Santana: como encontrar um oásis em meio ao deserto!
Resenha - Shape Shifter - Santana
Por Ricardo Pagliaro Thomaz
Postado em 17 de janeiro de 2013
Nota: 10 ![]()
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Demorei para escutar o novo disco de Santana, Shape Shifter. O disco foi lançado em Maio de 2012, mas somente agora que consegui finalmente recobrar as forças e ouvir o que o guitarrista mexicano havia nos preparado, com medo de que fosse outra bomba do guitarrista empreitada com celebridades de pouca categoria.
Ouvir Shape Shifter é como acordar de um pesadelo. É como encontrar um oásis em meio ao deserto! É um bálsamo após tantas guinadas terrivelmente errôneas na carreira desse guitarrista extremamente talentoso. Carlos Santana parece que finalmente acorda após ficar confinado por tanto tempo em meio a personalidades midiáticas e parcerias com gente de talento duvidosíssimo, com raras exceções como Seal, Eric Clapton, ou Dave Matthews.
Seus discos anteriores, Supernatural, Shaman e All that I Am ("Ain't" para os bom entendedores) formam uma trilogia de discos que gosto de chamar de a era das sombras de Santana. Sua morte e funeral. A morte de sua alma e seu talento. Morte essa que se completa com seu disco de covers, Guitar Heaven, com versões de clássicos do rock pouco inspiradas e uma horrenda versão de "Back in Black" com vocais de rap. Como a fênix renascendo das cinzas, Santana renasce aqui neste novo álbum de inéditas, em belas cores e tonalidades.
Felizmente o pesadelo parece ter terminado, pois Shape Shifter é uma amostra de que não só a alma musical desse excelente guitarrista e músico sobreviveu à subversão das celebridades como também que seu talento permaneceu intacto e aqui o guitarrista esbanja todo seu gênio latino em composições mais do que acertadas! Um retorno à forma mais do que bem vindo de um ícone do rock clássico em belas canções que ilustram que Santana está revigorado e bem, e faz questão de nos mostrar isso à cada faixa do disco!
Desta vez nada de parcerias mambembes, apenas Santana e sua banda esbanjando talento e diversidade musical, como nos bons tempos.
Destaques? Fácil, o disco todo é um destaque! Aqui, Santana relembra de todas as suas fases geniais como guitarrista, desde seu início na era Woodstock, passando pelos anos 70 e 80, Santana aqui lança seu melhor trabalho desde seu Milagro, disco de 1992, seu último trabalho realmente bom, antes de se enveredar pelas tantas sofríveis parcerias.
Mas, como é de praxe, vou destacar aqui os momentos mais fortes do disco. A começar pelo chute na porta, a faixa título que abre o trabalho, com riffs matadores e um trabalho de teclado primoroso de Chester Thompson, remetendo muito à fase setentista de Santana. Também a climática "Dom" e a ótima e pesada "Nomad" abrem muito bem esta ótima bolacha.
"Angelica Faith" é um ótimo trabalho de slow jazz com instrumental primoroso, "Macumba in Budapest" nos traz uma bela canção com uma percussão que remete aos primórdios da banda, com um excelente trabalho de ritmo latino, próximo da música cubana, seguido de outra excelente faixa, "Mr. Szabo" com Santana arrebentando no violão elétrico.
Em "Canela", Santana esbanja toda sua versatilidade e talento e pra fechar o disco, Pai e filho exibem seu talento em "Ah, Sweet Dancer", sendo que as duas últimas faixas são duetos entre os dois. Um fechamento elegante e sincero deste maravilhoso disco.
Este álbum simboliza o retorno à forma de um músico que ficou durante pouco mais de uma década, sendo subaproveitado em suas próprias empreitadas, um renascimento de um talento inigualável e esperamos que assim se mantenha à partir de agora.
Portanto, não tenha medo, pois eu tive e quase perdi um trabalho primoroso. Disco recomendadíssimo! Ouça e delicie-se com um Santana de volta em sua melhor forma, Santana vintage, que sabe como ninguém escrever canções belíssimas, extremamente habilidoso, talentoso, versátil e elegante. E esqueça para sempre a era das sombras de Santana, fazendo como eu, saltando de Milagro e o ótimo ao vivo Sacred Fire lá em 1992 para Shape Shifter, esse disco primoroso, fazendo como se a era das sombras do guitarrista jamais tivesse existido.
Shape Shifter (2012)
(Santana)
Tracklist:
01. Shape Shifter
02. Dom
03. Nomad
04. Metatron
05. Angelica Faith
06. Never The Same Again
07. In The Light of a New Day
08. Spark of the Divine
09. Macumba in Budapest
10. Mr. Szabo
11. Eres La Luz
12. Canela
13. Ah, Sweet Dancer
Selo: Starfaith
Site oficial:
http://www.santana.com/
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