Em 01/02/2012 | Canter's Deli: "Axl nunca mudará, ele faz o que acredita"

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Canter's Deli: "Axl nunca mudará, ele faz o que acredita"


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Retornando ao artigo sobre a Canter’s Deli, continuamos com o tema Guns N’ Roses e o que cada membro curte comer lá.

Veja a primeira parte no link abaixo:

Canter's Deli: o restaurante mais rock do planeta, Parte I

Mas a relação entre Marc Canter e a banda, particularmente com Slash, na verdade vem de longe. O restauranteur e o guitarrista cresceram juntos, foram à escola juntos, e até fizeram um pacto que Marc ajudaria Slash e o Guns N’ Roses financeiramente e de outros modos.

Apesar de Canter, que eventualmente escreveria o livro Reckless Road sobre sua relação com o Guns N’ Roses e a ascensão da banda ao estrelato, ter sido mais um patrono do que um investidor, ele contabilizou a grana. O Guns N’ Roses o pagou? Continue lendo…

Gerry: Então conte-nos. Como você encontrou com Slash?

Canter: É uma história engraçada. Estávamos no ginasial juntos mas não nos conhecíamos, e daí um dia eu parei minha bicicleta em frente ao KFC – e Slash estava tentando roubá-la, meio que a manjando, dando voltas ao redor dela. Daí eu saí, e ele me reconheceu da escola, então ele não queria roubá-la, mas ele perguntou se ele podia andar nela, e eu disse, ‘claro’, e nos tornamos amigos.

Gerry: Havia algo de diferente nele? Você achou que ele seria um astro um dia?

Canter: Ah sim. Ele era incrivelmente talentoso desde o começo. Eu notei isso nos desenhos dele – no ginásio, ele desenhava dinossauros e cobras. Em 1978, ele estava no lance das BMX com a bicicleta dele, mas antes das BMX existirem. Ele já dava saltos.

Gerry: Então ele era atlético?

Canter: Muito, muito atlético. Eu lembro que corria com ele, e Slash era muito rápido, tipo sobre-humano. Mesmo aos 13, 14 anos, ele era o garoto mais rápido do quarteirão. Se você apostasse corrida com ele num percurso de três casas, ele teria acabado antes de você chegar à segunda casa. Ele era o moleque mais forte da quadra também.

Gerry: E musicalmente? Você lembra de quando Slash começou a aprender guitarra?

Canter: Sim. Depois de dois ou três meses, ele soava como Eric Clapton. A propósito, você sabia que Slash trabalhou na Canter’s?

Gerry: Mesmo?

Canter: Sim, eu dei um emprego a ele. Em 1982, éramos o melhor amigo um do outro, e eu meio que criei um emprego pra ele, baseado no que eu estava fazendo pelo restaurante na época. Ele checava os recibos das contas recebidas pelas garçonetes. Não havia computadores na época. Na verdade, ainda não temos computadores na Canter’s. Mas era o ofício de Slash verificar tudo e certificar-se de que tudo estava certo.

Gerry: A certa altura, o Guns N’ Roses se formou. Qual foi seu envolvimento?

Canter: Eu estava sempre bancando a banda porque ele era meu amigo, e porque Slash tinha muito talento. Em certas ocasiões, ele e a banda me pagavam de volta, um pouco aqui e um pouco ali. Eu ajudava com panfletos, fazia as fotos, esse tipo de coisa.

Gerry: Cara, ninguém te disse que investir numa banda de rock é loucura? Claro que você deve ter ficado cabreiro com isso, Marc.

Canter: Eles eram meus amigos. Se não fossem meus amigos, eu ainda teria feito a mesma coisa. Eu vi uma banda que não tinha como dar errado. Eu achei que eles poderiam ser o próximo Led Zeppelin.

Gerry: Você era milionário?

Canter: Ah não. O ramo de restaurantes é acirrado. Minha família pode ter milhões, mas somente em bens. A margem de lucro é muito, muito baixa no ramo de restaurantes. Eles estão apenas felizes por empregar 140 pessoas. A Canter’s nunca subiu seus preços a menos que realmente tivesse. Eu recebia 300 dólares por semana naquela época, e 80 por cento ia pra banda – quase todo meu dinheiro. Não era fácil porque eu tinha uma namorada também, mas eu com certeza via algo de bom na banda.

A foto do GNR na Canters no dia 12 de julho de 1985
Gerry: Há aquela famosa foto do Guns N’ Roses numa mesa da Canter's, todos parecendo exaustos.

Canter: Aquilo foi logo depois que eles voltaram daquela infame e desgraçada viagem pra Seattle, quando o carro deles quebrou e eles passaram fome por duas semanas antes de um amigo de Duff trazer eles de volta pra Los Angeles. Mas aquela turnê criou laços entre eles, eles eram como irmão de sangue depois daquilo e a foto é de quando eles voltaram e vieram pra Canter’s atrás de uma refeição. Eu não tirei aquela foto, um amigo meu tirou. Mas todo mundo acha que eu a tirei. Mas o lance é que aquela foto diz 1000 palavras.

Gerry: O Guns N’ Roses era famoso por não se comportar bem. Eles saíam da linha na Canter’s?

Canter: Não, eles sempre respeitaram. Ah, exceto por uma vez, eu deixei eles sozinhos um minuto, Slash e Axl, e daí eu vejo uma briga de comida, e tinha comida pela parede toda. Eu fiquei muito puto. Só o que eu pude fazer foi pegar uma torta de creme e enfiar na cara deles. Mas isso foi em 1984, antes do Guns N’ Roses, porque havia o Hollywood Rose e o L.A. Guns e outras formações.

Gerry: Você usava drogas com a banda?

Canter: Ah não. Eu posso ter fumado um pouco de maconha quando eu era moleque tipo 12 aos 15, mas nada do tipo, heroína ou coisa do tipo. Eu pegava no pé deles. Eu era como a mãe deles, então eles sempre esconderam isso de mim. Slash, eu sei que era cachaceiro, e Axl não tinha vícios. Daí, do nada, em 1986, no verão de 86, em Junho, Julho, Agosto, por aí, Slash começou a usar bagulho, e isso me deixou puto. Eu mandei ele parar.

Na verdade, foi aí que dei um corte neles. Moralmente, eu não poderia injetar mais grana alguma se eles estivessem usando heroína, então eu limei eles. Eles me ligavam, pediam pra eu levar comida do Taco Bell, e eu dizia, ‘Eu não vou fazer isso’. A lógica disso pode ter sido meio louca, mas nessa altura eles já tinham um monte de strippers vagabundas que davam dinheiro e comida pra eles. Eu disse a eles que recebessem sustento das strippers que eles andavam, e eles disseram OK. (risos) Mas ainda éramos amigos. Eles ainda vinham até a Canter’s, e eu dava comida a eles, mas eles nunca tiraram vantagem disso. Eles nunca fariam isso comigo.

Foi um pouco depois que eu ouvi ‘Welcome To The Jungle’ pela primeira vez. Tinha uma levada tão fodida, foi ali que eu soube que eles seriam milionários um dia. Eu pensei, ‘espera aí, isso é um sucesso’.

Gerry: Nessa altura, quanto dinheiro você já tinha posto na parada?

Canter: Bem, havia duas contas. Eu anotava tudo. Slash me devia 3 ou 4 mil dólares, e a banda me devia 4,300. Eu nunca pedi pelo dinheiro de volta, mas daí eu ia me casar alguns anos depois, em 1989, então eu disse pra Slash, ‘Hey, eu preciso fechar aquela conta’, e Slash me deu 10 mil, mas essa era pra ser só a caderneta dele. Eu acho que ele me pagou com juros! Eu acho que nessa época ele valia alguns milhões de dólares, mas ele só tinha uns 600 mil em dinheiro vivo, acho, porque você sabe como funciona a indústria musical – você recebe seus meses depois. Mas resumindo, Axl já me deu alguns presentes incríveis também, e eu recebi de volta muitas vezes. Ele me mandava coisas como DVD players quando ninguém tinha DVD, tudo de ponta, e todo aniversário sempre vem um baita presente – Axl nunca esqueceu um aniversário meu.

Ele gostava da maneira que minha esposa cortava o cabelo dele, então ele nos mandava de avião até lugares como Cleveland pra cortar o cabelo, até os outros caras cortavam. Na turnê de ‘Use Your Illusion’, o Guns N’ Roses lançou uma máquina de pinball, e eles me mandaram uma das máquinas. Eu ainda a tenho.

Ou ele nos levava até Nova Iorque e ficávamos no Ritz Hotel por quatro noites, tudo pago.

Em 2001, ele nos levou pro Rio. Eu levei um salame da Canter’s porque eu sabia que ele curtiria. Nós o cortamos e fizemos sanduíches no hotel dele. Com alguns biscoitos também.

Gerry: Então Axl era um amigo leal?

Canter: Muito leal. Ele veio a meu casamento no dia 4 de março de 1989 no Hilton Hotel, e ele vestia um terno, nos deu um vale presente de 200 dólares da (loja) Shaper Image e tocou piano no casamento. Está no meu vídeo de casamento. Ele tocou ‘November Rain’ no meu casamento 2 anos antes da música ser lançada – eu acho que a ouvi primeiro em 1985 – o que é estranho porque há uma cena de casamento no clipe dela. O engraçado é que, claro, todos estávamos pensando se Axl chegaria atrasado a meu casamento porque você conhece Axl, ele está sempre atrasado, mas Axl Rose chegou na hora pro meu casamento. E tal como eu disse, ele estava de terno. Slash apareceu também, mas de jaqueta de couro. Ele estava fantasiado dele mesmo! (risos)

Axl é 8 ou 80 pelo que ele vê as coisas na cabeça dele, como sendo certo e errado. Durante a revolta dos negros em 1991, eu estava no telhado com armas, protegendo a Canter’s, nossa propriedade, porque eles estavam incendiando casas, e Axl ligou pra minha esposa e perguntou como estava tudo na Canter. Ele disse que estava a caminho, mas minha mulher disse que estávamos bem. Ele também se ofereceu para mandar seguranças do Guns N’ Roses até a Canter’s pra me ajudar.

Gerry: O GN’R ainda vem a Canter’s?

Canter: Sim. Duff esteve aqui não faz muito tempo e eu ainda não cobrei a conta. Ele veio pra almoçar, e tentou pagar, mas eu dispensei, daí ele deixou 20 dólares pra garçonete. Ele já vendeu 100 milhões de discos, mas ele também está rico por investir na Starbucks e no Windows no começo. Teve uma época, eu acho que Duff tinha investido 50 mil na Starbucks e o retorno foi em torno de 18 milhões de dólares.

Gerry: E quanto a Axl?

Canter: Axl não vem faz uns dois anos. Tivemos uma treta porque ele não queria que eu lançasse meu livro antes que ‘Chinese Democracy’ saísse. Ele tinha me tido isso, então ele está meio decepcionado comigo. Não somos inimigos nem nada, mas temos algumas coisas pra resolver porque ele está aborrecido com algumas questões.

Ele nunca vai mudar. Ele é sempre o mesmo. Ele faz o que ele acredita. Ele não se vende por pouco. É vitória ou morte.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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