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Trans Europe Express - Kraftwerk

Por Sergio Godoy | Em 19/10/08
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É incrível a reação das pessoas quando questionadas sobre música eletrônica. "Não vale nada." ou "É só batida, não faz sentido!" são as reclamações mais encontradas em qualquer lugar onde você toque no assunto. Infelizmente, poucos reconhecem o valor dessa incrível e abrangente manifestação artística. Falo da música eletrônica popular em seu princípio, mais especificadamente do Kraftwerk, grupo alemão comparado aos Beatles quando se trata de influência para a música contemporânea.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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No início da década de 70, os sintetizadores - instrumentos musicais eletrônicos geradores de sons artificiais -, que já eram comuns no rock progressivo, se tornaram ainda mais conhecidos no cenário pop. Paralelamente ao rock, um novo gênero musical se desenvolvia. Esse último era basicamente senão uma continuação, uma influência do krautrock - música experimental alemã surgida no final dos anos 60. Entre os novos grupos, um deles se destacava por sua inovação: o já citado Kraftwerk, cujo nome significa usina de energia em alemão. Sempre sob uma postura vanguardista, o grupo fundado por Florian Schneider e Ralf Hütter determinou através de novas técnicas e muita criatividade o que seria o futuro da ainda nova música eletrônica popular.

Lançaram, somente na década de 70, sete álbuns. Entre eles, o tão famoso "Autobahn", de 1974. O disco, adorado tanto por fãs de rock progressivo quanto por fãs de música eletrônica, possui uma suíte auto-intitulada de vinte e dois minutos que é tão inovadora quanto longa. Em 1975, chegou às lojas o ótimo "Radio-Activity", que é o primeiro disco em que a banda não utiliza flautas, violinos ou guitarras. Essa diferença na instrumentação marca o início da era eletrônica para o grupo.

Mas é em 1977, sete anos após sua fundação, que a banda grava sua obra-prima: "Trans-Europe Express" (ou "Trans-Europa Express" como é conhecido nas terras germânicas). Não é à toa que esse álbum é sempre lembrado como um dos maiores da história: 36º na lista do boletim semanal britânico New Musical Express sobre os cem melhores discos de todos os tempos, 253º entre os quinhentos melhores segundo a revista Rolling Stone, 56º entre os cem melhores na lista da rede televisiva norte-ameticana VH1. O disco é marcado pela grande influência da música clássica em suas melodias. A canções apresentadas são, em geral, pops minimalistas de extremo bom gosto. O grupo havia se recriado musicalmente nesse disco, devido principalmente ao uso de novas técnicas na área dos sequenciadores. A mais que completa "Europe Endless" abre o disco de maneira esplêndida, já demonstrando um pouco daquilo que viria pela frente não só nesse como no próximo disco, "The Man Machine". É de se admirar a criatividade na melodia e no ritmo de músicas como "Showroom Dummies" e "Metal On Metal" respectivamente. A primeira hipnotiza, a segunda perturba. A profundidade sombria de Hall Of Mirrors é de deixar os cabelos em pé. "Trans-Europe Express" também não fica atrás, suas batidas simulam um trem em movimento, o que dá um charme especial à métrica dessa música. "Franz Schubert", acompanhada por arpejos nos teclados, é uma bela homenagem ao homônimo compositor austríaco. A curta "Endless Endless" funciona como uma vinheta e como o próprio nome sugere é a última do disco. Mas é impossível não colocá-lo para tocar novamente. Apesar de não ser tão agradável numa primeira audição, com o passar do tempo, Trans-Europe Express vicia. O grupo através do seu som robótico transporta o ouvinte para uma atmosfera na qual não há nada além da música. Esse é o grande feito da banda, que faz desse disco a sua obra-prima.

Com quase quarenta anos de carreira, muitos clássicos, alguns hiatos e diferenças na formação, os revolucionários alemães continuam em atividade; o grupo ainda conta com sua dupla fundadora. Influenciaram vários artistas renomados como David Bowie, Iggy Pop, Joy Division, New Order, Human League, Devo, Duran Duran, além de ser importantíssimo para o surgimento de outros movimentos como o hip-hop, a house e a eletro-music. O Kraftwerk veio ao Brasil pela primeira vez em 1998, período em que tocou três novas músicas. Em 2004, fizeram vários shows no mundo todo - participaram inclusive do Tim Festival - divulgando o novo álbum, "Tour de France Soundtracks", lançado no ano anterior. Mas é no ano seguinte que lançaram o primeiro álbum ao vivo oficial: "Minimum-Maximum", gravado na turnê de 2004. Baseado nesse lançamento, fizeram vários shows em países ainda não visitados pelo grupo no leste europeu. Em 2006, tocaram em alguns países da europa. Atualmente, após três shows nos EUA, o Kraftwerk tem datas macadas para shows na Irlanda, Ucrânia e Austrália.

Lista de músicas:
1 - "Europe Endless" (Ralf Hütter, Florian Schneider) – 9:35
2 - "The Hall of Mirrors" (Ralf Hütter, Florian Schneider, Emil Schult) – 7:50
3 - "Showroom Dummies" (Ralf Hütter) – 6:10
4 - "Trans-Europe Express" (Ralf Hütter, Emil Schult)1 – 6:40
5 - "Metal on Metal" (Ralf Hütter) – 6:52
6 - "Franz Schubert" (Ralf Hütter) – 4:25
7 - "Endless Endless" (Ralf Hütter, Florian Schneider) – 0:55

O grupo:
Ralf Hütter - sintetizadores, voz.
Florian Schneider - sintetizadores, voz.
Karl Bartos - percussão eletrônica.
Wolfgang Flür - percussão eletrônica.

Gravadoras:
Kling Klang
EMI
Capitol

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