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Resenha - Vaca… É a Mãe! - Comitiva do Rock

O surgimento da improvável mistura entre o rock pesado e o sertanejo foi uma das surpresas mais louváveis do universo musical brasileiro em 2011. Com shows verdadeiramente enérgicos e aparições em diversos programas de renome da TV nacional, a COMITIVA DO ROCK conquistou rapidamente o reconhecimento do público pela ousadia da sua proposta e pelo bom humor de suas músicas. O grupo não perdeu o embalo da novidade e preparou para o fim desse ano o seu primeiro disco – intitulado “Vaca... É a Mãe!” – que chega às lojas de todo o país via Laser Company Records.

Nota: 9

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Não há dúvidas de que a COMITIVA DO ROCK trabalhou arduamente para que todo esse reconhecimento atingido em 2011 fosse merecido. As paródias assinadas pelos caricatos Zezé Cavalera (vocal), Ralf Young (guitarra), Slash Sorocaba (guitarra), Hudson Vai (guitarra), Ozzy Menotti (baixo) e Tonico McBrain (bateria) foram muito bem construídas sob o cuidado do renomado produtor Paulo Anhaia (CPM 22/VELHAS VIRGENS). Por mais que a banda misture estilos supostamente antagônicos, o que se ouve em “A Vaca... É a Mãe!” é um apanhado de faixas que exalam um bom gosto acima da média, sobretudo por conta da pegada bem rock n’ roll que a COMITIVA DO ROCK deu aos “clássicos” do sertanejo. O resultado é um álbum coeso e divertidíssimo.

Entre as quinze faixas do disco, fica até um pouco complicado destacar as músicas mais incríveis. A introdutória clássica/caipira “Galinha Burana” (isso mesmo!) é a prova da maneira bem humorada que Zezé Cavalera & Cia encaram todo o repertório de “A Vaca... É a Mãe!”. Porém, é aos poucos que a COMITIVA DO ROCK vai mostrando e amplitude – e até mesmo a complexidade – do seu projeto. Com naturalidade competência, os caras conseguiram unir referências de TWISTED SISTER e da dupla Bruno & Marrone em “Não Foi de Graça”. Em “Jeito de Boneca”, por outro lado, o que se ouve é um pouco de VAN HALEN (“Jump”) e de Chitãozinho & Xororó. O refrão extremamente pegajoso contorna esse que é um dos primeiros e definitivos hits do repertório da COMITIVA DO ROCK.

A vitória da banda na semi-final do concurso “O Rei das Paródias”, do programa dominical “Tudo É Possível” (Rede Record), foi com a divertidíssima “Leitão”, outro destaque do primeiro disco da banda. As influências de GUNS N’ ROSES (“Paradise City”) e César Menotti & Fabiano certamente proporcionaram um contorno inusitado – e ao mesmo tempo vibrante – à música. Praticamente da mesma forma, “Não É o Pelé” (uma das poucas faixas inéditas que ainda não haviam sido divulgadas no “CD Promo” do conjunto) deve agradar a maioria das pessoas interessadas na proposta da COMITIVA DO ROCK, justamente por manter o mesmo alto astral das músicas iniciais. A irreverente “Amigo Ensaboado (Live in Pelotas)” vem na sequência e também aparece com destaque em “A Vaca... É A Mãe!”.

O que faz da COMITIVA DO ROCK uma das maiores surpresas da música brasileira da atualidade é a capacidade da banda em criar paródias interessantíssimas, sobretudo para quem quer apenas se divertir com o som do grupo. Elas aparecem praticamente uma atrás da outra em “A Vaca... É a Mãe”. A ótima “Viola com Distorção” (uma das minhas preferidas) antecede o contagiante hit “Vida de Pedreiro”, provavelmente a faixa mais imponente e carismática de todo o repertório, ainda mais pelo convidado especial que aparece para dividir as vozes com Zezé Cavalera: o famigerado cantor brega Falcão. Outras faixas ainda evidenciam toda a técnica e a versatilidade da banda: a pesada “O Viagra É o Segredo” – que misturou ALICE IN CHAINS e Leandro & Leonardo – e “Troca o Óleo” – com referências dos ícones OZZY OSBOURNE (“Crazy Train”) com o queridinho das FM’s Luan Santana.

Em atividade desde 2008, a COMITIVA DO ROCK mostrou em “A Vaca... É a Mãe!” todos os pré-requisitos necessários para ocupar uma lacuna na música brasileira, vazia desde o acidente aéreo que matou os MAMOMAS ASSASSINAS na década de noventa. Em cerca de cinquenta minutos de músicas consistentes e um humor bem caprichado, Zezé Cavalera & Cia. deixaram no ar a ideia de que ainda podem ir além com a proposta de unir o rock n’ roll com a música sertaneja. A ousadia da banda precisa ser reconhecida e reverenciada – ainda mais no ambiente extremamente saturado em que se encontram todos os grupos se autodenominam true metal. “A Vaca... É a Mãe!” é uma ótima alternativa para todos aqueles que reclamam que há tempos não se divertem ouvindo música.

Site: www.comitivadorock.com

Track-list:

01. Galinha Burana (Intro)
02. Não Foi de Graça
03. Jeito de Boneca
04. Leitão
05. Filho Pentelho
06. Não é o Pelé
07. Amigo Ensaboado (Live in Pelotas)
08. Viola com Distorção
09. Vida de Pedreiro
10. A Filha de Chico
11. Caloteira
12. Eu Não Sei Falar Inglês
13. O Viagra é o Segredo
14. Troca o Óleo
15. A Vaquinha
16. Troca o Óleo (Videoclipe)

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Sobre Paulo Finatto Jr.

Reside em Porto Alegre (RS). Nascido em 1985. Depois de três anos cursando Engenharia Química, seguiu a sua verdadeira vocação, e atualmente é aluno do curso de Jornalismo. Colorado de coração, curte heavy metal desde seus onze anos e colabora com o Whiplash! desde 2000, quando tinha apenas quinze anos. Fanático por bandas como Iron Maiden, Helloween e Nightwish, hoje tem uma visão mais eclética do mundo do rock. Foi o responsável pelo extinto site de metal brasileiro, o Brazil Metal Law, e já colaborou algumas vezes com a revista Rock Brigade.

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