Axl Rose: a carta que não entrou em "Chinese Democracy"

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Axl Rose: a carta que não entrou em "Chinese Democracy"


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Um usuário de um dos maiores e mais antigos fóruns sobre o GUNS N’ ROSES da internet – mygnr.com - conhecido como ITW 2012, postou a transcrição de uma carta aberta de Axl aos outrora potenciais compradores do disco de 2008 da banda, “Chinese Democracy”.

A epístola – obviamente não incluída para a versão do CD distribuída em massa - aborda a relação de Axl Rose com a ideologia comunista e o modus operandi do governo chinês, assim como suas implicações para com nossa realidade.

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Muito se especula sobre o porquê desse texto não ter sido incluído em todas as versões do disco, e porque algumas lojas receberam essa versão. Alguns afirmam que foi uma versão extremamente limitada do disco (assim como as versões com quatro capas alternativas) com tiragem reduzida de mil cópias. Outros chegaram a receber o encarte dessa versão nas freqüentes sessões de autógrafos que DJ Ashba e Dizzy Reed promovem pelos locais onde o Guns N’ Roses excursiona – sendo que um fã chegou a postar a foto dele tendo esse libreto autografado por DJ. Algumas versões ‘pirata’ (no sentido de fabricada sem autorização legal da banda e da gravadora) também conteriam, além da carta abaixo, uma pequena nota de rodapé de Axl sobre Riad, inspiração não só da faixa ‘Riad and the Bedouins’, mas também da já clássica ‘Civil War’, do disco ‘Use Your Illusion II’ de 1991.

A tradução do texto para o português, em sua íntegra, segue abaixo:

Liberdade e Medo: O Futuro da China e da Sociedade Ocidental

E se você vivesse em medo constante... sabendo que você poderia ser preso a qualquer momento sem razão; sem aviso; ser jogado na prisão; julgado e condenado; sentenciado sem quase nenhuma chance de apelação ou revisão; até executado sem a representação de um júri ou família?

E se você fosse informado pelo governo que você e sua família seriam permitidos a visitar seu ente querido na prisão, mas antes que você fosse permitido a fazê-lo, você fosse informado de repente que, sem aviso, o Estado o executou?

E se o grau de força imposto para repreender delitos muito menos – ou pura inocência – fosse tão extremo como o para grandes crimes e quase uma parte de cada minuto de sua existência? E se você soubesse que um amigo ou membro da família, uma pessoa amada, pudesse ser extirpado de sua vida instantaneamente com pouco ou nenhum recurso?

E se quase todo mundo e qualquer um pudesse literalmente ser uma araponga do governo para informações tangentes a discussões providenciais em áreas pertinentes aos direitos humanos; Budismo, Tibete, o Dalai Lama, diferentes sistemas de governo, religião ou espiritualidade ou conversar sobre e com qualquer coisa além do desdém pelo estilo de vida, governo e comércio na sociedade ocidental? E se você tivesse nascido em tal situação e circunstância, o que você faria?

E se você se sentisse tão indefeso e amedrontado que você seria forçado a vender seu próprio filho que você ama porque você não tem dinheiro para pagar a multa e outras conseqüências da regra de ‘só um filho’ da China?

E se seu contato com o mundo fora do seu país fosse controlado por seu governo ao ponto de que você não teria real consciência de eventos atuais básicos do mundo? E se você vivesse num país onde a discussão de uma palavra associada com o nome de seu país, como “democracia”, de qualquer modo a não ser desdém pudesse trazer sérias conseqüências, o que você faria?

Em minha opinião, em algum nível onde a obviedade abunda, é que o âmago verdadeiro de uma percepção multifacetada, e a realidade da vida para uma comunidade inteira com a maior população no mundo – e meu foco particular – é que você sofreria... diariamente. A menos que sua mente e/ou educação pudesse manobrar-se através do campo minado da aplicação da lei comunista e burocracia do governo, onde o risco é tão real e psicologicamente devastador que viver em óbvios medo e negação são formas quase positivas de ação, reação, e sobrevivência diária ou proteção para você próprio e seus entes queridos... você veria sofrimento e você pode até mesmo escolher simplesmente ver o sofrimento como meio de sobrevivência.

Eu não desrespeito a República Popular da China de modo algum. Na verdade, por razões que eu não posso explicar, eu tenho um respeito firme e profundamente enraizado, compaixão e respeito pelo povo Chinês.

Nossa música, “Chinese Democracy”, em sua irreverência, serve propostas positivas e comunicação com todos os segmentos da sociedade; fãs de música (fãs do Guns N’ Roses em particular) e, especialmente, a mídia ocidental, para abrir um diálogo em áreas não necessariamente focadas tanto nos eventos atuais como responsabilidades sociais globais.

Quando eu tive o privilégio de conhecer tanto Hong Kong como a China continental, eu experimentei diferentes níveis de medo o tempo todo em relação à área em particular que eu visitei. Eu não experimentei o medo no sentido de ter temido por mim, eu testemunhei o medo em outros em todo lugar em volta de mim, e mantive minha conduta calma, observante e extremamente educada. O que eu senti foi um coração emocionalmente partido. Eu nunca testemunhei tantos indivíduos passando pela vida em tamanho grau de medo visível, especialmente o cidadão comum no espectro do social, posição econômica e social. Os militares estavam por perto de uma forma ou de outra, desde um soldado solitário até pelotões executando marchas de rotina. Não era como em um filme, uma vez que era muito mais extremo no sentido de que isso era real. Eu não indaguei ou conversei sobre nenhum desses assuntos com ninguém em público.

O uso das duas palavras “Chinese” e “Democracy” foi intencional, apesar disso, talvez não no sentido que muitos possam pensar. Eu não tenho pretensão de saber qual sistema de governo é o melhor para as pessoas da China. Eu sinto que preconceito e mente fechada de pelo menos muitos fãs do Guns N’ Roses parecem garantir uma conscientização das realidades de um mundo em constante evolução e crescimento onde a China continua a desempenhar um papel cada vez maior.

A China, quer gostem, quer não, irá tornar-se cada vez mais e mais uma parte de nossas vidas diárias e uma força integral para o futuro de nosso planeta. Com isso, sem nos aproximarmos das severas realidades da China como uma super potência, com tudo que ela tem a oferecer e traz tanto para o future e para dentro de nossas vidas, essa transição contínua não será nada agradável e pode ir em diversas direções que a maioria das pessoas sente que são ou inibidoras, inaceitáveis ou irracionais. Ainda assim, a economia e a posição do governo poderia nos forçar a aceitar essas condições, como é o caso agora.

Não há maneira pela qual eu possa abordar todas as questões importantes de tamanho assunto por aqui. Nem eu clamo ser uma autoridade nem mesmo familiarizado com todos os fatos relacionados à China. O que eu afirmo, como um habitante de nosso planeta, que por meio de meus olhos eu percebi um profundo nível de dor não evidente no cidadão comum na sociedade ocidental que é diretamente relacionado à como as pessoas na China são governadas. Por que um governo quer que seu povo seja submetido a tamanho nível de medo, stress e amarra emocional?

Eu não vislumbro ilusões de que mudanças ocorrerão da noite pro dia. O Que eu sei é que, independente de alguém gostar disso ou não, a China está chegando e ela traz uma força opressora com ela que está além de qualquer coisa que tenhamos provado em nosso cotidiano e até que nos familiarizemos, será continuamente difícil para muitos. As tensões podem provar serem muito mais exigentes do que precisa ser e ter muitas conclusões insatisfatórias.

Direitos humanos básicos estão na frente dessas preocupações, não apenas para a China, mas para o planeta. A obrigação de oferecer e manter esses direitos para nós mesmos e todos os cidadãos desse planeta é uma responsabilidade compartilhada por todos. A solicitação e apelo são para que o governo da China reconheça que seu povo ama aquele país e que supra tudo que eles precisam pra que vejam a China sobreviver. A China pode prosperar, crescer e vingar, sem o desnecessário nível de medo instilado pelo governo e o intolerável grau de opressão e abuso de direitos básicos sociais e humanos exercidos por aqueles no poder.

Liberdade religiosa, aquelas escolhidas pelo povo e não pelo governo, e o reconhecimento e respeito de culturas e religiões dos outros é imperativo tanto para a saúde de uma nação como para o planeta como um todo. Aqueles que governam com medo, em minha opinião, têm um medo muito mais profundo e maior que os governa de dentro (o que deve ser discutido, diminuído e voltado para direções alternativas), do que aqueles que formam a base para governar pessoas que solicitamente procuram seguir, lutar por e amar seu país.

Por favor, me perdoem se eu falei demais ou se vocês sentem que isso não é meu lugar ou assunto meu. Como um habitante de nosso planeta, eu respeitosamente discordo uma vez que, em minha opinião, essa é nossa obrigação de um para com o outro.

Esses são apenas alguns pensamentos dentre muitos para guardar na cabeça a medida que nos movemos adentro desse século. Obrigado por tirar um tempo para ler alguns dos meus.

Tudo de bom e que Deus abençoe.

Sinceramente, Axl Rose

Em outra nota do encarte, Axl fala de Riad:

Riad é o nome de um momentâneo outrora co-cunhado meu e ex-cunhado de Erin Everly, através da qual eu o conheci. De descendência parte Libanesa e ex-estudante da universidade Pepperdine, ele afirma ser um negociante internacional de armas, bilionário com ambições de ser “rei do mundo”. Ele afirma que custeia várias organizações médicas e organizações Nazistas clandestinas ao redor do mundo que diz que seus heróis são Napoleão e Adolph Hitler. Ele afirma que seu bem mais precioso é seu anonimato. Ele também afirma ser um expert em estratégia militar, e foi a inspiração para a canção do Guns, ‘Civil War’, que foi escrita a seu pedido por uma canção sobe como “as pessoas eram estúpidas e ele podia vender qualquer coisa a elas porque os homens amam matar uns aos outros”. Ele também afirma ser um expert em finanças globais e lavagem de dinheiro. Vivendo sem pagar impostos em Belair da última vez que soube dele, e afirmando lavar dinheiro para pessoas ricas em vários países predominantemente na Arábia Saudita e no Oriente Médio. Com laços às administrações Bush/Reagan e onde quer que haja uma Guerra no mundo em qualquer momento.

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.

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