Em 11/10/2005 | Resenha - Megadeth (São Paulo, 11/10/05)

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Resenha - Megadeth (São Paulo, 11/10/05)

Por Felippe Facincani

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São Paulo, 11 de outubro de 2005 certamente é um dia para guardar na memória de todos os amantes do bom e velho rock and roll ou mais especificamente, do apoteótico thrash metal. Em meio a especulações e também esperança daqueles fãs mais obstinados por sua banda, o Megadeth foi uma das atrações mais aguardadas de 2005 no Brasil. Afinal, o show de São Paulo poderia ser um divisor de águas para a música com um possível fim da banda sendo anunciado.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

Dias antes de iniciar a turnê pela América do Sul, Dave Mustaine, líder e guitarrista da banda, disse que o anúncio oficial da continuação ou não do quarteto seria feito no dia 9 de outubro de 2005, em Buenos Aires. Azar dos brasileiros por alguns instantes não terem virado história, mas sorte por outro já que o espetáculo no Credicard Hall seria sensacional em todos os sentidos, como o último na cidade ou o primeiro no Brasil após quase 7 anos de ausência com direito a bis num futuro.

Pois bem, mal Dave havia dito que o Megadeth continuaria e os fãs já se perguntavam sobre novas gravações, CDs e, claro, como seria o show no Brasil. Por que tanta bajulação aos hermanitos e, para nós, nada?

Nada? Bem, não seria essa a palavra correta, afinal às 23h10 da noite, após quase 1h20 de concerto do Apocalyptica, banda instrumental que tira de 4 violoncelos o mais puro heavy metal, Dave Mustaine e sua trupe afundam o palco do Credicard Hall com a paulada “Blackmail the Universe”, tema de abertura do último álbum “The System Has Failed”, fazendo estremecer a platéia que se aglomerava na pista ou que se sacudia como podia no local.

Mal acabava a música e outro tiro da banda começava, com “Set The World Afire”, do conceituadíssimo “So Far, So Good, So What?”. Logo após, o jogo muda de figura com “Skin O´My Teeth” e volta ao novo trabalho com a cadenciada e sombria “The Scorpion”. Até aqui, a banda mostrava o quanto perfeita ao vivo era, ao contrário de 98 quando alguns problemas com som ocorreram.

Logo após essas quatro músicas, Dave deu o “Boa Noite” básico, disse o quanto era bom rever a galera brasileira mas que eles ainda não haviam ouvido nada do que prometeria o concerto. Pois bem, com uma seqüência matadora, “Wake Up Dead”, “In My Darkest Hour”, “Die Dead Enough”, “She Wolf” e “Reckoning Day”, o Megadeth mostrou que além de um setlist bem trabalhado cronologicamente, relatava que a banda estava mesmo de volta às origens e que não esqueceu dos fãs fiéis que ao longo dos anos pediam algo pesado ao contrários dos álbuns que sucederam o “Cryptic Writings”.

Um dos ápices do show foi quando Dave empunhou sozinho sua guitarra, foi à beira do palco e puxou “A Tout Le Monde”, cantada em coro pelo público. Após o belíssimo momento, "Angry Again", "Hook In Mouth", "Something I'm Not", "Hangar 18", "Return To Hangar", "Of Mice And Men", "Tornado Of Souls", "Trust", "Train Of Consequences" e a porrada “Kick The Chair”, fazem mais uma vez o Credicard Hall ruir.

A introdução começa e o povo já começava a pular com os primeiros acordes de “Symphony Of Destruction”, cantada de pé até pelos presentes na platéia superior, onde estão as cadeiras e o conforto.

Depois, “Sweating Bullets” rasga a cena juntamente com “Peace Sells” e acabam até virando uma entrada magistral para “Paranoid”, coverizada do Black Sabbath no “Hidden Treasures” e que explodiu o público, já que antes da música, Dave brincava em acordes alternados, sem dar a entender para o pessoal que viria a ser um dos maiores clássicos do rock, que na versão thrash do Megadeth ficou perfeita.

Após também brincar em “Paranoid”, cantando até “Happy Birthday” para um dos produtores aniversariantes, Mustaine apresentou a banda que trouxe a perfeição dos estúdios para o palco paulista, com Glen Drover na guitarra, James MacDonough no baixo e Shawn Drover na bateria.

Ao final, como já esperado, “Holy Wars...The Punishment Due”, sacudiu de vez o local, levantou platéia, arrastou a multidão na pista e fez chorar de emoção o mais puro amante de heavy metal que viu de perto um concerto perfeito, que após a clássica música, trouxe de bandeja "Silent Scorn" para dar um ponto final ao espetáculo.

“See You Again Guys...” disse Dave Mustaine, se referindo à banda que promete sobre rumores ainda voltar ao final de 2006 para São Paulo, e quem sabe com novo CD nas mãos. No próximo semestre deveremos ter em mãos um CD e um DVD ao vivo dessa turnê de “renascimento” do Megadeth.

Set List:
Blackmail The Universe
Set The World Afire
Skin O' My Teeth
The Scorpion
Wake Up Dead
In My Darkest Hour
Die Dead Enough
She-Wolf
Reckoning Day
A Tout Le Monde
Angry Again
Hook In Mouth
Train Of Consequences
Hangar 18
Return To Hangar
Of Mice And Men
Tornado Of Souls
Trust
Something That I'm Not
Kick The Chair
Symphony Of Destruction
Sweating Bullets
Paranoid
Peace Sells
Holy Wars... The Punishment Due
Silent Scorn

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