Em 06/11/2012 | Resenha - Slash (Espaço das Américas, São Paulo, 06/11/12)

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Resenha - Slash (Espaço das Américas, São Paulo, 06/11/12)


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Slash lançou no ano passado aquele que pode ser considerado seu álbum mais pesado (por favor, não confundam com mais rápido ou mais furioso). Ao mesmo tempo, é um disco que reúne diversas nuances, através de músicas tão diferentes, mas que por uma magia que só o Rock and Roll poderia proporcionar, se complementam de maneira única e concisa. O eterno ex-guitarrista do Guns n’ Roses esteve na noite de terça-feira (06/11/2012) no Espaço das Américas apresentando um repertório baseado em seu mais recente álbum, “Apocalyptic Love” – mas que reservou outras surpresas...

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Foto: Leandro Anhelli

Este que vos escreve reside em Sorocaba (interior de São Paulo) e, infelizmente, chegou a tempo de ver somente as quatro últimas canções da fantástica banda alemã Edguy, que foram “Vain Glory Opera”, “Save Me”, “Superheroes” e “King of Fools”. Foi um espetáculo glorioso, muito embora ainda lamente o atraso que nos impossibilitou de ver o show completo. Mas o melhor estava mesmo por vir...

Pontualmente às 21h30, Slash, Myles Kennedy (vocal), Todd Kerns (baixo e vocal), Brent Fitz (bateria e vocal) e o músico contratado para a turnê Frank Sidoris (guitarra) subiram ao palco, e foi incrível perceber como somente a presença dos músicos já causa euforia na plateia. Sendo assim, a banda abriu a apresentação com “Halo”, uma das melhores faixas do mais recente disco – e a receptividade para com as canções que Slash vem produzindo em sua carreira solo mostram que o guitarrista encontra-se em sua melhor e mais popular fase desde o início dos anos 1990. Mas o primeiro momento de catarse coletiva veio com a segunda canção: “Nightrain”, canção gravada pelos Guns n’ Roses em 1987 no clássico “Appetite for Destruction” – posso jurar que não havia um que não cantasse toda a letra a plenos pulmões, e a energia no Espaço das Américas era qualquer coisa de absurda e fantástica.

Na sequência, Slash e cia. mandaram uma trinca de canções da carreira solo: “Ghost”, que abre o auto-intitulado “Slash” (2010), foi cantada a plenos pulmões; “Standing in the Sun”, do novo disco, teve ótima receptividade, mas nada que se compare a “Back from Cali”, também do primeiro disco do guitarrista, que foi entoada de maneira emocionante pela plateia. Interessante notar que essa canção foi executada com meio tom abaixo do original – talvez uma questão técnica. Em seguida, uma pincelada pelos tempos de Slash’s Snakepit com “Just Like Anything”, do álbum “Ain’t Life Grand” (2000), que proporcionou um dos momentos mais curiosos do show: ao contrário do ano passado, poucos conheciam essa canção, mas quem conhecia berrava o refrão. Contrastes...

Talvez atendendo aos inúmeros pedidos que se seguiam desde a abertura, Slash tocou os primeiros acordes de “Civil War”, levando a multidão ao delírio. Essa música é carregada de emoção e ficou ainda mais com as milhares de vozes que entoaram suas palavras de cunho político e/ ou pacifista. Na sequência, outro clássico dos primórdios de Guns n’ Roses: “Rocket Queen” que, no meio, teve um belo solo de guitarra do guitarrista de cartola. Em alguns momentos, esse solo lembrou – e muito – a melodia de “Stayin’ Alive”, dos BeeGees, mas não dá pra saber se foi intencional. E não há como não ressaltar a inacreditável interpretação vocal de Myles Kennedy – pode parecer exagero, mas o que fica evidente é que Myles pode cantar o que quiser e não peca por excessos. O show apresenta músicas muito diferentes, cantadas por diferentes vocalistas, um extremamente diferente do outro, e tudo soa perfeito na voz dele. Slash parece ter encontrado seu vocalista ideal desde que começou a trabalhar com Myles. Sorte a dele, e nossa também.

Após a dobradinha de Guns n’ Roses, vem “Shots Fired”, grata surpresa do novo álbum, que rendeu um belo momento de interação entre Myles e a plateia, principalmente durante o refrão, que foi belamente cantado por todos os presentes. E então, uma relaxada com “Far and Away”, outra do novo disco, com direito a alguns belos fills de guitarra tocados pelo próprio Myles. E eis que quem assume os vocais é Todd Kerns, e que vocais! O baixista demonstrou ser também um excelente vocalista, com muita pegada, atitude e um alcance incrível! Foi o que demonstrou durante “Doctor Alibi” (que Slash gravou com Lemmy Kilmister, do Motörhead, para seu primeiro álbum solo) e “You’re crazy”, outro clássico do Guns n’ Roses, também do primeiro disco da banda. “No More Heroes”, quinta faixa do novo álbum, é uma daquelas músicas capaz de levantar estádios inteiros só pelo refrão; trata-se de um Rock pra cima e com cara de hino mesmo, ótimo tema! E a animação mais uma vez dá lugar à emoção com a execução de “Starlight” (que também foi executada com meio tom abaixo em relação à gravação original). Mesmo após dois anos de seu lançamento, ela ainda soa maravilhosa e é uma das músicas onde Slash despejou mais feeling em toda a sua carreira – e a voz de Myles Kennedy foi decisiva para o resultado final. Nem preciso dizer que foi outra canção entoada pelos milhares de fãs presentes.

Slash iniciou então um solo de blues, sendo acompanhado pela sua banda que fazia o “pano de fundo” para a apresentação do guitarrista. Foi interessante e até engraçado que alguns tenham dito que o solo parecia trilha sonora de filme pornográfico, enquanto outros respondiam que mais parecia trilha sonora de alcoólico depressivo em beira de estrada – qualquer um tem a cara do Slash (quem conhece sua história entenderá). A segunda parte deste solo emocionou e arrepiou pela técnica de Slash, que nunca deixa o feeling de lado; a guitarra simplesmente fala e chora em suas mãos. Isso serviu para introduzir aquela que nove entre dez fãs têm considerado como a melhor composição do novo disco: “Anastasia”. Essa música tem uma pegada fantástica, mas hei de fazer uma observação que provavelmente gerará críticas: ela tem um solo estendido demais, tanto na versão em estúdio como (e principalmente) ao vivo, mas isso nem de longe tirou o brilho da canção. Afinal, Slash é o showman da vez, não?

Veio então a última canção do novo álbum executada na noite, que não poderia deixar de ser “You’re a lie”, a primeira canção de trabalho do disco – e nem preciso dizer qual foi o efeito que causou na plateia. Mas é óbvio que, quando se fala de “Sweet Child o’ Mine”, não há discussão – a alegria tomou conta de todos de vez (se é que já não o tinha feito), e foi lindo ver todos pulando uniformemente durante a introdução, naquela parte em que entra a bateria. E é impagavel ver e ouvir todos cantando o solo de guitarra junto com Slash, mas foi mesmo durante as estrofes e principalmente durante o refrão que todos os presentes encobriram facilmente a voz de Myles Kennedy! Veio então o fim, com “Slither”, a única canção do Velvet Revolver lembrada durante o show. Ótimo momento e, então, rápida pausa.

Não demorou muito para Slash e sua banda voltarem ao palco, e o que se seguiu foi um momento tão catártico quanto – ou talvez até mais – que “Sweet Child o’ Mine”. Slash trouxe seus companheiros mas Myles Kennedy não veio, deixando que claro que quem cantaria seria novamente o baixista Todd Kerns. Quando as primeiras notas de “Welcome to the Jungle” começaram a soar e em seguida Todd começou a cantar a música, praticamente não se ouvia a banda. Mas é lógico que todos se calaram quando aqueles maravilhosos solos foram executados pelo cabeludo de cartola. Sem muita frescura, Myles voltou ao palco enquanto já soavam as primeiras notas de “Paradise City”, que encerrou uma brilhante apresentação com show de luzes, papel picado e muito barulho e Rock and Roll.

Slash vem ensinando gerações como se deve fazer um Rock and Roll puro e sem firulas, com seu jeito simples e único de tocar, seu timbre inconfundível e uma banda completamente respeitável, para dizer o mínimo. Passando por toda a sua carreira, dificilmente há algum disco que se possa criticar. Deve ser por isso que qualquer show que ele faça seja um espetáculo à parte, e obrigatório para quem diz curtir o puro Rock and Roll feito por uma Les Paul plugada em Marshalls. E que venham mais shows de Slash – não à toa, considerado o último guitar hero da história.

SETLIST:

1. Halo
2. Nightrain
3. Ghost
4. Standing in the Sun
5. Back from Cali
6. Just Like Anything
7. Civil War
8. Rocket Queen
9. Shots Fired
10. Far and Away
11. Doctor Alibi
12. You’re crazy
13. No More Heroes
14. Starlight
15. [Blues Jam]
16. Anastasia
17. You’re a lie
18. Sweet Child o’ Mine
19. Slither
20. Welcome to the Jungle
21. Paradise City

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Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO – Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com “Bring Me to Life” do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi “Fear of the Dark” (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

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