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Resenha - Shape Shifter - Santana

Vamos falar sobre o mais recente lançamento deste grande guitarrista mexicano, Carlos Santana, que acabou de liberar seu 22º álbum de estúdio, "Shape Shifter", quase todo instrumental. Opa! Santana finalmente rompeu seu ciclo de discos com diversos convidados para retornar a explorar mais sua musicalidade fantástica. Um grande passo deste músico grandioso, que saiu da zona de conforto em que se encontrava.

Nota: 8

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Para gravar mais este disco, Santana escolheu os seguintes músicos: Chester Thompson e Salvador Santana (filho do guitarrista) nos teclados; Dennis Chambers na bateria (com Santana desde 2004); Benny Rietveld no baixo. Um conjunto de músicos que fez bonito nesta bolacha!! (você, novinho, não entendeu nada, claro. Que porra é essa de bolacha? Era como nós, da época do vinil, chamávamos o discão!!) A maioria das composições também é de Santana.

O disco abre com a faixa-título, toda cheia de clima, uma espécie de canto indígena na introdução e o teclado de Chester Thompson dominando. Até que a guitarra cantante de Santana entra em ação e passa a ditar o ritmo, com uma pegada rock firme e certeira. Não via Santana com solos tão afiados fazia tempo... Em "Dom", a levada é mais suave, mas percebemos a guitarra de Santana praticamente "cantar" a linda melodia da canção. Já em "Nomad", a pegada fica mais roqueira novamente, e Santana parece colocar sua guitarra em chamas durante os solos.

"Metatron" é outra que traz a guitarra "cantante" de Santana e belas melodias. "Angelica Faith" é talvez a mais suave e lenta do disco, linda, imagine-se em um casarão em alguma cidade de serra (Campos do Jordão, Gramado, Monte Verde, Nova Friburgo, Visconde de Mauá, você escolhe), frio, você em frente à lareira apreciando um vinho de qualidade, com sua namorada/esposa/amante. E esta canção rolando, que clima! Este climão continua com "Never The Same Again" e "In The Light Of A New Day", ambas músicas de qualidade. A primeira com uma batida mais moderna, a segunda mais suave e linda, talvez a melhor do disco.

"Spark Of The Divine" é rápida, um minutinho, quase uma introdução para a próxima canção, "Macumba In Budapest", que traz toda a influência latina que Santana sempre incorpora em seus álbuns. "Mr. Szabo" é uma homenagem, segundo a Wikipedia, ao guitarrista húngaro Gábor Szabó, cujo trabalho Santana já tinha visitado em seu clássico álbum "Abraxas", na grande canção "Black Magic Woman/Gypsy Queen" (a segunda parte é composição dele). "Eres La Luz" é a única canção com vocais (cantados por Andy Vargas), e traz mais latinidade para este trabalho (confesso que esta foi a que menos gostei...).

Fechando o disco, temos "Canela", outra canção de alto nível, levada suave de guitarra de qualidade, mais uma vez Santana faz o instrumento "cantar"; no meio, a canção quebra para uma levada latina, com o teclado conduzindo. Pra completar, "Ah, Sweet Dancer", encerrando o álbum de maneira suave, tranquila, aquele climão que eu tinha falado, com grande destaque para o piano. Um belo encerramento!

Em suma, o disco apresenta um Santana revigorado, explorando musicalidades a muito esquecidas. Ele deixou os discos de duetos de lado e nos presenteou com um petardo intenso, concentrado na música e na sua guitarra. Um bravo para este grande guitarrista mexicano! Um viva também para a banda, com músicos renomados e de talento. Fico na torcida para que Santana traga sua banda aqui para o Brasil e nos presenteie com um show repleto destas canções, incluindo também seus clássicos. O público roqueiro brasileiro e seus fãs merecem!!

Relação de músicas do álbum:
1 - "Shape Shifter"
2 - "Dom"
3 - "Nomad"
4 - "Metatron"
5 - "Angelica Faith"
6 - "Never The Same Again"
7 - "In The Light Of A New Day"
8 - "Spark Of The Divine"
9 - "Macumba In Budapest"
10 - "Mr. Szabo"
11 - "Eres La Luz"
12 - "Canela"
13 - "Ah, Sweet Dancer"

Alguns vídeos com canções deste álbum:

"Shape Shifter", a faixa-título do disco:

"Angelica Faith":

"In The Light Of A New Day":

Acompanhem esta e outras resenhas no blog Ripando a História do Rock:
http://ripandohistoriarock.blogspot.com.br/

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Sobre João Paulo Linhares Gonçalves

Roqueiro convicto, de carteirinha, desde os treze anos de idade. Já tive diversas bandas preferidas: de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath a The Who, Pink Floyd e Rolling Stones. O heavy metal sempre me atraiu muito, mas o rock praticado nos anos 60 e 70 é fascinante e estou sempre escutando. De vez em quando, dou chance ao punk, rock alternativo, blues, até ao jazz e MPB, pra variar.

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