O clima esquentou na noite de sábado no Music Hall, em Belo Horizonte, mesmo com o frio que fazia. Mas não era para menos, sete bandas de metal subiram aos palcos da antiga danceteria Hippodromo, localizada na região leste da capital mineira. O poderoso Torture Squad de São Paulo comandou a pancadaria.
O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.










Scourge
Vindos de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, o Scourge foi a terceira atração da noite. Mesmo divulgando ainda o seu primeiro disco o “On the Sin, Death, Lust and Hate” a banda é formada por dois antigos membros do Cirhossis, banda que despontou na década de 1980. Juarez (baixo e vocal) e Fernando (bateria) juntos ao guitarrista Marcelo, enfim, subiram ao palco para descarregar o death metal do Scourge nos ouvidos dos headbangers que estavam lá. No setlist, sete músicas do debut, lançado em 2010, e, por fim, um cover do lendário Sarcófago: “Midnight Queen”; presente também no disco “Alcoholic Death Noise” dos tempos de Cirrhosis.
«Nota do redator» Estive com os integrantes do Scourge, no início da tarde de sábado, para uma entrevista pela Radiowebroots.com e tive a oportunidade de ter um contato maior com eles. Pessoas da melhor qualidade que vieram na raça para tocar na capital. De carro, demoraram oito horas para chegar em BH. Após a entrevista, feita na loja Cogumelo, era hora do almoço e comemos algo ali no Centro mesmo. Logo em seguida, eles foram direto para a porta do Music Hall, acompanhados do Arthur da “Just Kill The Time” e do Sidinei, da banda Masturbator (SP), passar as seis horas que faltavam para o show. Admirável a vontade deles em viajar para tocar. A troco disso mesmo, tocar metal.
De volta à barulheira de BH
O Silvercrown foi banda da vez. Com cinco integrantes que correm pelo palco o tempo inteiro, eles fazem um show bastante animado. A apresentação foi um pouco mais longa que as anteriores, com cerca de 40 minutos de show. Assim eles tiveram mais tempo para interagir com o público.
Por falar em agito e animação sobre o palco, era hora do Tormento quebrar tudo. O thrash metal de muito boa qualidade arrancou reações extremamente positivas do público, as maiores até aquele momento. O show do Tormentor lembrou uma outra banda de thrash que passou por BH, naquele mesmo palco, no mês passado: o Violator, de Brasília. O Violator mais evoluído e rodado, mas o Tormentor tem um bom futuro.
A última antes do Torture Squad foi o Lustful que tinha a apresentação como incerta pelo desfalque do baixista Josias. Ele teve que deixar o local antes do show por motivos pessoais, mas o show aconteceu. Mesmo assim, sem o tom grave do baixo, o Lustful mostrou um som vigoroso e extremamente pesado. A mão pesada de Márcio na batera se destacou na execução das músicas. Aos amantes de death metal que não conhecem, esta banda é altamente recomendável.
Torture Squad
Já se passavam das duas horas da madrugada quando o Torture Squad veio ao palco. Turnê do disco AEquilibrium, lançado no ano passado, e uma novidade na guitarra. André Evaristo é o novo responsável pelas seis cordas deste cometa que mistura o thrash e o death metal em seu som.
De trás de seu grande kit, surge o baterista Amilcar para saudar os headbangers segundos antes de começar a pancadaria. Com duas do novo disco “Generation Dead” e “Raise Your Horns” antecederam a estraçalhante Living For The Kill, do disco Hellbound (2009). O set foi, obviamente, dividido entre músicas do AEquilibrium e outras dos discos anteriores.
Um passeio pela “bela e pacata” cidade mais aterrorizante do Iraque. “Holiday In Abu Ghraib” começava destruindo e convidando os bangers para abrir um grande mosh e muita “bateção” de cabeça.
Depois dessa pancada, o vocal Vitor apresenta como influência do blues “The Spirit Never Dies”. O início em um blues bem típico é substituído pelo som pesado que acompanha a mesma melodia do início. Uma sacada simplesmente fantástica do Torture nessa música.
Para dar um descanso no disco AEquilibrium, Horror and Torture, do Pandemonium, um clássico absoluto da banda feito pra abalar as estruturas de qualquer casa de shows. Vale destacar a presença de palco e a velocidade do novo guitarrista, ele que entrou na banda este ano, se mostrou totalmente adaptado e no mesmo compasso dos outros integrantes. A próxima Mad Ilusions é outro clássico da banda e, desde 1999, presente no disco Asylum of Shadows.
Storms, um convite a banguear! Seguida de Abduction Was The Case, do The Unholy Spell e Black Sun foram uma preparação de terreno para o que vinha pela frente. As duas mais esperadas da noite pela maior parte do público em seqüência. Dobradinha de Pandemonium e Chaos Corporation, músicas consagradas da cena nacional de metal extremo, vieram antes de uma pequena pausa para as duas últimas, Convulsion e The Unholy Spell, do disco de mesmo nome e relançada no AEquilibrium, como bônus.
Encerrava ali uma longa noite de metal de diversas naturezas no Music Hall. Além de bandas de Belo Horizonte que estão na ativa e na correria diária, o Scourge como representante do interior e uma amostra do que o Torture Squad prepara para o Wacken Open Air, na Alemanha, durante o verão europeu.
Setlist da banda Scourge
1. Return Of The Dead
2. Preachers Of Carnage
3. The Other Face
4. On The Sin, Death, Lust and Hate
5. Rhivhotrhil
6. The Cry Of Lost Souls
7. No Past, No Tomorrow
8. Midnight Queen (cover do Sarcófago)
Setlist do Torture Squad
1. Generation Dead
2. Raise Your Horns
3. Living For The Kill
4. Holiday In Abu Ghraib
5. The Spirit Never Dies
6. Horror and Torture
7. Mad Illusions
8. Storms
9. Abduction Was The Case
10. Black Sun
11. Pandemonium
12. Chaos Corporation
13. Convulsion
14. Unholy
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