"Jesus"; a improvável canção do Queen com referências diretas ao Novo Testamento
Por Bruce William
Postado em 16 de setembro de 2025
Lançado em 1973, o primeiro disco do Queen trouxe uma faixa que sempre chamou atenção pelo tema inesperado: "Jesus". Escrita por Freddie Mercury, a canção percorre alguns episódios bíblicos, incluindo a cura de um leproso, em versos diretos que se destacam no meio do repertório inicial da banda. O curioso é que Mercury não era cristão - ele nasceu em uma família Parsi e foi criado dentro do Zoroastrismo.
Brian May já comentou sobre essa escolha em entrevista à Mojo (via Songfacts: "Freddie nasceu dentro da fé zoroastrista, mas frequentou uma escola cristã em Zanzibar. A mente dele funcionava de maneiras interessantes e às vezes obscuras. Não sei de onde vieram as letras de 'Jesus', assim como não sei de onde veio 'Bohemian Rhapsody'."

Musicalmente, a canção também foi marcante. O longo interlúdio instrumental de guitarra, cheio de efeitos, contribuiu para que a imprensa classificasse o Queen como banda de "rock psicodélico" nos primeiros anos. O próprio May reconheceu que, no disco de estreia, o grupo às vezes se perdia em arranjos excessivos: "Algumas músicas evoluíram demais. Você pode ir tão longe que esquece o que a canção era originalmente."
Embora Mercury não fosse religioso, o tema espiritual nunca esteve distante da obra do Queen. A letra de "Liar" soa como uma confissão a um padre, enquanto "The Prophet's Song" se inspira em passagens bíblicas. Mais tarde, Freddie exploraria influências do gospel em "Somebody To Love", ou questionaria a humanidade em "Is This the World We Created?". Até os últimos anos, composições como "The Miracle" e "All God's People" ainda traziam reflexões sobre fé, espiritualidade e a busca por um sentido maior.
Assim, "Jesus" permanece como uma das primeiras demonstrações de que Mercury não se limitava a escrever sobre amores ou dramas pessoais. Desde o início, já buscava temas universais, mesmo que viessem de tradições que não eram as suas. A letra soa quase como um exercício narrativo, distante de qualquer declaração de fé, mas suficiente para mostrar sua curiosidade e abertura artística. Colocada no contexto do álbum de estreia, a faixa revela um Freddie ainda em busca de caminhos, testando sonoridades e referências que ajudariam a moldar a identidade do Queen.
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