Eloy Fritsch: Prog dando mostras de sobrevivência

Resenha - Landscapes - Eloy Fritsch

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Por Rodrigo Werneck
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

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Um movimento quase que totalmente underground hoje em dia, em especial no Brasil, o rock progressivo dá no entanto mostras freqüêntes de sobrevivência, algo que só ocorre com estilos musicais onde há consistência, e que privilegiam a criatividade e a busca por novos horizontes sonoros. Este é o caso da banda gaúcha Apocalypse, e em específico do tecladista Eloy Fritsch, cujo mais recente disco solo acaba de ser lançado.
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Em paralelo à sua carreira como tecladista e líder do Apocalypse, Eloy Fritsch desenvolve uma carreira solo mais voltada à música eletrônica e ao new age. Este “Landscape” é na verdade o seu sétimo disco solo, sendo que um oitavo já chegou às lojas, a coletânea “Past and Future Sounds 1996-2006”. Entretanto, “Landscape” é o disco mais rock de Fritsch, e não nega as grandes influências de Rick Wakeman (Yes, Strawbs, David Bowie, solo), entre outras. Embora tenha sido gravado em 2003 e oficialmente saído em 2005, somente agora este disco chega às prateleiras, em virtude das dificuldades de se lançar CDs hoje em dia (problema agravado no caso de artistas de rock progressivo). Difícil de entender? Mais difícil ainda é compreender porque trabalhos tão cuidadosos, rebuscados e de bom gosto ficam restritos a um nicho deveras reduzido do mercado musical.

O disco foi inteiramente composto, arranjado, gravado e mixado por Eloy, que usou seu estúdio caseiro para tal, e o resultado é simplesmente ótimo. Alguns discos solo de tecladistas são um tanto quanto enfadonhos, sem “pegada”, mas este não é o caso aqui. Eloy soube dosar de forma equânime a participação de todos os “instrumentos”. Todas as baterias e percussões foram simuladas por seus sintetizadores, e felizmente os timbres obtidos foram muito bons. Há viradas de bateria, mudanças de andamento, ou seja, o disco em momento algum fica monótono. Há até – pasmem – solos de baixo bastante convincentes, nas faixas “Teleportation” e “Run Through The Light”, bem como sonoridades de fretless em “Oasis”.

Os principais teclados usados por Eloy no CD foram um digital, o Korg Triton Classic, e um analógico (e antológico), o Minimoog (especificamente um construído há 35 anos atrás, em 1973!). Com eles, consegue a proeza de tocar de tudo um pouco: piano, dezenas de sons de diferentes teclados, guitarras, baixos, percussões. Enfim, uma pequena “orquestra de bolso”.

Voltando às influências, algumas composições lembram bastante as do tecladista grego Vangelis Papathanassiou, como “Andromeda”, “Somewhere In Time” e “Top of The World”. Ecos de Tangerine Dream e Larry Fast e o seu Synergy podem também ser encontrados. Ou seja, nada mais nada menos que o “crème de la crème” da música eletrônica. Isso não quer dizer, porém, que o disco seja uma mera cópia dos citados artistas, pois as composições, arranjos e a performance são de um nível altíssimo.

O disco agrada tanto a ouvintes “leigos” quanto a tecladistas, já que uma verdadeira aula na escolha de sons nos é proporcionada por Fritsch. “Science Fiction” apresenta aqueles tradicionais timbres espaciais e misteriosos de um Theremin, aqui simulados com perfeição pelo teclado Triton. Sons de “clavinet” podem ser ouvidos em “Run Through The Light”, adicionando um bem-vindo e contagiante “groove”. Já em “Escape”, temos uma levada de guitarra distorcida bem convincente (tirada mais uma vez nos teclados) junto a uma batida à la “Another Brick In The Wall” (Pink Floyd), sobre o que o Minimoog sola majestoso.

A arte gráfica inclui ilustrações de Alexandre Bandeira, calcadas nas pinturas etéreas de Roger Dean, em mais uma velada referência a Rick Wakeman, incluindo peixes voadores, rochas flutuantes, e seres mitológicos. Talvez um pouco batidas, mas mesmo assim condizentes com o espírito e o tema central do álbum (“landscapes” significando as “paisagens sonoras” nesse caso).

Resumindo, um ótimo lançamento que chega a ser surpreendente. A qualidade do trabalho de Eloy Fritsch é conhecida no meio, e mais reconhecida lá fora do que aqui. Mas, sem ser pretensioso e não almejar vôos mais altos (comercialmente falando), o trabalho assim mesmo alcança altas pradarias sonoras. Altamente recomendável!

Tracklist:

1. Landscapes
2. Teleportation
3. Andromeda
4. Science Fiction
5. Somewhere In Time
6. Cartoon
7. Run Throught The Light
8. Oasis
9. Escape
10. Imaginary Voyage
11. Top of The World

Site: www.ef.mus.br

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Sobre Rodrigo Werneck

Carioca nascido em 1969, engenheiro por formação e empresário do ramo musical por opção, sendo sócio da D’Alegria Custom Made (www.dalegria.com). Foi co-editor da extinta revista Musical Box e atualmente é co-editor do site Just About Music (JAM), além de colaborar eventualmente com as revistas Rock Brigade e Poeira Zine (Brasil), Times! (Alemanha) e InRock (Rússia), além dos sites Whiplash! e Rock Progressivo Brasil (RPB). Webmaster dos sites oficiais do Uriah Heep e Ken Hensley, o que lhe garante um bocado de trabalho sem remuneração, mais a possibilidade de receber alguns CDs por mês e a certeza de receber toneladas de e-mails por dia.

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