Lemmy: "Coleciono apenas material nazista, não as ideias"

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Por Ronaldo Costa, Fonte: Blabbermouth
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Michael Deeds, do IdahoStatesman.com, conduziu em setembro de 2010 uma entrevista com Lemmy Kilmister, líder do MOTÖRHEAD. Alguns trechos podem ser conferidos abaixo.

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David Draiman, frontman do DISTURBED, em entrevista à revista Revolver, teria feito comentários fortes com relação a músicos que colecionam itens nazistas. Quando foi perguntado sobre artistas como Lemmy Kilmister e Jeff Hanneman (guitarrista do SLAYER), que supostamente colecionariam artefatos nazistas, Draiman teria sido enfático: "Isso é ofensivo a meu ver. Não entendo esse fascínio. É a mais provocativa imagem da qual você pode lançar mão e é por isso que algumas pessoas a usam. E se esse é o objetivo delas, provocar, acho que estão conseguindo isso."

Lemmy, que já teria sido visto usando cruzes e quepes da Força Aérea Alemã do período nazista, se defendeu dizendo que apenas coleciona itens e artefatos da história da guerra. Draiman replicou: "Eu não dou a mínima para quem seja. Se você vai mesmo empunhar símbolos nazistas, eu terei um problema com você, já que não entendo como alguém pode achar legal ou que está tudo OK em usar algo que simboliza a aniquilação e o genocídio do meu povo. Eu não acho legal, não acho que esteja tudo OK e não há desculpas e nem explicação para isto."

Em julho de 2008, a justiça da Alemanha teria anunciado que acompanharia com interesse o vocalista/baixista Lemmy Kilmister (matéria divulgada na época aqui no Whiplash), pelo uso de um quepe do regime nazista em uma propaganda de show no país. Em anúncio da apresentação da banda no país, imagens do músico com o quepe foram divulgadas com informações do evento. As leis do país proíbem o uso de qualquer símbolo ou saudação que se refira ao regime nazista.

Na época, em face à polêmica, Kilmister teria afirmado ser contrário a qualquer forma de racismo e que não coleciona materiais da cultura nazista especificamente, e sim dos países do chamado Eixo.

"Eu não coleciono apenas material nazi, eu coleciono quaisquer objetos pertencentes aos 'países do eixo'. Também coleciono objetos de países que nem sequer são mencionados mais como parte do eixo, tais como Letônia, Lituânia, Estônia, Finlândia, Hungria. OK, no final quando perceberam que os Alemães estavam perdendo, todos eles disseram, 'Nós não somos nazistas'. Porém, cinco anos antes eles falavam, 'Yeah!'".

Na época, quando perguntado onde ele conseguia os objetos que coleciona, Lemmy respondeu, "O EUA é um ótimo lugar para conseguir e colecionar esta merda pois os GIs (soldados de infantaria) trouxeram tudo para a América. Eles tomaram armazéns cheios de uniformes, carros Mercedes. Um cara trouxe um Focke Wulf 190 em pedaços e o reconstruiu na América. Agora, ele possui o único FW 190 em todo o mundo. Eu comprava algumas coisas na Alemanha, mas agora você não pode mais ter coisas como facas e voltar para casa de avião. Há cinco ou seis lojas especializadas em Hamburgo. Eles anunciam isto. Qual o problema, então? Não é um tipo de coisa nacionalista. O que você deve fazer? Fingir que nunca aconteceu?".

Sobre a questão se as pessoas devem usar os uniformes, Lemmy teria declarado: "Eu vou te dizer uma coisa sobre História. Desde o início dos tempos, os maus sempre tiveram os melhores uniformes. Napoleão, os confederados, os nazistas. Todos eles tinham uniformes matadores. Quero dizer, o uniforme da SS é brilhante! Eles eram as estrelas de rock da época. O que você vai fazer? São legais."

"Eles tinham um visual legal. Não me diga que sou nazista porque eu tenho o uniforme", teria comentado ele, segundo o site New York Waste. "Em 1967 eu tive a minha primeira namorada negra e várias outras desde então. Eu nunca entendi o racismo, nunca foi uma opção para mim", completou o roqueiro."

Sobre ter sido a matéria principal, com um vasto perfil, numa edição da revista Rolling Stone em 2009:

Lemmy: "Aquilo foi engraçado, pois o jornalista veio até minha casa que, devo dizer, chega a se parecer com um santuário ao nazismo. Mas aquilo tudo é apenas a minha coleção. Não dava para guardar tudo num armário, não caberia. Eu coleciono apenas material, não as ideias nazistas."

Sobre o lendário cantor Ronnie James Dio, vítima de um câncer no estômago:

Lemmy: "Bem, é duro. Além de ter sido um grande amigo, depois que ele nos deixou eu fiquei sendo agora o mais velho, pois ele era mais velho que eu apenas uns seis meses."

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Sobre Ronaldo Costa

Nascido na capital paulista em meados dos anos 70, teve a sorte de, ainda bem jovem, descobrir por meio de um primo o debut do Iron Maiden. Quando ouviu “Prowler” pela primeira vez, logo entendeu que aquilo passaria a fazer parte de sua vida. Gosta sobretudo dos clássicos, como Maiden, Judas, Sabbath, Purple, Zeppelin, Metallica, AC/DC, Slayer, mas ouve desde um hard bem leve até um bom death metal. Além da paixão pelo metal e pelo rock em geral, também adora cinema e um bom futebol.

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