Neil Christian & the Crusaders

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Por Márcio Ribeiro
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Curiosa banda esta the Crusaders. Banda inglesa da década de sessenta que continua praticamente anônima, todavia durante o inicio da explosão do rock inglês, conseguiu certa notoriedade. Antes da explosão dos Beatles, suas apresentações ao vivo geralmente lotavam, mas nos poucos compactos que a banda conseguiu lançar, nunca chegaram a se destacar. Apesar disto, por suas diversas formações passaram guitarristas que acabariam conhecendo notoriedade em outros projetos.
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The Crusaders nasceu da cabeça de Christopher Tidmarsh, rapaz de Hoxton - leste de Londres, que criou para si o nome artístico Neil Christian no verão de 1959. Sua banda foi montada com Jumbo Spicer no baixo e Tornado Evans na bateria. Depois, ao assistir um show de Johnny Kidd & the Pirates no Epsom Dance Hall, Neil repara no menino da bandinha local contratado para esquentar o publico antes do show principal. Empolgado com a habilidade deste guitarrista adolescente, contratou-o no ato como guitarrista principal dos Crusaders apesar dele ter apenas quinze anos de idade. Seu nome era James Patrick Page, mas todos o chamavam de Jimmy.

Foi com o jovem Jimmy Page que the Crusaders passou a realmente chamar atenção, oferecendo um repertório abarrotado de Chuck Berry e Bo Diddley. E aos poucos, de boca em boca, a noticia se espalhou de que essa banda tinha um guitarrista que precisava ser ouvido para se acreditar. Page logo estava recebendo da banda cerca de £20 por semana, isto em uma economia pós-guerra onde um motorista de ônibus mal recebia £10.

A banda aproveitando esta boa fase, procurou fazer o máximo de apresentações possíveis, principalmente no circuito do sul da Inglaterra, viajando em uma van velha que vivia quebrando. Aparentemente foram estas constantes viagens, com horas de tédio na estrada, alimentação irregular de valor nutritivo questionável, pouco sono e muito esforço físico que acabaram atacando a saúde do menino Jimmy Page, que desmaiou no camarim sem motivo aparente. Jimmy acabou sendo diagnosticado com febre glandular, desnutrição e princípio de bronquite. Triste, porém sereno, o jovem guitarrista conclui que não tinha condições físicas para viver de musica e se matriculou na Art School em Sutton. Levaria outro ano para novamente voltar a investir na guitarra.

Enquanto isso, Neil Christian & The Crusaders continuam com bastante shows para fazer e Jimmy é substituído por outro guitarrista hábil chamado Albert Lee. Todavia, sua Telecaster ficaria pouco tempo a serviço dos Crusaders, em parte porque Jimmy voltaria para tocar em alguns shows dentro de Londres. Contudo, quando a época de pegar a estrada chegou, era com Albert que a banda viajaria. Mas ao final do ano de 1963, Lee opta por deixar os Crusaders para tocar com Chris Farlowe & The Thunderbirds, banda com quem permaneceria pelos próximos quatro anos. Albert Lee continuaria durante a década de setenta a ter uma rica carreira como músico de estúdio, aparecendo em discos de artistas desde Eric Clapton à Emmylou Harris.

The Crusaders, essencialmente com a mesma formação, salva a rotatividade de guitarristas, passa a se apresentar durante o ano de 1964 com o guitarrista Phil McPill e mais o pianista Tony Mash. Segundo quem viu, McPill é lembrado como sendo um excelente guitarrista, contudo, após deixar a banda, sumiu do mapa. Durante este período, Jimmy Page já se tornara um respeitado músico de estúdio e com sua influência, acerta para que a banda passe a gravar os primeiros compactos. Várias destas faixas têm a participação do amigo Jimmy solando e ajudando no arranjo. Entre estas, estão “Honey Hush”, “I Like It” e o instrumental “Crusading”. A banda excursiona no exterior e cria uma enorme legião de fãs na Alemanha.

Em fevereiro de 1965, Tony Marsh deixou o grupo para tocar com Screaming Lord Sutch & The Savages. Com ele seguiram Avid Andersen e Tornado Evans, atraídos por um salário fixo melhor, deixando Neil Christian efetivamente sem banda. Neil não estando pronto ainda para aposentar procurou e encontrou na região de Luton uma banda que lhe pareceu satisfatória. Chamavam-se The Hustlers, contudo agora sob a liderança do Neil Christian, passam a assumir o nome the Crusaders. Esta nova formação consiste em Dave Cakebread no baixo, Graham Hill na bateria, Stan Thomas no sax, e para a guitarra, o desconhecido porém criativo guitarrista Mick Abrahams.

Esta formação duraria pouco mais do que três meses, e em junho, Neil dispensa a banda ficando somente com Mick Abrahams. Carlo Little que havia sido substituído nos Savages por Tornado Evans assume então a bateria dos Crusaders. Christian também contrata o tecladista Graham Waller e o baixista Alex Dmchowski. Gravam outro compacto, “That's Nice/She's Got The Action”. “That’s Nice” chegaria a No. 14, a melhor posição nas paradas que terão na carreira. Mas antes da canção ser lançada, esta formação dos Crusaders já se desintegrara. Carlo Little voltaria para os Savages, enquanto Alex Dmchowski iria tocar com John Mayall. Dmchowski aliás, viria a ter uma longa carreira como músico de estúdio trabalhando inclusive com Frank Zappa sob o pseudônimo de Erronious. Mick Abrahams e Graham Waller se mudariam para Manchester onde formam a banda Toggery 5. Abrahams depois voltaria para sua cidade natal, Luton, e no prazo de quase dois anos estaria formando o Jethro Tull.

Com o sucesso de “That’s Nice”, Neil Christian conseguiu convencer alguns ex-membros a voltarem aos Crusaders. Tornado Evans, Avid Andersen e Tony Mash retornam e trazem com eles outro ex-integrante dos Savages, o guitarrista Richie Blackmore. Excursionam Inglaterra e boa parte da Europa, com a Alemanha novamente sendo o ponto alto. Tamanho era o seu sucesso naquele país que Christian resolve dispensar a banda, se apresentando apenas com playback. Passa a morar em Munique por alguns meses onde grava e lança alguns compactos que só saíram na Alemanha.

Apesar do lucro certo, Neil acaba sentindo saudades de tocar e excursionar com uma banda de verdade. Assim, volta a Inglaterra e monta o que seria a última formação dos Crusaders. Nela, além de Neil Christian estão Matt Smith no piano e três membros dos Savages que andaram se apresentando agora como Lord Ceaser Sutch & The Roman Empire. São eles Richie Blackmore, Carlo Little e mais Tony Dangerfield para cuidar do baixo. Desiludido com o mercado inglês, Neil concentrou seus esforços na Alemanha onde lançam o compacto “You're All Things Bright And Beautiful”.

Não demoraria para Neil perceber que há mais dinheiro para ele em gravar discos e se apresentar em playback. Ao chegar o verão de 67, Neil Christian passaria a cuidar de sua carreira solo. Durante o restante da década, ele continuaria a lançar discos sob o nome Neil Christian & The Crusaders, apesar de The Crusaders não mais existirem na prática. As gravações contam com músicos variados reunidos apenas para a ocasião. Todavia o seu primeiro compacto alemão de 1968, “My Baby's Left Me / Yakity Yak”, oferece uma formação de ases ingleses com Nicky Hopkins no piano, Richie Blackmore na guitarra, Rick Brown no baixo e Carlo Little na bateria.

Tony Dangerfield e Carlo Little voltariam para Londres mantendo suas carreiras ativas, participando em várias outras bandas durante o restante da década de sessenta e parte da década seguinte. Matt Smith e Richie Blackmore continuariam na Alemanha, morando lá e ocasionalmente tocando juntos em uma banda chamado Mandrake Roots. Blackmore só deixaria a Alemanha em 1968, ao ser convidado a ajudar a montar o Deep Purple.

Como puderam perceber, Neil Christian & The Crusaders embora nunca tendo lançado mais do que um apanhado de compactos, viveram a curiosa façanha de ter uma grande variedade de guitarristas que se tornariam ídolos de várias gerações de fãs. Nada mal para um ilustre desconhecido. Seu grande defeito parece ser a escolha de repertório a ser gravado, um mal reconhecido pelo próprio Neil, que se desculpa dizendo que o material era imposto pela gravadora.

Pela maneira que seu estilo gravitou entre teen idol pop para imitação Mersey Beat e British R&B (sua melhor fase), até começar a lançar material beirando muzak, entendem-se as razões porque o grupo nunca conseguiu cativar ou convencer em nenhum desses gêneros. Em todo caso, recentemente saiu em CD uma coletânea do Neil Christian & The Crusaders, com praticamente todos os compactos lançados pelo grupo na década de sessenta (cuja capa você confere no início desta matéria).

Recapitulando os guitarristas que passaram pela banda, temos:

Jimmy Page – Yardbirds, Led Zeppelin, Firm
Albert Lee – Thunderbirds, Joe Cocker, Emmilou Harris, Eric Clapton
Phil McPill – deixou o ramo
Mick Abrahams – Jethro Tull, Blodwyn Pig
Ritchie Blackmore – Deep Purple, Rainbow

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Sobre Márcio Ribeiro

Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.

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