O disco que Flea considera o maior de todos os tempos; "Tem tudo o que você pode querer"
Por Bruce William
Postado em 07 de dezembro de 2025
Quando se fala em Flea, muita gente pensa em baixo estalado, funk misturado com rock, mosh em estádio e aquela energia caótica que o Red Hot Chili Peppers leva pro palco desde os anos 80. Só que, por trás desse som cheio de groove, tem um cara que cresceu ouvindo jazz em casa, sonhando em ser trompetista e tentando copiar solos que nem de longe eram simples. É desse lado mais antigo da formação musical dele que vem o disco que, para Flea, está acima de todos os outros.
Red Hot Chili Peppers - + Novidades
Antes mesmo de ficar conhecido como baixista, ele se via como músico de sopro. Pegou o trompete ainda moleque, ouvindo as velhas gravações que rolavam no toca-discos da família e tentando acompanhar. Anos depois, quando já tinha passado por banda de hardcore, se enfiado no punk e misturado funk com rock dentro do Chili Peppers, Flea continuava voltando mentalmente para aquele LP específico que rodava sem parar na juventude.
O álbum em questão é "Kind of Blue", de Miles Davis. Em conversa com a Amoeba, Flea falou sobre o disco sem medir o impacto das palavras: "Acho que é o maior disco já feito. Ele tem tudo o que você pode querer. Tem violência, tem um amor poético profundo. Este é o único disco da minha vida que eu ouvi mais do que qualquer outro."
Lançado em 1959, "Kind of Blue" marcou a fase em que Miles mergulhou de vez na harmonia modal, com temas como "So What" e "All Blues" construídos em cima de poucas estruturas, mas abertos para improvisos longos e cheios de nuances. Mesmo quem não acompanha jazz no dia a dia costuma reconhecer o clima daquele disco: bateria contida, baixo sustentando o chão, pianos e sopros desenhando linhas que vão se encaixando aos poucos. Flea cresceu ouvindo esse tipo de abordagem, muito diferente do rock de três acordes que ele viria a tocar no futuro.
Ele próprio já contou que passava horas tentando reproduzir as frases de Miles no trompete, errando um monte de notas, mas absorvendo a lógica de deixar a música respirar e construir tensão com poucos elementos. Quando migrou para o baixo e entrou de vez no universo do punk, do funk e depois do Chili Peppers, esse aprendizado continuou ali, meio escondido. Em discos como "Blood Sugar Sex Magik", dá para perceber que, por trás dos slaps explosivos de músicas como "The Power of Equality" ou "Funky Monks", existe alguém acostumado a pensar em dinâmica, espaço e repetição de um jeito que lembra mais um grupo de jazz do que uma banda de rock tradicional.
A admiração de Flea por Miles não para em "Kind of Blue": ele também já citou "Bitches Brew" como outro marco, justamente por fazer a ponte entre jazz e rock que mais tarde influenciaria gerações de bandas pesadas. Ainda assim, é o álbum de 1959 que ele coloca no topo de tudo, como uma espécie de referência definitiva. Para um músico que já tocou com nomes tão diferentes quanto Young MC, Thom Yorke e, claro, o próprio Red Hot Chili Peppers, não é pouca coisa dizer que nenhum outro disco marcou tanto quanto esse, o que deixa claro que, para Flea, rótulo pouco importa: o que fica é a combinação de melodia forte, liberdade de improviso e aquele tipo de intensidade que faz um músico passar a vida inteira voltando para o mesmo LP.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Por que Iron Maiden nunca será grande como Metallica, segundo Bruce Dickinson
Capital Inicial cancela shows nos Estados Unidos após vistos negados
Rush é parado na fronteira dos Estados Unidos com o México e precisa adiar show
20 bandas que nunca lançaram um disco ruim, de acordo com a Metal Hammer
Rhapsody se despedirá com formação clássica ao lado do Epica na América do Sul
A música do Anthrax que Andreas Kisser considera "quase prog"
Dave Lombardo conta que "névoa mental" o fez usar anotações nos shows
Ripper Owens: "Há uma razão pro Iron Maiden tocar pra 20 mil e o Judas pra 5 mil"
Megadeth toca "Puppet Parade" pela primeira vez ao vivo
O cantor de prog metal que foi cotado para substituir Bruce Dickinson no Iron Maiden em 1993
O que torna o Slayer diferente, na opinião de Dave Mustaine
A grande omissão do Rock and Roll Hall of Fame segundo Steve Stevens
Steve Harris foi único membro do Iron Maiden a receber Paul Di'Anno em show, revela documentarista
Os dois clássicos do Judas Priest que Ripper Owens não queria cantar no Masters of Voices
A crítica que o Moonspell recebeu por algo que Lacuna Coil e In Flames também fizeram


O maior álbum do Queen para Chad Smith; "Eu sempre aumento o volume"
O músico que voltou do fundo do poço para salvar o Red Hot Chili Peppers
As bandas clássicas e nem tanto que estarão no novo game dos criadores do Guitar Hero
Os dias em que Anthony Kiedis quase morreu (foram muitos)
O dia em que Flea parou de zoar o hair metal por causa de uma banda muito foda
De AC/DC até Slipknot, 140 músicas que superaram 1 bilhão de plays no Spotify
O músico que tocava demais e por isso foi cortado de álbum de Roger Waters
Regis Tadeu diz que "Californication", do Red Hot, é para quem foi criado pela avó
10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra


