O que unia Jimi Hendrix com Syd Barrett, na visão de Jimmy Page
Por Bruce William
Postado em 16 de setembro de 2025
O Pink Floyd viveu duas fases distintas: a dos anos 70, marcada por álbuns que se tornaram clássicos, e a dos anos 60, comandada por Syd Barrett. Foi Barrett quem deu identidade ao grupo, criando um som que misturava psicodelia, improvisos longos e experimentação visual com luzes e projeções. Esse primeiro passo foi essencial para que a banda pudesse, mais tarde, chegar a obras como "The Dark Side of the Moon" e "The Wall".
Mesmo com sua saída precoce em 1968, devido ao agravamento de problemas de saúde mental, Barrett marcou profundamente a cena britânica. Ainda na década de 60, Pink Floyd já aparecia como um dos grupos mais ousados, gravando "The Piper at the Gates of Dawn" no mesmo Abbey Road em que os Beatles trabalhavam em "Sgt. Pepper's". Nesse contexto, não surpreende que outros músicos de ponta tenham se impressionado com a postura criativa do guitarrista.

Um desses nomes foi Jimmy Page. O guitarrista do Led Zeppelin admitiu em 2017 que sempre teve grande fascínio pelo Pink Floyd original. "Syd Barrett era absolutamente inacreditável em termos do que estava fazendo; deu um passo para fora da caixinha e canalizou todas aquelas coisas incríveis. A versão deles da música psicodélica era muito, muito legal", afirmou. Para Page, enquanto parte da cena psicodélica parecia apenas modismo, Barrett transformava o conceito em arte de verdade.
A admiração, porém, foi ainda além. Em 2012, Page chegou a colocar Barrett lado a lado com Jimi Hendrix. "A escrita de Syd Barrett com o Pink Floyd foi inspiradora. Nada soava como Barrett antes do primeiro álbum do Pink Floyd. (...) Tanto ele quanto Jimi Hendrix tinham uma visão futurística em um senso", declarou. Em sua ótica, os dois artistas conseguiam antever possibilidades que o rock ainda não tinha alcançado, empurrando os limites do gênero.
Curiosamente, tanto Hendrix quanto Barrett tiveram carreiras interrompidas cedo demais. Hendrix morreu em 1970, aos 27 anos, no auge de sua criatividade. Barrett, por outro lado, se afastou da música ainda jovem e viveu recluso até sua morte em 2006. Ambos, cada um à sua maneira, acabaram se tornando símbolos de genialidade efêmera, mas de impacto duradouro.
Essa aproximação feita por Jimmy Page ajuda a dimensionar o legado de Barrett. Mais do que o "músico que saiu cedo do Pink Floyd", ele foi alguém que, assim como Hendrix, enxergava caminhos ainda invisíveis para a maioria. Para Page, essa era a verdadeira medida da grandeza dos dois: a capacidade de soar como se viessem do futuro, mesmo quando falavam a língua do presente.
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