Rock Progressivo Italiano: segundo passeio pelo gênero
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 01 de janeiro de 2015
Dia 13 de dezembro, convidei os leitores para um passeio pelo rock progressivo italiano.
Proponho mais uma perambulada por essa vertente do rock que deixou pérolas pouco conhecidas.

ALPHATAURUS (1973), da banda homônima, traz uma pérola de quase 13 minutos, Peccato d´orgoglio. Começa meio jazz fusion, entra prum caminho meio lento, mas depois vem a onda de órgãos Moog e Hammond e o paraíso prog sinfônico começa. Duas canções curtas, sendo que a instrumental Croma traz trecho melódico inesquecível. Dopo L´uragano é a mais fraca sem ser ruim, mas a influência é mais hard rock e blues. As duas últimas faixas com seus quase 10 minutos cada retomam o clima sinfônico ao estilo EMERSON, LAKE & PALMER. Ombra Muta finaliza o álbum apoteoticamente, com semi-duelo de guitarra e órgão.

O BIGLIETTO PER L'INFERNO lançou álbum homônimo em 1974, com letras em italiano e vocais às vezes derrapantes, que não comprometem a boa qualidade do trabalho. Prog sinfônico ao estilo de GENESIS (fase Nursery Crymes) e JETHRO TULL, com pitadas de hard rock, como em Il nevare e Confessione que vem em versões com letra e instrumental. Ansia abre o álbum com estilo GENESIS fase Tresspass e grande trabalho dos órgãos, que se repete na alternadamente melódica e agressiva Uma Strana Regina, com sua descarga rápida de flautas a La JETHRO. Fã de prog sinfônico geralmente valoriza longas canções, porque gostamos de filigranas (pseudo-)eruditas, então os mais de 13 minutos de L’Amico Suicida tornam-se o chamariz da obra. Exceto pelo vocal ruim do começo, a faixa sacia gostos sinfônicos e o grupo evitou experimentalismos que arruinaram muitas canções do gênero. Ora, se curto sinfônico é porque sou mais conservador, quero longas suítes de música "clássica" plugadas na tomada. Há bandas que cortam o T com ruídos e esquisitices no meio das canções. Felizmente, isso não ocorre aqui.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | O LE ORME tem longa trajetória, tendo passado por diversas fases. Collage (1971) marcou a entrada da banda na seara progressiva e foi muito influenciado por grupos como o THE NICE. A faixa-título instrumental é um sonho pomposo de symphonic prog, repleta de órgãos e momentos que remetem à música erudita. As lentas Era Inverno, Immagini e as energéticas Cemento Armado e Sguardo Verso il Cielo trazem complexos momentos de piano, órgãos analógicos, alguma guitarra e bateria que agradarão a fãs de ELP e GENESIS. Evasione Totale tem um clima meio psicodélico a la THE DOORS, especialmente no teclado e certos trechos soam como experimentação Krautrock; não é prato muito apetitoso pra fãs de prog sinfônico, mas não chega a ser entediante, porque o clima de experimentação dá lugar a um órgão eclesiástico pra voltar a ser THE DOORS. Collage ainda não é o ápice prog de LE ORME, mas é lindo.

IL ROVESCIO DELLA MEDAGLIA inscreveu seu nome na história do rock progressivo com o fundamental Contaminazione (1973). A contaminação aludida é a do rock no mundo da música erudita, uma vez que o álbum é baseado em fragmentos do Cravo Bem Temperado, coleção de música pra teclado solo, de Bach. Tocando com uma orquestra, o RDM alterna momentos barrocos com roqueiros em esfuziante/virtuosa instrumentação e harmonias vocais. Instrumentos "eruditos" soando experimentalmente e instrumentos "roqueiros" adquirindo funções "clássicas". O álbum dá a impressão dum contínuo - com faixas curtas (pra prog 4 minutos não são nada) – sendo difícil destacar uma, mas tente La Mia Música e sinta a emoção do vocal e a beleza do arranjo. Indispensável pra conhecer Ítalo Prog.


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