a maquiagem de gato consagrada por Peter.

Em 2002 é a vez de Ace Frehley novamente ser demitido da banda. Para seu lugar é contratado Tommy Thayer que também assume a maquiagem de Ace. No final do ano sai a coletânea "The Very Best Of Kiss".

Em 2003, novamente com Peter Criss na bateria, o Kiss toca na Austrália acompanhado de 60 músicos da Orquestra Sinfônica de Melbourne, todos com maquiagem. A apresentação renderia o álbum "Kiss Symphony: Alive IV". Como era de se esperar a banda sai novamente em uma grande tour, acompanhados do Aerosmith em muitas das datas.

No final da turnê com o Aerosmith, Peter Criss não renova seu contrato com a banda e Eric Singer novamente é chamado para a "Rock The Nation Tour", que durou o ano de 2004. Nesse mesmo ano saiu o disco solo de Gene Simmons, "Asshole", o segundo desde 1978.

Agradecimentos: Danny, Rodrigo Luis Dippold, João Paulo e Cleiton Cechetti e Marcel Afonso Acencio

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Paul StanleyPaul Stanley
"Guitarristas não aprendem a fazer base"

401 acessosMarcos de Ros: Gene Simmons, o Capitalista Malvadão483 acessosAce Frehley: "Anomaly" ganha versão deluxe; ouça música inédita762 acessosKiss: bicicleta de triathlon em edição limitada0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Kiss"

KissKiss
"Gene é viciado em sexo", diz Ace Frehley

Nikki SixxNikki Sixx
Detonando comentários "idiotas" de Gene Simmons

KissKiss
"Nossa maquiagem nunca garantiu o anonimato"

0 acessosTodas as matérias da seção Matérias0 acessosTodas as matérias sobre "Kiss"

Fotos de InfânciaFotos de Infância
Amy Lee, do Evanescence, muito antes da fama

Collectors RoomCollectors Room
Vinícius Neves, do Stay Heavy, mostra a sua coleção

Breast of the BeastBreast of the Beast
Miley Cyrus mostra peitinhos com camisa do Maiden

5000 acessosMulheres no Rock: as mais importantes segundo rádio inglesa5000 acessosMalmsteen: Slash, Vai, Satriani e Wylde falam do guitarrista5000 acessosGóticas: 10 grandes bandas do gênero na Inglaterra dos anos 805000 acessosBruce Dickinson: foi difícil evitar as drogas durante tours5000 acessosJim Morrison: Marianne Faithfull diz que namorado traficante o matou por acidente5000 acessosDrogas e Álcool: protagonistas nos piores shows de grandes astros

Sobre João Paulo Andrade

Sempre quis viver de Rock e/ou Heavy Metal. Tentou tocar baixo mas era tremendamente incompetente no instrumento. Em 1996 criou o site Whiplash.Net e hoje vive do seu sonho. :-)

Mais matérias de João Paulo Andrade no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online