Em 10/07/2000 | Resenha - Iron Maiden (Monza, Itália, 10/07/00)

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Resenha - Iron Maiden (Monza, Itália, 10/07/00)


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Nota: 10

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BRAVE NEW CONCERT

A chegada

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“Você vai ter que virar logo ali a direita e subir as escadas”, respondeu em italiano o simpático rapaz que tomava conta da bombonière no aeroporto DaVinci em Roma, na Itália. Como eu realmente tinha que comprar um cartão telefônico, segui as instruções e fui ao piso acima. Cartão na mão, desci e procurei um telefone afim de relatar que atrasaria em uma hora meu vôo para Milão, onde um jornalista de uma revista de metal italiana deveria me apanhar.

Depois de muito sufoco para descobrir como se usava aquele cartão (como eu ia adivinhar que era preciso quebrar a ponta do dito cujo para funcionar?), liguei apenas para constatar que não havia ninguém em casa – Fulvio, o jornalista, já tinha saído para me buscar no aeroporto. Fazer o quê? Dá-lhe esperar.

Duas horas depois eu aportaria no aeroporto de Malpensa, em Milão. Como já era de se esperar, nada de Fulvio. E agora, José? Dá-lhe esperar de novo.

Cerca de 40 minutos depois – e depois de inúmeras tentativas telefônicas – o telefone finalmente é atendido. “Alô? Fulvio?”, foi o que consegui dizer antes que ele indagasse confuso “onde diabos está você?!?!”

Explicações dadas, o cara teve que sair de casa uma vez mais para ir até o aeroporto, a cerca de quarenta minutos de onde mora – ele tinha acabado de sair do aeroporto quando eu cheguei. Mas desencontros à parte, daí em diante a coisa tomou rumo – no carro, a caminho do lar, doce lar, pude ver a planta do festival Gods of Metal, que os promotores concederam aos jornalistas que cobririam o show. Pude ver também, antecipadamente, o set list das bandas – incluindo o do Iron Maiden.

Ao som de “Brave New World” no carro, íamos conversando sobre o CD novo e sobre como seria o show. Trocamos informações sobre a banda e verificamos a veracidade de algumas fontes. Ambos ouvimos relatos de que no Dynamo Open Air – festival acontecido há 4 dias antes (Sábado, dia 03) – o grupo não havia usado nenhum tipo de fogo de artifício e que não havia nada de pirotecnia. Um tanto temerosos, rezamos para que, se fosse verdade, eles mudassem de idéia quando tocassem no Gods of Metal, a ser acontecido na cidade de Monza, dia 10 de Junho.

Chegando – finalmente – em casa, pude dar uma olhada na imensa coleção que o cara possui do Iron Maiden, alojada em um quarto só para isso. Consegui encontrar até vinis em versão brasileira da Donzela, entre artigos raríssimos – e caríssimos. Assisti na casa dele, em vídeo, a quase todos os shows que o Iron Maiden já fez na Itália e pude até ver alguns shows que o grupo fez no Brasil. Por fim tive a chance de saber o que realmente aconteceu no show de Milão quando aconteceu o desentendimento da banda com a platéia: um idiota estava soltando rojões no palco e um caiu bem próximo a Blaze. O Roadie correu e pegou o dito cujo, que explodiu em sua mão. Steve, fulo, foi à frente do palco dar um escalde no sujeito.

Assistimos também ao épico show no Chile, onde o quebra pau é ainda maior. E, por fim, vimos um outro show em que um demente cuspia em Steve Harris. Foi entusiasmante ver Bruce parar tudo e ir até lá na frente gritar com o babaca, dizendo que estava esperando ele ter coragem de fazer isso cara-a-cara.

Não dá pra imaginar quanta história esses caras devem ter pra contar...

O Dia D

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“Já estás acordado?”, perguntava, com aquela voz de quem acaba de acordar, Pedro Andrade, webmaster da página oficial do Blind Guardian, que tínhamos pegado no aeroporto um dia depois da minha chegada e agora também estava hospedado na casa de Fulvio.

“São seis da manhã ainda”, dizia. Mas não havia dúvidas – todos os três naquele quarto sabiam que era o Dia D, o dia em que o Iron Maiden tocaria.

Depois de fracassadas tentativas de matar a ansiedade, partimos rumo a Monza lá pelas duas da tarde – o que, infelizmente, nos fez perder as apresentações de Sentenced e Edguy.

Após uma pequena confusão na bilheteria reservada a promotores e jornalistas, conseguimos nossos passes promocionais e fomos para o Estádio com lotação de 25.000 pessoas. No momento em que chegamos deviam haver cerca de 15.000 pagantes. O interessante foi ver o lado de fora, com inúmeras barracas vendendo camisas, CDs, comida e outras coisas. Via-se gente de todo tipo e era fácil perceber que pessoas de vários outros países estavam presentes – muita gente tinha o rosto pintado com as cores de suas respectivas bandeiras nacionais. Encontramos escoceses, suíços, suecos, alemães, finlandeses e até um carinha do México.

Mas deixando tudo isso de lado, resolvemos entrar, já podendo ver o Dark Tranquillity despejando seu som trabalhado, aos gritos de “It’s fucking great to be here” do vocalista Mikael Stanne. Algumas músicas depois, a platéia vibrou quando o frontman perguntava se queriam ouvir algo do “The Gallery” – que, com certeza, é a masterpiece da banda. Duas músicas depois – que incluíam o novo disco –, o grupo se despedia, deixando o palco.

Cerca de 30 minutos depois quem subia era o Demons and Wizards, projeto de Hansi Kürsch (Blind Guardian) e Jon Schaffer (Iced Earth), altamente aclamado pela platéia italiana. Com ambos guitarristas, baixista e baterista posicionados, a faixa de introdução ecoa pelos amplificadores, enquanto uma figura encoberta por um grande manto surge no palco. Quando a intro desemboca em “Heaven’s Denies”, a primeira faixa do CD – perfeita para abrir o show, diga-se de passagem –, o enigmático personagem levanta o capuz mostrando ser Kürsch, já gritando a letra da música.

A apresentação leva cerca de uma hora e meia, com o disco sendo tocado em sua quase totalidade. Dois covers fizeram parte do set list (“Hell’s Bells” e “School’s Out”), que foi bastante aplaudido pelo público. Lá pelo final do show, tanto Hansi como Schaffer rasgaram elogios ao Iron Maiden e frisaram várias vezes que era uma honra dividir o mesmo palco que a Donzela, ainda mais com Bruce de volta – definitivamente uma das maiores bombas do século.

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Terminado a apresentação do Demons and Wizards, dirigi-me aos barzinhos do estádio procurando por água e algo para comer: foi quando percebi que o estádio enchia cada vez mais – o que resultou numa verdadeira batalha para conseguir um espaço livre para comprar qualquer coisa que fosse. Inclusive, as barracas de comida tinham virado um verdadeiro inferno – uma hora para comprar, duas para conseguir se livrar da multidão ensandecida.

Salvo do sufoco, rumei para a parte dos fundos do estádio, onde tive o prazer de encontrar jornalistas de todo o globo: estavam presentes revistas de peso como as gregas Heavy Metal e Metal Invader; a belga Fox Metal; as alemãs Metal Hammer, Break Out, Rock Hard e Heavy Oder Was!?; as francesas Hard & Heavy e Rock Style; a britânica Powerplay; a norueguesa Scream e – claro – a imprensa especializada italiana, além de muitas outras – incluindo a brasileira Rock Brigade, representada por este humilde repórter.

Enquanto o público aguardava o show da noite, o papo rolava informalmente entre os jornalistas incumbidos de cobrir o evento. Entre (valiosas!) trocas de informações, pudemos observar os roadies montando rápida e eficientemente o cenário de palco da Donzela. O que deixou claramente a maioria dos presentes bastante confusa foi a presença de vigas de aço dispostas estranhamente no palco. Incerto quanto ao que significavam, arrisquei levantar a questão entre o resto dos repórteres, que, igualmente, não sabiam como responder. “Talvez a representação de um design futurístico”, ponderei certa hora, erigindo uma nova nuvem de discussões sobre o assunto.

Polêmica vai, polêmica vem, o público já gritava aos quatro ventos o nome da Donzela, ao ver o lindo pano de fundo com a temática do novo disco, pendente atrás do palco. Este enorme pano possuía dois buracos, centrados bem onde seriam os olhos de Eddie (que estava assombroso, por sinal), deixando que um branco maligno brilhasse por trás do background como se fosse o olhar superior da mascote.

Dando uma olhada em volta, já se podia ver o estádio totalmente lotado àquela altura. A ansiedade da platéia era vista facilmente...

Scream For Me, Monza

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“Dio mio!”, exclamava um fã atrás de mim. Para entender o porquê da interjeição bastava ouvir. Das imensas caixas de som ao lado do palco saía uma melodia clássica, instrumental, que bem lembrava compositores no estilo de Carl Orff. A tensão do público nesse momento era tanta que poder-se-ia cortar o ar com uma faca, tão densamente palpável era.

Depois de mais ou menos dois minutos de intro, pode-se ver um sujeito andando, vindo de lá do fundo do palco, como quem não quer nada. O que acontece é que a música clássica tinha desaparecido e só o que se ouvia agora eram guitarras com distorção. A ovação atingiu proporções inacreditáveis quando o público se deu conta de que o sujeito que vinha caminhando era ninguém menos que Adrian Smith, se aproximando normalmente com sua Fender (sim, por incrível que pareça não era uma Gibson!), com um sorriso maroto no rosto, até as caixas de retorno, bem coladas à platéia, anunciando a música de abertura, “The Wickerman”. E foi aí que tudo pareceu enlouquecer: com explosões pra tudo que é lado, luzes percorrendo o estádio inteiro, entram Steve, Dave e Janick. Nicko já estava na bateria, escondido, só esperando tudo começar.

Segundos depois, ele (ele, Mr. Air Raid Siren!) entra apenas para que o estádio vire de cabeça para baixo. Realmente foi incrível o massacre inicial que tomou conta dos fãs. Era simplesmente impossível permanecer parado – a turba incontrolável jogava quem quer que fosse de um lado a outro como se fosse um boneco de pano.

O mais impressionante, entretanto, é que a cada grito de “can you hear me, Italy?!” entoado por Bruce, a coisa parecia atingir níveis ainda mais apocalípticos.

E não dá para não reparar na performance espetacular de cada um dos integrantes. Certa vez conversava com alguns amigos da Grécia sobre um show da Donzela num festival, quando um deles disse “sobre o Iron Maiden não precisa dizer nada, dispensa comentários”. E realmente dispensa, visto a sensacional disposição que os caras mostram em cima do palco. Chega a ser irreal os esforços que os integrantes fazem para que o show seja O show. Às vezes não dá pra acreditar: eles são quarentões, mas correm, pulam e agitam como se estivessem nos vinte.

Acabada a primeira música, vem “Ghost of Navigator”, cantada por cada alma naquele estádio. Vale frisar que, a essa altura, este jornalista aqui já estava no meio da algazarra do povão lá perto da grade, gritando como um louco desvairado.

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De qualquer modo, as três primeiras músicas do set list (“Brave New World” seria a próxima) eram realmente bastante conhecidas do público em sua totalidade, visto que a cantoria esgoelada da platéia atingia níveis altíssimos. Deu até pra ver pela cara de Bruce, que ficou surpreso – o disco tinha saído a duas semanas na Itália e todo mundo já sabia as letras!!

Acabadas as três primeiras canções do set list, Bruce anuncia rapidamente: “essa vocês devem conhecer, é uma antiga”, diz, enquanto os outros disparam os acordes de “Wrathchild”. A essa altura já se podia ver boa parte das mulheres que ficavam na frente, na grade, desmaiarem e serem retiradas pelos seguranças e levadas aos postos médicos. É realmente duro encarar a pressão lá na frente, com 25.000 pessoas lhe empurrando atrás.

Na seqüência, veio “Two Minutes To Midnight”. Não é necessário dizer o caos que assolava o local. Por outro lado, é muito necessário dizer: mas que prazer ver Adrian puxando o riff inicial da música, sozinho! Janick que me desculpe, mas tem horas que a nostalgia é irrepreensível.

“Essa música fala da ligação entre pai e filho; da relação de irmandade, amizade e eterna fraternidade com o melhor amigo que você pode ter no mundo: seu pai.”, Bruce dizia. “Steve e eu esperamos que gostem dessa”, finalizava, anunciando “Blood Brothers”, a sexta música. E apesar de ela [a música] não ser exatamente sinônimo de fúria, a platéia parecia ter sido possuída por um espírito maligno. Não importa o que viesse, a regra era não ficar parado.

E haja fôlego! Depois de tanta música é que fui reparar que a banda tinha um pano de fundo diferente para quase toda música que tocava. E as explosões não ficaram por menos. É imperativo reforçar que a produção está realmente coisa de outro mundo: os shows pirotécnicos estão animais. Quem teve a oportunidade de dar uma olhada em vídeos piratas da Ed Hunter Tour vai conseguir ter alguma idéia de como foi a produção desse festival – “idéia” porque realmente eles capricharam ainda mais. São muito mais fogos de artifício e efeitos especiais – é mesmo um espetáculo.

Mas foi aqui que se fincou a surpresa da noite. Subitamente, uma introdução familiar começa a soar. Segundos depois, ninguém tem mais dúvidas: eles estão realmente tocando “The Sign of the Cross” – música que nunca haviam executado antes. Mas surpresa maior estava reservada aos fãs mais aflitos: durante os minutos instrumentais do início da canção, Bruce desaparece do palco. Poucos segundos após “Sign of the Cross” ser iniciada, pode-se ver uma imensa cruz de madeira erguendo-se por detrás do palco. Quando ela [a cruz] atinge altura suficiente, dá para ver Mr. Dickinson pregado na dita cuja, sendo erguido junto com ela.

A imensa cruz sobe até o teto do palco, onde estão os refletores, e então desce vagarosamente até a altura da parte de trás do palco, onde ela [a cruz] pára e Bruce sai andando cantando a letra da música. Fenomenal! Pouco depois, o homem gritava “Scream for me, Monza”. Eu conseguia ver gente chorando cachoeiras de emoção.

Mas o choro foi engolido quando a próxima música chegou. “The Mercenary” conseguiu fazer o estádio quebrar o pau, o que só se amplificou quando os acordes iniciais de “The Trooper”, a seguinte, foram tocados. Leitor, acredite: não é pouca coisa. E vou dizer, ô povinho pra agitar, esse da Itália. Sempre lembro de quando me falavam que os italianos eram “sangue-quente”, mas não deu para não se impressionar: é no mínimo sublime quando se pode perceber que não apenas aquele pessoal da grade agita, mas, sim, o local em sua totalidade.

Dali a pouco, de qualquer modo, uma outra canção pertencente ao petardo novo da banda seria executada. “Dream of Mirrors” não é exatamente uma música para se exasperar agitando, mas para ser cantada em coro pela platéia, em um semblante mais pacífico. E na verdade foi mais ou menos assim que aconteceu. Do começo da música até a parte onde ele canta “...Dread to think what might be stirring...”, pelo menos – daí para frente o público se mostrou um pouco mais vivo.

Mas foram esses os minutos mais calmos da platéia. Ninguém deixou de vibrar quando tocaram “The Clansman”, que, quer queira quer não, já virou um hino, assim como “Sign of the Cross”. Com o lindo pano de fundo do Eddie escocês, detonaram a público com 9 minutos de agito. O que, aliás, não mudou quando a multidão ouviu a seguinte, “The Evil That Men Do”. O background mudou uma vez mais, mostrando a capa do single homônimo. A surpresa foi ver um Eddie (o de “Wicker Man”) andando pelo palco e levando umas porradas de Bruce e Janick. Pouco depois, o verdadeiro boneco de vime (o que pode ser encontrado na capa do single “Wicker Man” – e pega fogo) aparece. E acreditem, é gigante. Enquanto ele [o boneco] se ergue atrás do palco (com mais ou menos uns 6 ou 7 metros de altura), a música vai rolando. Logo depois, a parte onde seria o peito da criatura abre e de dentro sai ninguém menos que Bruce Dickinson, cantando a música. O interessante é ver algumas garotas dentro do boneco, presas e semi-nuas (assim como no clipe), gritando pela salvação. Voltando, depois, com uma tocha na mão, Bruce decide não salvar as donzelas e mete fogo no boneco, que arde na fogueira enquanto vêem-se explosões pelo palco inteiro e quilos de fogos de artifício são detonados. Labaredas de 8 metros de altura (eram mais altas que o boneco!) se propagam e o caos parece não ter fim. Nessa hora os gritos da platéia já eram mais altos que a própria banda. Foi até engraçado ver Steve sinalizando para o sujeito na mesa de som, fazendo um sinal de “aumenta um pouquinho aí!”. Mais perfeito que isso, impossível.

Logo depois, viria “Fear of the Dark” que, para delírio dos fãs, foi cantada igualzinha à versão do “A Real Live One” – com direito ao “you” e ao “yes”, entoados antes e depois, respectivamente, do “Fear of the Dark” cantado por todas as bocas do local.

Com o término de “Fear...”, quem entra é a música “Iron Maiden”, que deixava o público saber que o show já estava no final e dali a pouco entraria o bis. Claro que, de uma forma ou de outra, ela [a música] foi cantada entusiasticamente por todos. Foi legal ver que outro Eddie zanzava pelo palco – e tomava mais porrada de Bruce e Janick.

Com as últimas notas de “Iron Maiden”, os 6 deixam o palco com vários “thank you”, enquanto as luzes se apagam e o som que vem do palco se torna inexistente...

Thank You... And G’night

Ah!, que saudade. Não há como não dizer que o bom e velho “Maiden! Maiden! Maiden!” gritado pela platéia seja sensacional. Depois de 25 anos, desde a formação da Donzela, ele continua vivo e com muita, muita energia. É reconfortante sentir que, mesmo depois de tanto tempo, o legado continua e a banda ainda possui a força e a pegada de antes. Muito provavelmente todos os seis “ferrenhos” integrantes sentiram a felicidade de como é bom estar na ativa e poderem ouvir o hino que nestas duas décadas e meia moveram massas inteiras.

Não dava para segurar a expectativa. Dava era para ver muita gente pulando, como se estivessem se aquecendo, ainda que não houvesse nenhuma música rolando – estava difícil parar o embalo.

Não deu outra: dali a pouco o tão conhecido “Woe to you, oh Earth and Sea...” era pronunciado nos amplificadores. Foi simplesmente absurdo a sensação de grandiosidade que Bruce dá quando está em cima do palco. Mesmo aqueles que não gostam do cara (?) têm que admitir que Bruce é Bruce e Iron Maiden com ele é A banda.

Desnecessário comentar que “The Number...” foi cantada em uníssono pelo público, assim como “Hallowed Be Thy Name”, que estourou todas as expectativas. Bruce está cantando como nunca! Nesse bis as explosões atingiam níveis inacreditáveis – não dá para saber o quanto a banda gasta com todo esse espetáculo pirotécnico.

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Para tristeza do público, Bruce anunciava a última música da noite, “Sanctuary” (quem diria? Eles realmente estão de volta). Pior é que nem parecia que era a saideira: o povo cantava e agitava como se fosse a primeira do set list – ou, talvez, agitasse tanto exatamente porque fosse a última. O fato é que foi tudo como nos Golden Years. A parada no meio da música para apresentar a banda rolou e os gritos de “Scream for me” não foram poucos. E nem faltou a célebre despedida de Bruce – o famoso “thank you... and g’night” foi dito, assim como as munhequeiras de Harris, de Murray, de Adrian e as baquetas de Nicko jogadas ao público.

No resumo, não dá pra negar que foi um puta show e que – definitivamente – eles estão de volta, como Air Raid Siren disse. A produção de palco é espetacular e a performance é incomentável. Os pontos interessantes e/ou pouco vistos na carreira do grupo vão para o fato de que Adrian não toca mais Gibsons, e sim, Fenders, assim como Murray e Janick. Nicko não tem mais o “Premier” escrito no bumbo da bateria – a imagem da capa do “Brave New World” já toma todo o espaço (apesar de que, aparentemente, alguns shows da X-Factour e da Virtual Tour foram assim). Bruce pintou o cabelo de loiro (?!), ficando com mechas pretas e loiras; Janick continua cada dia mais despojado – usava uma camisa semi-destruída no show; Steve parece que só usa camisas de futebol no Brasil; e, finalmente, a música que fecha a apresentação do conjunto – quem nesse mundo pode me dizer de onde é aquilo?!?

Com a sensação de que um trator tinha passado por cima de mim, não tinha mais forças pra nada a não ser cair na cama e dormir – razão pela qual fui de Monza até Milão com a aparência de um morto-vivo. Definitivamente, o melhor show que já vi na vida. Se a banda no Brasil fizer tudo o que fez, não tenham dúvidas: vai ser inesquecível para todo e qualquer fã.

Uma semana depois, este jornalista já estava de malas prontas para ir à Grécia, onde teve a oportunidade de conhecer e reencontrar grandes amigos, como Spiros (Septic Flesh), Kostas (Rotting Christ), Kostas (Marauder) e por aí vai... mas isso já é uma outra história...

Up the Irons!!!

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Sobre Haggen Kennedy

Nascido ao fim dos anos 70 e adolescido em meio ao universo metálico, Haggen Heydrich Kennedy já trabalhou e atuou numa vultosa gama de atividades, como o jornalismo, o desenho, a informática, o design e o ensino, além de outros quefazeres. Atualmente vive em Atenas, Grécia, onde estuda História, Arqueologia e Grego Antigo na Universidade de Atenas. A constante nesse turbilhão de ofícios, todavia, sempre constituiu-se de dois fatores: as línguas (ainda hoje trabalha com tradução e interpretação) e a música - esse último elemento, definitivo alimento espiritual.

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