Esta matéria foi publicada em 26/11/10. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

SuicideGirls.com: Eu estava dirigindo pela cidade três dias atrás e eu estava ouvindo à [estação de radio] Jack FM, e eles tocaram “She Sells Sanctuary” logo antes de “Sweet Child O' Mine”. E eu pensei, porra, essas canções são tão similares, e eu estava lendo sua biografia e me dei conta do porquê; porque um GUNS N’ ROSES relativamente desconhecido excursionou com vocês.
Duffy: Exceto pelo fato de que eles provavelmente já a tinham escrito quando excursionaram conosco. Mas tenho certeza de que eles ouviram “She Sells Sanctuary”. Eles eram caras bem antenados. Mas quando eles excursionaram conosco, eles já tinham lançado “Appetite For Destruction”, e só tinham vendido 50 mil cópias. O disco subsequentemente chegou a vender cento e não-sei-quantos milhões. Mas ao mesmo tempo em que eles excursionavam conosco, isso foi em 87, estávamos promovendo “Electric”. Quero dizer, há um elemento de verdade e há um elemento de polinização cruzada ali, o que é natural e orgânico entre músicos e sempre aconteceu. Você é obviamente brilhante e leu a história do rock; rock n’ roll, country, bluegrass – isso tudo se funde, e as ideias são emprestadas, roubadas, desenvolvidas e passadas pra frente. E, similarmente, nós viemos a fazer o que pra nós era uma baita afastada de “She Sells Sanctuary”. Estávamos promovendo o disco “Electric”, que tinha uma sonoridade completamente diferente. Nós fomos produzidos por Rick Rubin. Era algo bem cru, meio que tipo AC/DC. Era uma progressão completa. E aqueles caras tinham chegado onde eles estavam fazendo o “Appetite For Destruction”. Quero dizer, aquele disco já estava feito, “Welcome To The Jungle” tinha sido lançada.
SuicideGirls.com: Mas eu acho que “She Sells Sanctuary” saiu em 85 e “Appetite For Destruction” foi lançado em 87.
Duffy: Sim. Mas foi gravado em 86. Nunca tínhamos encontrado eles. Eles tinham um burburinho em cima deles. Ian tentou me levar pra vê-los em Londres. Eles tocaram duas noites no [tradicionalíssimo clube londrino] Marquee. Estava esgotado e eu na verdade não consegui entrar. Eles não me deixaram entrar, a típica coisa londrina. Eu lembro, era um baita burburinho em cima deles, e isso foi antes deles excursionarem conosco. Ian foi o cara que os achou. Nós podíamos sentir um retorno ao rock/blues orgânico. De repente as pessoas estavam sussurrando JIMI HENDRIX e LED ZEPPELIN, e finalmente o vácuo criado pelo punk, tempo suficiente tinha se passado e as pessoas estavam ousando dizer o inenarrável, e isso meio que explodiu um pouco. O rock ficou enorme de novo por cerca de cinco ou seis anos até o grunge. Quero dizer, o GUNS N’ ROSES quase ficou maior que os ROLLING STONES.
SuicideGirls.com: Vocês estão lançando esse lance de cápsula. Explique isso um pouco. É meio confuso, mas meio que legal ao mesmo tempo.
Duffy: Não é confuso na verdade. Diga-me o que te confunde e talvez eu possa responder a isso.
SuicideGirls.com: Bem, uma vez eu entrei no website e tudo fez sentido, mas antes disso, eu era uma cápsula? Você está vendendo algum tipo de cápsula do tempo que você tem que enterrar no quintal?
Duffy: É a palavra desgastada, veja bem. Você está presa à palavra. É apenas uma palavra. Analise-a. Quero dizer, por que uma mesa é chamada de mesa? Por que uma mesa não é chamada de cadeira? Quero dizer, todos nós decidimos que uma mesa seria chamada de mesa, e assim concordamos em toda língua do mundo que uma mesa é uma mesa. A cápsula poderia ser qualquer coisa. Mas é simplesmente uma compilação de canções sortidas. Mas é engraçado se você quebrar a palavra. Eu estou ficando um pouco filosófico porque eu tenho estado dentro de um ônibus de turnê por dois dias.
SuicideGirls.com: Você tem respondido às grandes questões sobre a vida, o universo, e tudo mais no ônibus da turnê então?
Duffy: Não. Não, isso é função do Ian [Astbury, vocalista].
SuicideGirls.com: Ele já chegou a alguma resposta?
Duffy: Ian, ele ainda ele está procurando. Eu acho que ele está procurando nesse exato momento.
SuicideGirls.com: Que é a razão pela qual você está no telefone fazendo a entrevista.
Duffy: Não, ele está fazendo algumas. Ele faz muito mais entrevistas do que nós. Nós apenas decidimos abraçar fazer entrevistas. A última vez que saímos em turnê nós fizemos aquela turnê do ‘Love’. O consenso geral era que não queríamos fazer muitas entrevistas porque era uma coisa meio nostálgica. Era uma nostalgia boa, eu costumava dizer nostalgia com ‘n’ minúsculo. É algo que queríamos fazer, não é algo que tínhamos que fazer. Mas, ao mesmo tempo, não queríamos sobredivulgar a coisa. Nós não fizemos nenhuma entrevista. Não tínhamos fotógrafos nos portões. Queríamos manter isso exclusivamente pros fãs.
SuicideGirls.com: Certo.
Duffy: Era uma coisa feita para os fãs e foi realmente bem-sucedida. Nós tivemos um alto índice de comparecimento aos shows sem a ajuda de gravadora, nada. Nós não estávamos vendendo nada na verdade. Era apenas um tipo de grande celebração de uma banda. Mas dessa vez, com música nova sendo lançadas, nós achamos que deveríamos espalhar o lance.
A entrevista na íntegra [em inglês] pode ser lida no site SuicideGirls.com.
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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