Avenged Sevenfold: banda volta às suas raízes no bom "The Stage"

Resenha - Stage - Avenged Sevenfold

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Igor Miranda
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Para uma banda relativamente inventiva como o Avenged Sevenfold, o que seria "experimental" em sua trajetória?

Shows: veja quanto Sabbath, A7X, Red Hot e Disturbed faturaramRock Progressivo: Você sabe que está ouvindo demais quando...

"Hail To The King", lançado em 2013, pode ser considerado um disco experimental para os padrões da banda. Nele, o grupo praticou heavy metal tradicional, sem tirar e, especialmente, nem pôr. Um bom trabalho, que agradou ao meu gosto particular, mas, sim, de pouca ousadia.

Imagem

"The Stage" vai contra esta orientação artística. O sétimo álbum de estúdio do Avenged Sevenfold retoma a identidade criativa do grupo com um ingrediente adicional: experiência. A banda soa madura. Talvez este disco não se sobreponha aos clássicos lançados na década passada, porém, em termos estritamente musicais, é o melhor registro do A7x. De longe.

Os motivos para chegar a esta conclusão são distintos - e todos passam pela vivência dos envolvidos, mas têm origens diferentes. Em "The Stage", o Avenged Sevenfold deixou de tentar soar virtuoso, como o fez em discos como "City Of Evil", e ganhou robustez em sua sonoridade, algo já não tão encontrado em registros como o álbum autointitulado, de 2007.

Inscreva-se no nosso canalWhiplash.Net no YouTube

Não há mais tantos refrãos batidos, nem as guitarras gêmeas que, na pegada de Synyster Gates e Zacky Vengeance, não me agradavam. Ainda há de se considerar que, em termos de criação, a banda ainda não supriu a ausência do baterista The Rev, falecido em 2009, que. também era um dos principais compositores. No entanto, em "The Stage", enxerga-se caminhos para superar este problema.

A opção pelo baterista Brooks Wackerman também foi sensata. O músico tem um background artístico curioso: já gravou com Avril Lavigne, Suicidal Tendencies, Infectious Grooves, Glenn Tipton, Tom DeLonge e Korn, além de ter integrado o Bad Religion por quase 15 anos.

Experiente, Brooks Wackerman conseguiu aliar seu estilo próprio à pegada de The Rev. Como resultado, a banda soa mais à vontade do que em seus dois álbuns anteriores, quando gravaram com Mike Portnoy ("Nightmare") e Arin Ilejay ("Hail To The King"). Por mais que não tenha a mesma colaboração autoral que Rev, Wackerman se saiu bem por aqui.

Na abertura, a faixa título mostra o Avenged Sevenfold na pegada ousada que o consagrou na década passada. Mais progressiva, a faixa de mais de oito minutos conta com mudanças rítmicas, momentos virtuose, sequências de bateria com pedal duplo... basicamente, os elementos que colocaram o A7x no topo 10 anos atrás.

Na sequência, a incrível e pouco convencional "Paradigm" destaca Brooks Wackerman, que chega a lembrar The Rev ao optar por caminhos tão pouco usuais na bateria. As variações rítmicas são o destaque. "Sunny Disposition" é recheada de momentos distintos, com direito a instrumentos de sopro após o primeiro refrão. Outra faixa de andamento ousado.

Faixa mais curta do disco, "God Damn" chega a soar extrema pelos riffs e pela seção rítmica - com exceção do refrão, tipicamente melódico. Até o tímido baixo de Johnny Christ aparece. "Creating God", mais reta, destaca a guitarra do sempre afiado Synyster Gates. Boa música, mas fica um pouco atrás das anteriores.

Primeira balada do álbum, "Angels" é comedida em suas harmonias. Não soa tão melódica ou emotiva como outras lançadas pela banda no passado. Os solos são ótimos. "Simulation", que começa lenta, me provocou o seguinte questionamento: "por que outra música lenta na sequência?". A resposta vem a partir dos 48seg, quando o instrumental entra em peso. Afunda-se o pé no acelerador. Volta-se ao "lento" e retoma-se a velocidade. Há um clima de guerra ao meio da música. Muito bom.

A gradual "Higher" demora para engrenar e não convence tanto quando se consolida. Filler razoável. A seguir, "Roman Sky" se mostra uma legítima balada do Avenged Sevenfold, pelo bom trabalho com os arranjos. Instrumentos clássicos de corda dividem a atenção com voz e guitarra clean. Nada de distorção, baixo e bateria na maior parte desta boa canção. "Fermi Paradox" alterna entre o thrash e o melódico com maestria sem grandes surpresas. É o momento mais "heavy tradicional" do álbum.

O disco chega ao fim com a longa "Exist", que não precisava durar quase 16 minutos. Demora para começar, tem um trecho instrumental (que dura cerca de 2min) e depois paira um quase-silêncio. O vocal entra mesmo só após o 7° minuto. Boa parte da faixa conta com guitarra limpa, sem distorção, mas não chega a ser uma balada. A parte final, com mais velocidade e um teclado/órgão na linha de frente, chama atenção, mas também enjoa - são quase cinco minutos com o mesmo arranjo e uma voz de narração ao fundo.

"The Stage" é um ótimo recomeço para o Avenged Sevenfold. Digo "recomeço" porque o grupo ainda parece não ter sanado, por completo, a ausência de The Rev. Ele era importante para o grupo. Apesar disso, o álbum agora lançado mostra que há, sim, vida após o falecido baterista. Dá para voltar ao ritmo e ao padrão de qualidade da década passada.

O repertório de "The Stage" pode não ser de todo genial. No entanto, a evolução dos integrantes do Avenged Sevenfold em seus postos é notável. E, especialmente na primeira metade do disco, o grupo oferece um material muito, muito bom.

M. Shadows (vocal)
Zacky Vengeance (guitarra)
Synyster Gates (guitarra)
Johnny Christ (baixo)
Brooks Wackerman (bateria)

01. The Stage
02. Paradigm
03. Sunny Disposition
04. God Damn
05. Creating God
06. Angels
07. Simulation
08. Higher
09. Roman Sky
10. Fermi Paradox
11. Exist

Comente: O que você achou do novo álbum do Avenged Sevenfold? Ou vai reclamar sem ouvir?

Quer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Outras resenhas de Stage - Avenged Sevenfold

Avenged Sevenfold: Banda se reinventa no "The Stage"Avenged Sevenfold: Banda mostra porque resiste ao tempo

Avenged Sevenfold
Bêbados, os caras resolvem tocar em bar na Finlândia

Shows: veja quanto Sabbath, A7X, Red Hot e Disturbed faturaramAvenged Sevenfold: Johnny Christ fala sobre os bateristasRock e Metal: em vídeo, as 10 despedidas mais épicas da históriaAvenged Sevenfold: baixista revela suas influênciasTodas as matérias e notícias sobre "Avenged Sevenfold"

Avenged Sevenfold
Banda continuou graças à família de Rev

Rock e Metal
E se as capas dos álbuns fossem honestas?

Avenged Sevenfold
Membros escolhem seus álbuns favoritos de 2015

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, nos links abaixo:

Post de 27 de outubro de 2016
Post de 29 de novembro de 2016

Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Avenged Sevenfold"

Humor
Você está ouvindo rock progressivo demais quando...

Hetfield
"Você não iria gostar de mim se soubesse minha história"

Cannibal Corpse
Baterista fala sobre participação no Ace Ventura

As regras do New Metal/Nu-metalDimebag: relato e fotos inéditas do - bizarro - último Natal deleSeparados no nascimento: Andre Matos e Steve PerryO Metaleiro: versão metal para o hit "Piradinha"Bruno Sutter: novo video satiriza os radicais do MetalIron Maiden (1969): Tesouro Perdido do Rock e Heavy Metal

Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apaixonado por rock há mais de uma década. Começou a escrever sobre música em 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Atualmente, é redator-chefe da área editorial do site Cifras e mantém um site próprio (www.IgorMiranda.com.br). Também co-fundou o site Van do Halen, para o qual trabalhou até 2013 – apesar de ainda manter por lá uma coluna semanal, chamada Cabeçote.

Mais informações sobre Igor Miranda

Mais matérias de Igor Miranda no Whiplash.Net.

Link que não funciona para email (ignore)

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em agosto: 1.237.477 visitantes, 2.825.604 visitas, 7.034.755 pageviews.

Usuários online