O Livro dos Mortos do Rock: vida e morte no Rock And Roll

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O Livro dos Mortos do Rock: vida e morte no Rock And Roll


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Revelações sobre a vida e a morte de sete lendas do Rock And Roll. Esta é a proposta do escritor e ex-músico norte-americano David Comfort, que selecionou lendários artistas: Elvis Presley, John Lennon, Jerry Garcia, Janis Joplin, Jim Morrison, Jimi Hendrix e Kurt Cobain. O autor de “O Livro dos Mortos do Rock” produz um texto sem igual e impactante, traçando pertinentes paralelos entre toda a trajetória dos sete legendários músicos, ícones culturais e ídolos de suas gerações.

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Livro traz revelações e paralelos entre sete lendários artistas

Valendo-se de diversos pontos de vista, tanto de pessoas próximas quanto dos próprios astros, Comfort mostra que, apesar de personalidades diferentes, suas histórias de vida tiveram muito em comum. Um capítulo é dedicado a cada artista, com interlúdios temáticos para ‘linkar’ a narrativa – “Órfãos”, “Chapados”, “Loucos” “Alma”, “Amor” e “Vida”. Os tópicos foram organizados em ordem cronológica, seguindo a sequência das mortes durante o que foi a “era de ouro” do rock.

O escritor admite que os transgressores e revolucionários artistas tiveram a imagem quase que deificada, porém desconstrói os mitos e expõe o lado humano e, portanto frágil, dos Sete. Lembrando que quatro deles morreram aos 27 anos e conheceram o auge da fama durante suas breves vidas, sendo imortalizados não apenas por sua obra, mas pela própria aniquilação que, em muitos casos, resultou em mortes cujas versões oficiais podem ser consideradas, no mínimo, duvidosas. O autor explora com fatos e relatos as circunstâncias misteriosas dos falecimentos, não optando pelo sensacionalismo barato.

Comfort refaz o caminho que levou as sete lendas do rock a encontrar um fim precoce, trágico e suspeito. Os últimos dias de muitos deles estão encobertos pelo mistério, inclusive até hoje. Dúvidas cruciais permanecem, as quais são examinadas no livro atentamente, sob o prisma de investigações mais recentes. As implicações são expostas, mas sem alarde exagerado ou clima de teorias conspiratórias.

Lançado em 2009 pela Editora Aleph e um ano depois no Brasil, o “the rock & roll book of dead” – nome original do livro – fala basicamente do lado humano e dramático de um motorista de caminhão (Presley), uma garçonete de boliche (Joplin), um zelador de escola (Cobain), um paraquedista (Hendrix), um poeta sem-teto (Morrison), um professor de guitarra hippie (Garcia) e um estudante de arte sem dinheiro (Lennon).

Voodoo Child

O primeiro a ter a história dissecada é James Marshall Hendrix. “Se eu sou Deus, quem, caralhos, é ele?”. Esta é uma célebre indagação atribuída a Eric Clapton, após assistir a uma apresentação de Hendrix na década de 60. O “power trio” famoso do guitarrista de Seattle (THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE!) era composto ainda por Mitch Mitchell na bateria e Noel Redding no baixo. Merece destaque nesse capítulo o papel sinistro desempenhado pelo empresário e pela namorada de Hendrix em seus últimos instantes de vida e no acobertamento de sua morte.

A relação com o polêmico grupo Panteras Negras também é mencionada pelo autor, assim como lamentada a morte por afogamento com o próprio vômito, que poderia ter sido evitada com a abertura da traqueia do guitarrista. “Intoxicação por barbitúricos seguida por inalação de vômito” é a descrição oficial do legista, mas é trazida uma versão diferente dos fatos por outras pessoas envolvidas no caso.

Inclusive é aventada a possibilidade da então namorada de Hendrix, Monika Dannemann, supostamente ter matado o guitarrista após uma festa horas antes do óbito em 18 de setembro de 1970. Do mesmo modo questiona-se que o empresário Mike Jeffery teria motivos para querer o músico morto, uma vez que estava para ser demitido da função. Devido a mentiras ditas na época para acobertar a morte de Hendrix, alguns desconfiam seriamente da dupla. Em 1996 Dannemann suicidou-se ou foi assassinada por asfixia, quando novamente era aventada a acusação de homicídio. E outras mortes ainda corroboraram as teorias conspiratórias.

Rainha do Blues

Em seguida aparece Janis Joplis, ‘carinhosamente’ apelidada de “leitoa” durante os anos de colégio, por ter ficado feia de modo repentino na adolescência. A talentosa artista plástica, que abandonara um curso de secretariado para ‘mergulhar de cabeça’ na tríade sexo, drogas e rock and roll. Por sinal, o voraz apetite sexual de Janis é citado e com razão, afinal inclui cerca de dois mil homens e algumas centenas de mulheres. Não é pra qualquer pessoa!

Para se ter uma ideia dos vícios destrutivos da cantora, Comfort alega que o uísque era o alimento básico, como o jantar, e a heroína era como um agrado, a sobremesa. “Quanto mais você vive, menos você morre”, disse Janis, que com tal lema levou a vida ao extremo em sua curta trajetória terrena, incluindo o alter ego “Pearl”. Entretanto, o autor destaca que uma parte da artista desejava a vida doméstica sossegada que sua mãe sempre lhe vendera.

No período iminente de sua morte, Janis estava envolta de grandes expectativas com a finalização e o lançamento de um novo álbum. E após saber da morte de Hendrix, com quem tivera um caso, a Rainha do Blues chegou a se encontrar com outro astro da época, Jim Morrison, com quem tomou alguns drinques e depois deu um histórico abraço para nunca mais se encontrar.

A cantora estava cheia de razões para ser otimista em relação ao futuro na época: noiva de Seth Morgan, com uma nova e excelente banda, um grande produtor e um contrato milionário. Mas diversos screwdrivers, dois Valiums e um pico de heroína nova e potente (com 50% de pureza) foram as últimas substâncias ingeridas por Janis, que acabou morrendo após desabar em uma overdose acidental naquele fatídico dia 4 de outubro de 1970.

O item ‘fatalidade’, aliás, entrara em cena; no mesmo fim de semana, outras dez pessoas tiveram overdoses fatais em Los Angeles ao consumir a droga daquele mesmo lote, cujo potencial alucinógeno ainda estava-se descobrindo na época. Sem falar em coincidências. Janis, que um dia sonhara em morrer com seu noivo em uma motocicleta, não viveu para assistir, 20 anos depois, Morgan jogando sua Harley-Davidson contra o pilar de uma ponte e matando a si mesmo e a então namorada, Diane Levine. Há quem tenha visto a garota esmurrando as costas dele instantes antes da colisão fatal.

Lizard King

Quem figura na sequência narrativa é Douglas James Morrison, que ao passear pelo Cemitério Père Lachaise (em Paris) poucas semanas antes da própria morte, revelara o desejo de descansar ao lado de Chopin, Balzac, Molière e Oscar Wilde. “A morte só vai acontecer uma vez. Não quero perder”, afirmou o mítico vocalista dos THE DOORS, que acreditava ter sido possuído aos quatro anos por uma das vítimas de um acidente de carro – um índio xamã, que teria lhe dado ‘poderes sobrenaturais’.

O filho de um proeminente almirante da Marinha dos Estados Unidos e cujo Quociente de Inteligência era de incríveis 149 chegou a se graduar bacharel em Cinematografia. Fã de filósofos polêmicos como Nietzche e Schopenhauer, Morrison (o “artista indomável”) formou o DOORS com Ray “o controlador” Manzarek, Robby “o viajante espacial” Krieger e John “a velha” Densmore. A descrição dos músicos fica por conta do empresário do grupo, Bill Siddons.

Engraçada, para não dizer constrangedora, é a passagem na qual o vocalista recebeu ligação da própria mãe após a família Morrison ouvir pela primeira vez o disco inicial da banda, em 1967, que continha a polêmica música “The End”. Além disso, vale lembrar a presença da Sra. Morrison na primeira fila de um show para ouvir os versos de “matar o pai” e “foder a mãe”. Enfim, loucuras típicas do genial Rei Lagarto.

Primeiro astro do rock a ser preso em pleno palco, Jim Morrison passava da bondade à imbecilidade quando se encontrava com o ‘companheiro’ Jack Daniels. Algo que passou despercebido a muitos é que a relação do vocalista com o restante do grupo sofreu grande desgaste, principalmente quando houve a permissão, por 100 mil dólares, do uso da música “Light My Fire” em um comercial da montadora de veículos General Motors.

O acordo foi feito sem o consentimento do líder, que estava em um de seus períodos reclusos em 1968. “E foi assim que o sonho acabou”, recordou-se o empresário. “Aquele foi o ponto final da relação de Jim com os outros membros da banda. Foi o dia em que Jim disse: ‘Não tenho mais parceiros, tenho sócios’”, disparou Siddons. A acusação era que os outros membros “se venderem para as grandes corporações dos Estados Unidos”, mas é bom lembrar que Robby Krieger compusera a música. Morrison, aliás, era taxado como uma corporação à parte, fomentando a mesma autoridade que dizia querer derrubar.

O Político Erótico, como se autodenominava, soube da morte do amigo Brian Jones (guitarrista dos ROLLING STONES) e mesmo assim não maneirava na bebida. Morrison já agonizava em apresentações pelos DOORS quando optou por se refugiar na capital francesa com a companheira Pamela Courson, para se desintoxicar e escrever poesias. No entanto, morreu na noite de 3 de julho de 1971 de forma tão repentina e espetacular quanto nascera para o estrelato três anos antes. No épico encontro com Janis, no ano anterior, fizera um brinde a ela e a Hendrix. “Vocês estão bebendo com o Número Três”, disse, antecipando O Fim. Novamente, pela heroína.

A overdose viria a ocorrer no clube Rock & Roll Circus. Depois de tomar cerveja e vodca, Morrison se trancou no banheiro e foi encontrado imóvel no chão, com a cabeça entre os joelhos e a boca espumando. Insistindo que o músico sofrera apenas um ‘desmaio’ e contrariando parecer de um médico que o analisou no local, pessoas levaram-no para a banheira de seu apartamento. Na manhã seguinte, Pamela o encontrou sem vida e contou uma versão distinta aos policiais. Em abril de 1974, ela foi encontrada morta por overdose de heroína, com os mesmos 27 anos de Morrison.

O Rei

Eis que surge a mais complexada das estrelas, Elvis Aaron Presley, descrito como portador do Complexo de Deus, Complexo de Édipo, transtorno obsessivo-compulsivo, bipolar, paranoico, esquizoide, insone, hipocondríaco e fetichista. Ufa! “Seu comportamento podia ser comparado ao de Darth Vader”, recordou a filha Lisa-Marie. Mas Elvis teve a faceta angelical e foi o mais gentil e generoso com os fãs.

O Rei andava armado e ao mesmo tempo era um autêntico embaixador da paz, incluindo ser faixa preta de sétimo dan no caratê. Coisas do Escolhido, que era acobertado pela chamada “Máfia de Memphis” e vivia com um bando de ‘parasitas’. Passando por condecorações do presidente Richard Nixon e a carta de próprio punho denunciando os BEATLES e Jane Fonda por problemas causados à juventude.

Em um único ano, 1956, passou de um “pé-rapado caipira” a “Elvis the Pelvis”, graças ao single “Heartbreak Hotel”. Em seguida veio a temida convocação para o Exército, que acabou aceita para passar uma imagem de bom rapaz americano. Então a inesperada morte da amada mãe Gladys foi profundamente sentida pelo ídolo da juventude estadunidense e mundo afora.

Para os mais íntimos, Elvis era conhecido como ‘Rei das Preliminares’, devido ao grande apreço por carícias e abraços, que muitas vezes suplantavam a conjunção carnal propriamente dita. E olha que o astro sempre estava acompanhado, em permanente conduta nada monogâmica. O escritor frisa que o mitológico músico deixara enlouquecida a ‘patroa’ oficial, Priscilla, com quem se casou e depois divorciou.

O apetite descomunal por anfetaminas antes das apresentações e pílulas para dormir não poderia deixar de ser enfatizado pelo autor do livro, uma vez que era algo notório ao longo da carreira do Rei. Uma Síndrome de Cushing acabaria castigando o ídolo em sua fase final, por meio do ganho de peso, fadiga, transpiração anormal, redução da libido, ansiedade, mudanças de humor e depressão severa. Sem falar na lúpus progressiva que acabou adquirindo.

Elvis passou por overdoses quase fatais devido a coquetéis de drogas, além de crise em seu império financeiro consumido por excessos administrativos. Até que, em 16 de agosto de 1977, um já obeso corpanzil passou a sentir tonturas e, sem conseguir respirar, caiu no banheiro. O cantor bateu a cabeça no chão, mordeu a língua e teve metade da mesma arrancada, enchendo o carpete carmesim de sangue. Na autópsia descobriu-se que todo o seu interior estava completamente deteriorado.

O que se viu naquele momento foi um plano para abafar a notícia, a destruição do conteúdo do estômago do cadáver sem ser analisado e o sumiço de documentos oficiais dos peritos médicos. Após quase dois anos de especulações sobre lúpus, câncer nos ossos e derrame, a verdade veio à tona com auxílio de intensa averiguação da ABC News e diversos investigadores particulares. Dez substâncias controladas foram descobertas na corrente sanguínea de Elvis, concluindo para uma causa “polifarmacológica” da morte.

Imagine

As contradições típicas de roqueiros. Ele, que um dia cantou “All You Need is Love” e “Woman Is the Nigger of the World”, além de imaginar o mundo vivendo em paz e harmonia, teve um histórico de violência contra mulheres. É John Lennon, senhoras e senhores, aquele que certa vez confessara ao produtor Jack Douglas que seus dias “estavam contados” e estava vivendo “na prorrogação”.

O ex-beatle se preocupava com a ideia de morte prematura desde os tempos em que integrava o Fab Four de Liverpool, devido a muitos familiares e amigos próximos terem sido levados. Até que, às 17 horas daquele 8 de dezembro de 1980, John concedeu uma entrevista por telefone a uma estação de rádio de São Francisco e saiu do edifício Dakota com a esposa Yoko Ono, rumo a uma limusine.

O artista mal sabia, mas eram os seus últimos passos em vida. No caminho até o veículo Lennon foi abordado por um jovem gorducho de óculos, Mark David Chapman, que segurava seu novo álbum. Após agradecer, gaguejando, o autógrafo dado pelo ídolo, o excitado fã olhou para o disco em uma das mãos e com a outra, dentro do bolso da jaqueta, apertou o revólver calibre .38 de cano curto.

O “beatle intelectual” esteve sob a vigilância do FBI e da Imigração em razão de seu ativismo radical, motivo pelo qual temia o mesmo destino que Robert Kennedy e Martin Luther King. Já a polêmica parceira de Jennon, que raramente o acompanhava nos posicionamentos por estar sempre ocupada cuidando dos negócios, é descrita pelo autor do livro como uma “consumista insaciável”.

O próprio músico inglês é dito como gastão, algo contraditório para quem outrora cantou “imagine no possessions” (imagine um mundo sem propriedades). Mas há os méritos em, por exemplo, tornar os BEATLES mais profundos, contrapondo a Paul McCartney, que fez do grupo o mais popular. A até então rivalidade saudável entre Lennon e McCartney se intensificou após a morte do empresário Brian Epstein.

“Depois que Brian morreu, nós desmoronamos. Paul assumiu o comando”, disse John. O executivo da Apple, Tony Bramwell, lembra que os quatro músicos não chegavam mais a um acordo. “O ego passou a ser mais importante que o sucesso. John automaticamente vetava qualquer sugestão de Paul, que recusava as de George, que rejeitava o que John dizia”, descreve.

Entretanto, os outros integrantes da banda acreditavam que Yoko Ono é que afastou Lennon dos BEATLES. A artista nipônica quebrara a regra dos rapazes – não escrita, mas válida – em manter esposas e namoradas fora do estúdio. Comfort analisa Yoko como “uma sombra, uma conselheira e uma dominatrix criativa”. Além disso, afirma que ela se considerava uma artista superior a todos. O livro traz detalhes das desventuras de John com a primeira mulher, Cynthia, mãe de Julian Lennon, com a própria Yoko, mãe de Sean Lennon, e ainda com May Pang.

Além disso, David Comfort mergulha no perfil psicológico e na história de vida do infeliz assassino do eterno guitarrista e vocalista dos BEATLES. “Mark Chapman passou a odiar John Lennon. O verdadeiro ódio nasce do amor traído”, aponta o autor da obra literária. Enfim, John Winston Ono Lennon passou os últimos momentos de sua vida no banco de trás de uma viatura da polícia de Nova Iorque, após ser alvejado por quatro tiros vindos de um fã. Mais ironia, impossível!

Outro Donald

Assim como John Lennon, Kurt Donald Cobain morreu devido a disparo de arma de fogo. No entanto, o guitarrista e vocalista do NIRVANA teria tirado a própria vida, segundo a versão oficial do caso. O escritor traz bastante informação a respeito da versão de assassinado, que beira o conspiratório por levantar acusações contra a ex-companheira de Cobain e líder do grupo Hole, Courtney Love.

A apressada cremação do corpo do músico é um dos fatores suspeitos, uma vez que o detetive Tom Grant, da polícia de Los Angeles, implorou para que o caso fosse reaberto como possível assassinato. A alegação é que o corpo de Cobain apresentava uma quantidade três vezes maios do que uma dose letal de heroína. Também que a arma encontrada ao lado do cadáver não apresentava qualquer impressão digital que pudesse ser identificada.

Sem mencionar a tal carta de “suicídio”, que supostamente não tinha sido toda escrita com a letra do músico de Seattle. A mensagem final era endereçada a “Boddah”, um ‘companheiro extraterrestre’ de Cobain e melhor amigo em sua tenra infância. “Tenho os genes do suicídio”, disse a seus colegas de classe em determinada ocasião. Pelas próprias características e atitudes do revoltado cidadão, não se poderia esperar outro fim trágico que não o ocorrido em 5 de abril de 1994.

A timidez com as garotas, a bissexualidade nem tão famosa ao grande público e as loucuras do genial artista, durante toda a breve vida, foram esmiuçados pelo autor de “Mortos do Rock”. A fascinação de Kurt por coisas repulsivas é bastante delineada, tal qual o desgosto com a família e as prisões por desordem afim. O ‘Rei do Grunge’ – rótulo tenebroso para ele – é, dentre os sete roqueiros abordados no livro, o que talvez ainda exerça a maior influência no público jovem.

O uso contínuo de heroína por Cobain vinha com a justificativa de uma dor de estômago crônica, cuja origem não era diagnosticada pelos diversos médicos consultados. Assim como para os demais lendários músicos, a droga na vida de Kurt foi devastadora, incluindo a participação de Courtney. “Eu a achei parecida com Nancy Spungen”, lembrou o astro, se referindo à ‘mortal’ e viciada companheira de Sid Vicious, do grupo SEX PISTOLS.

O “Carne de Fada” (apelido dado por Love) escolhera uma vida tresloucada e perigosa. As informações sobre os últimos dias de Cobain dão conta que o frontman estava desgostoso com o NIRVANA e a própria esposa, lhe restando uma última esperança de sobreviver, a filha Frances Bean Cobain. Mas o genial canhoto deixou o plano terreno ao ser encontrado, em rigor mortis completo, por eletricistas de uma empresa de alarmes que Love enviara à estufa da residência do casal. Ele teria estourado os próprios miolos com uma espingarda.

As circunstâncias suspeitas que rondam o suposto suicídio foram bem delineadas por Comfort. A quantia absurda de heroína no corpo de Kurt impediria um ser humano de continuar consciente e guardar a seringa e outros instrumentos na caixa de charutos encontrada a seu lado, muito menos de colocar a espingarda na própria boca e puxar o gatilho. Em overdoses anteriores, as agulhas tiveram de ser extraídas do braço de Kurt quando ele já estava inconsciente.

Todo um possível modus operandi que sustenta a teoria de homicídio de Cobain é descrito com bastantes detalhes e comentários de especialistas, ficando a dica como atrativo adicional aos leitores de “O Livro dos Mortos do Rock”. Para aqueles que detestam Courtney Love pelo que ela representou na vida e também pós-morte do líder máximo do NIRVANA, a obra é um prato cheio. A sensação que fica ao se concluir a leitura deste capítulo é bastante desagradável...

Morto agradecido

Por fim, aparece o principal nome da banda GRATEFUL DEAD, Jerry Garcia. O menos conhecido dos Sete, mas nem por isso desinteressante, teve do mesmo modo toda a história desvendada no livro. A trajetória que foi a última a se esvair, exatamente em 9 de agosto de 1995, aos 53 anos de idade. Garcia também teve forte ligação com a heroína, incluindo – para piorar o quadro – a obesidade mórbida e diabetes altíssima.

Colega dos famigerados integrantes do grupo de motoqueiros Hell’s Angels, Jerry contabilizou quatro casamentos ao longo da vida e, nada surpreendente, muitas decepções amorosas. Chegou a morrer e ser ressuscitado, além de ter de reaprender a andar, falar e até mesmo tocar guitarra depois de uma experiência quase fatal em 1986.

O músico autodenominado “a ovelha negra de uma ovelha negra” sofreu o trauma infantil de ter um dedo amputado acidentalmente pelo irmão mais velho, Tiff, além de possuir um histórico de vandalismo escolar. Depois viria a ligação com maconha, cocaína e “doce” (ácidos), assim como a dispensa por inaptidão do serviço militar – tal qual Hendrix –, graças aos deuses do Olimpo do Rock.

As habilidades de Garcia com outros instrumentos, desde a adolescência, foram certeiramente mencionadas por Comfort na obra. A veia underground e surrealista do GRATEFUL DEAD não passou em brancas páginas, do mesmo modo que a amizade ‘cult’ com gente do naipe de Salvador Dali e Tom Wolfe. Adiciona-se na conta do grupo e de seu líder nato a relação com tranquilizantes e estimulantes, para aguentar as cansativas turnês.

Para se ter uma ideia, em 1969 foram 143 apresentações e em 1970, 145 shows. Haja disposição para o lendário grupo, um dos pioneiros em excursionar com dois bateristas e dois tecladistas. Ou seja, era uma verdadeira “muralha de som” (wall of sound) no palco. “Cada apresentação dos oito Dead tornou-se uma visão imprevisível, coletiva e ascendente que engolia o público”, sentencia o autor do livro.

No tempero mitológico da banda inclui-se a morte de um integrante aos 27 anos e da ‘amiga íntima’ de Jerry, Janis Joplin, além de familiares de vários músicos. “Janis estava trilhando um caminho muito perigoso. Ela mesma o escolheu, sem problemas. Ela fez o que tinha de fazer e pediu a conta”, narrou Garcia. Os tempos mudaram na opção pelas drogas: se os anos 1960 foram movidos a fumo e ácido, os 1970 eram dos tranquilizantes e anfetaminas – ampliadores e elevadores contra acelerados e depressivos.

O vício em heroína dinamitou as finanças de Garcia, que desenvolveu uma bronquite severa e outros problemas pulmonares. Depois viria a comilança de hot-dogs, chocolates e sorvetes, que o conduziu ao diabetes. Sem falar na redução na quantidade de banhos tomados, do mesmo modo que Elvis, Kurt e outros usuários crônicos da droga. “Ele estava realmente destruído”, resumiu uma das esposas, Carolyn “Mountain Girl” Garcia.

As transfusões financeiras das quais necessitavam o GRATEFUL DEAD durante as recaídas de Jerry o levaram a lutar contra, e ao mesmo tempo a favor, do rótulo “antiestrelismo” do grupo, que acabou catalisado pela mídia ao invés de ‘despromovido’ como idealizavam inicialmente os músicos. “Contrariando tudo em que acreditava, Jerry estava se tornando um Midas, um magnata e uma marca comercial”, delineia Comfort, para desespero dos puristas de plantão.

A insatisfação de Jerry com a fama foi inevitável, pois a condição o afastava de ser ‘simplesmente’ um músico. Mas muito pior que ser transformado numa mercadoria, uma celebridade ou um executivo de alto escalão, Garcia repudiava a pecha de ‘guru’ ou espécie de profeta. “Você acaba se perdendo nesse tipo de poder”, aponta o músico. Nem é preciso dizer que as drogas o faziam se libertar da pressão e da fama vinda de fora para dentro.

Mortes de integrantes do Dead e comas de Garcia se sucederam, reescrevendo a trajetória do grupo. Em 1995 o músico sofrera desmaio no camarim, depois esquecia as letras das canções e usava um teleprompter para acompanhá-las. Nessa época já sofria de perda aguda de audição e os lendários solos de guitarra tornaram-se anêmicos e vacilantes. Então um ataque cardíaco fulminante o levou embora, deixando para trás o GRATEFUL DEAD, a JERRY GARCIA BAND, a última das esposas e as drogas.

Enfim, são sete fantásticas e saborosas histórias desses mitos do Rock e da música mundial, abordados de modo atraente e respeitoso pelo escritor David Comfort. Um convite para a leitura por aqueles que apreciam a arte, a música e grandes personalidades da humanidade. Não chega a ser uma biografia dos citados roqueiros, mas é um excelente livro e com ótimas narrativas, para fazer parte da biblioteca particular do bom leitor que se preza.

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Sobre Igor Hidalgo

Igor Hidalgo, 26, é jornalista em Nova Odessa, região de Campinas/SP.

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