O músico que Slash achou que nunca conseguiria levar para o Guns N' Roses
Por Bruce William
Postado em 30 de maio de 2026
O Guns N' Roses ainda estava no alto quando começou a desmontar por dentro. No fim dos anos 80, a banda já tinha deixado de ser apenas mais um nome da Sunset Strip e virado uma força mundial com "Appetite for Destruction". Só que a mesma combustão que fazia o grupo soar perigoso também cobrava seu preço fora do palco, e Steven Adler acabou sendo o primeiro integrante da formação clássica a sair de cena.
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Adler tinha um swing muito próprio, fundamental para a sujeira elegante de músicas como "Mr. Brownstone", "Rocket Queen" e "Paradise City". Mas seus problemas com drogas começaram a comprometer o funcionamento da banda, especialmente em estúdio. Ele ainda participou de "Civil War", embora com dificuldades, e fez seu último show com o Guns N' Roses em abril de 1990, no Farm Aid IV. Pouco depois, foi dispensado.
A banda precisava de alguém que segurasse a bronca rápido, pontua a Far Out. O Guns já estava grande demais para testar bateristas por meses, mas também não podia colocar qualquer um atrás do kit. Foi aí que Slash olhou para um músico que, em tese, parecia fora de alcance: Matt Sorum, que estava tocando com o The Cult durante a turnê de "Sonic Temple". O guitarrista viu Sorum ao vivo e percebeu que havia ali exatamente a pegada que o Guns precisava.
Slash contou que, no começo, nem tentou falar com ele por esse motivo: "Inicialmente eu não entrei em contato com ele porque ele estava com o The Cult. Mas eu estava no fundo do poço, e sabia que o Cult estava fora da estrada, então decidi ligar para Matt Sorum. Fui atrás por todas essas fontes diferentes para conseguir falar com ele." Quando finalmente conseguiu, a resposta veio no ensaio. Sorum apareceu, tocou com a banda e a coisa encaixou de imediato. "Finalmente nos encontramos, ele desceu para um ensaio, e as coisas imediatamente clicaram. Foi ótimo, e ele era um cara ótimo - a química funcionou."
A entrada de Sorum mudou a dinâmica do Guns N' Roses. Ele não tinha o balanço quase cambaleante de Adler, mas trazia precisão, potência e regularidade, qualidades importantes para uma banda prestes a gravar material ambicioso e encarar turnês gigantescas. Slash chegou a dizer que a diferença era "insana", lembrando que antes a banda não conseguia encontrar um groove decente e chegou a duvidar de si mesma. Duff McKagan, segundo ele, chegou a pensar que o problema era seu.
Com Sorum, o grupo conseguiu colocar de pé os dois volumes de "Use Your Illusion", lançados em 1991. Ele também gravou a versão do Guns para "Knockin' on Heaven's Door", de Bob Dylan, faixa que ajudou a mostrar o lado mais grandioso e cinematográfico daquela fase. A banda já não era apenas o bando de moleques sujos de Appetite. Queria piano, baladas longas, arranjos maiores, vídeos caros e músicas que não cabiam mais no velho molde de bar e confusão.
Mas a estabilidade trazida por Sorum não impediu a desintegração. Izzy Stradlin saiu em 1991, Slash em 1996, Duff em 1997, e o baterista também seria demitido naquele período em que Axl Rose acabou ficando como único remanescente da formação de Appetite. Mesmo assim, Sorum virou peça importante na fase mais expansiva do Guns e depois continuou ligado a Slash e Duff em projetos como Slash's Snakepit e Velvet Revolver.
A entrada de Matt Sorum mostra como o Guns N' Roses mudou de escala em poucos anos. Para gravar "Appetite for Destruction", Adler era perfeito: solto, orgânico, meio estranho mas do jeito certo. Para enfrentar o tamanho dos anos noventa, com discos duplos, estádios e repertório mais elaborado, a banda precisava de outro tipo de motor. Slash achou esse motor no baterista que pensou que talvez nunca conseguisse chamar. E, por algum tempo, a química funcionou mesmo.
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