Anthrax: 22 anos do primeiro álbum com John Bush nos vocais

Resenha - Sound of White Noise - Anthrax

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Por David Torres, Tradução
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Com a chegada da década de noventa, o Thrash Metal acabou entrando em declínio e isso não é novidade alguma para aqueles que são apreciadores do estilo. Muitas bandas passaram a se aventurar por terrenos musicais completamente antagônicos, numa tentativa de se adequar ao mercado musical da época. Após terem produzido uma sequência realmente matadora e invejável de álbuns, os nova-iorquinos do Anthrax retornam com um trabalho mais controverso e que divide as opiniões entre fãs e ouvintes.
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Lançado em 25 de maio de 1993, através da Elektra Records, “Sound of White Noise” é o primeiro álbum do Anthrax sem a presença de seu carismático vocalista, o excelente Joey Belladonna, que estava na banda desde 1984, tendo gravado os irrepreensíveis álbuns “Spreading the Disease” (1985), “Among the Living” (1987), “State of Euphoria” (1988) e “Persistence of Time” (1990). Para substituir o “frontmen”, Scott Ian e Cia. recrutaram o vocalista John Bush (Armored Saint), um músico de grande potencial, porém, cujo estilo vocal se diferenciava drasticamente de Belladonna. Essa mudança drástica resultou em um registro que muitos amam e muitos odeiam. Produzido por Dave Jerden (Alice In Chains, Armored Saint, Sacred Reich), o álbum possui uma tendência sonora mais comercial e até um tanto Grunge, mas que nem por isso fazem da obra um registro penoso e irrelevante. Aliás, muito pelo contrário!

Uma singela introdução marca abertura de “Potter’s Field”, a faixa de abertura. Não demora muito para os “riffs” cadenciados e “grooveados” da dupla de guitarristas Scott Ian e Dan Spitz ecoarem pelos alto falantes. O baterista Charlie Benante não está tocando tão rápido como antes, contudo, ainda executa batidas rápidas, firmes e consistentes. A voz de John Bush é a grande surpresa do registro, sendo um contraste completamente novo e diferenciado dos dois vocalistas anteriores da banda, Neil Turbin e Joey Belladonna. Bush, que anteriormente já havia gravado grandes álbuns em sua banda anterior, o Armored Saint, prova que é um vocalista competente e capaz de assumir a linha de frente do Anthrax. A bateria de Charlie Benante introduz “Only”, indiscutivelmente o maior clássico da fase com Bush nos vocais. É um dos grandes pontos altos do disco, possuindo melodias bem escritas, um solo bem construído e um refrão poderoso. Uma grande música que chegou a ganhar dois videoclipes promocionais.

O álbum continua em grande estilo com a arrasa quarteirão “Room for One More”. Os “riffs” pesadíssimos e cheios de “groove” rasgam os alto falantes e são absolutamente grudentos, assim como o seu refrão, que novamente é bem marcante e intenso, ficando na mente do ouvinte após pouquíssimas audições. Dan Spitz também executa um curto, porém eficiente solo de guitarra. Assim como na faixa anterior, essa música também recebeu um videoclipe promocional. “Packaged Rebellion” é uma música mais lenta e com uma pegada mais suave, mais o que nem de longe faz o som ser ruim. Mais uma ótima faixa, preenchida por bons “riffs” e harmonias instrumentais e vocais.

Energética e divertida, “Hy Pro Glo” também é um dos “singles” gravados para o disco e mais uma vez conta com um desempenho bastante apreciável da banda. Ian e Spitz dominam em suas palhetadas e a “cozinha” encabeçada por Frank Bello e Charlie Benante é bem sincronizada, pulsante e contagiante. A banda também chegou a produzir um videoclipe para essa faixa. “Invisible”, a sexta faixa, se inicia com um som de guitarra distorcido e com um ritmo crescente e progressivo. As baquetas de Benante são certeiras e precisas, assim como os “riffs” de Ian e Spitz e John Bush canta maravilhosamente bem, jamais desapontando.

Mais melódica e lenta, “1000 Points of Hate” é uma composição novamente louvável e interessante, possuindo mais uma vez um refrão marcante e passagens memoráveis. Nela temos a participação do DJ Terminator X, do Public Enemy, incorporando alguns “Scratches” de forma que na soa forçada. A semi balada “Black Lodge”, que também ganhou um videoclipe para divulgação na época, é uma música bastante apreciável e repleta de melodias bem elaboradas. A faixa se inicia lentamente e vai ganhando força aos poucos. Ela foi composta em parceria com Angelo Badalamenti, compositor de trilhas sonoras para filmes do cineasta David Lynch e também de séries de TV. “Black Lodge”, aliás, é o nome da dimensão alternativa na série de TV "Twin Peaks”. É importante mencionar que essa faixa não está incluída na versão em vinil.

Benante inicia “C₁₁ H₁₇ N₂ O₂ S Na”, a música que dá continuidade ao álbum. É uma faixa mais agitada e pesada, apresentando “riffs” eficientes e um trabalho instrumental e vocal bem incorporado. Para quem não sabe, o nome dessa música é a fórmula química para Pentatol de sódio, uma droga do soro da verdade. A penúltima faixa é “Burst”, que, ao menos em minha opinião, é a faixa mais fraca do álbum, trazendo os mesmos ingredientes das anteriores, mas sem possuir um atrativo novo e realmente interessante. Não é uma música ruim, apenas não é tão interessante quanto tantas outras que temos no disco. O álbum de encerra com “This is Not an Exit”, uma faixa começa bem cadenciada e ganha mais velocidade próxima ao seu encerramento. Uma boa música, encerrando o álbum com mérito e eficiência.

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“Sound of White Noise” possui uma versão japonesa que inclui também um CD bônus, apresentando uma faixa inédita, “Noisegate”, além de três “covers”, “Cowboy Song” (Thin Lizzy), “Auf Wiedersehen” (Cheap Trick) e “Looking Down the Barrel of a Gun” (Beastie Boys). Também há uma música gravada durante essas sessões que foi aproveitada para a trilha sonora do filme estrelado pelo astro Arnold Schwarzenegger, “O Último Grande Herói”. Alguns anos depois, o álbum foi relançado mais duas vezes. Em 2001, através da Beyond Records, incluía além dos “covers” de Thin Lizzy e Cheap Trick, um “cover” do The Smiths, “London” e uma versão alternativa para “Black Lodge”, intitulada “Black Lodge (Strings Mix)”. Em seu segundo relançamento, agora em “digipack”, pela Nuclear Blast Records, passou a incluir os videoclipes das faixas “Only”, “Room for One More”, “Hy Pro Glo”, “Black Lodge” e “Black Lodge (Strings Mix)”.

Ainda que bastante injustiçado em sua época de lançamento e apresentando uma proposta musical bastante diferenciada dos trabalhos anteriores da banda, “Sound of White Noise” é um tremendo álbum de Metal, recheado de músicas de qualidade e que merecem ser escutadas repetidas vezes. Para aqueles que nunca deram a devida olhada nesse registro, recomendo bastante que o ouçam, pois vale e muito a pena!

01. Potters Field
02. Only
03. Room for One More
04. Packaged Rebellion
05. Hy Pro Glo
06. Invisible
07. 1000 Points of Hate
08. Black Lodge
09. C₁₁ H₁₇ N₂ O₂ S Na
10. Burst
11. This Is Not an Exit

John Bush (Vocal)
Scott Ian (Guitarra Rítmica, "Backing Vocals" e Baixo de Seis Cordas na Faixa 6)
Dan Spitz (Guitarra Solo)
Frank Bello (Baixo e "Backing Vocals")
Charlie Benante (Bateria)

Participações especiais:
Vincent Bell (Guitarras - "Tremolo" na Faixa 8)
Angelo Badalamenti (Sintetizadoras, Orquestração e Guitarras Adicionais na Faixa 8)
Kenny Landrum (Teclados)
Terminator X ("Scratches na Faixa 7)

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Sobre David Torres

Moderador e criador nas páginas Mundo Metal e The Old Thrash Metal, tem como estilo predileto o bom e velho Thrash Metal e procura sempre conhecer mais e mais acerca do estilo, assim como do Rock/Metal como um todo e as suas mais variadas vertentes e subgêneros.

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